A
poesia é também um método educativo. Acho que, com poesia aprenderia mais do
que com os métodos tradicionais. Acho que, com música também aprenderia mais.
Então, tento enxertar antropologia, história, filosofia e teologia nas minhas
tentativas de ser, viver, curtir e ensinar desse jeito.
A
poesia sai das fronteiras do chão, retorna ao padrão original, invade a alma,
cutuca o comodismo, esquenta as emoções e lança voos para a eternidade, lugar
ideal para viver.
Não me deixem acostumar por estas terras.
Não permitam que eu goste de morar por aqui.
Não se acostumem também.
Cutuquemos a acomodação.
Não insistamos em fincar raízes
na terra árida.
Procuremos a terra fértil
onde se encontram os principais
e mais importantes nutrientes
que alimentam o impossível,
sonhável e desejável.
Procurem,
decifrem e deem-me os mistérios
que alimentem
a minha natureza infinita.
Saciem minha sede com água pura,
da verdadeira fonte,
e forneçam-me alimentos
que me eternizem.
Queiramos junto,
adquirir a virtude da teimosia.
Buscando o caminho e o alimento certo,
que contenham nutrientes apropriados.
Teimemos contra a própria correnteza,
nem que seja oposição
à nossa própria natureza.
Não posso e não podemos aceitar
que a própria natureza
nos reduza ainda mais.
Não aceitemos, passivamente,
entregar-nos para os limites.
Não fomos criados para
permanecer no mundo do fechado,
do pouco, do túmulo lacrado,
da morte sem sentido,
sem aberturas para o futuro,
sem dar chances ao infinito
ser parceiro permanente.
Quero encontrar
abertura para a eternidade.
Não tiremos de nós
as poucas esperanças
que nos vêm dos bons profetas
e dos sensíveis poetas.
Afastemos de nós
os profetas do mau agouro,
que não avistam nada além das fronteiras.
Estes, não nos fazem pensar,
nem imaginar sobre ‘algo a mais’
que possa existir.
Não acho próprio da natureza humana
permanecer preso
só no que vemos e tocamos.
Não suporto a ideia de ser só isso.
É muito pouco.
Deve ter muito mais.
Não, não quero estar satisfeito.
Não aceitemos permanecer
no campo limitado da matéria
ou nos limites geográficos horizontais
da natureza visível e palpável.
Ainda há a explorar,
a dimensão de profundidade
e a dimensão da verticalidade.
Asas não temos.
Não conseguimos ainda,
mas sonhamos voar.
Nossa existência não é só natural.
Ela é também, sobrenatural.
Sentimos isso.
Fazemos esta experiência.
Queremos viver mais o sobrenatural
do que a dimensão perecível do natural.
Algo nos diz,
talvez um anjo sussurrando
em nossos ouvidos,
insistindo que acreditemos
que a natureza essencial,
que não aparece, é sobrenatural.
Muito mais do que para os lados,
forças íntimas e profundas
empurram-nos para cima, para o alto,
exigindo alicerces de profundidade.
Não é o chão da rotina
que trará novidades.
Até as árvores,
no reino irmão da natureza,
crescem para cima e abrem seus galhos,
alargando os braços,
numa atitude de acolhimento e
ansiosos para crescer para o céu.
E até nós, humanos,
crescemos bem menos em estatura,
muito mais em compreensão e espichamento
do desejo para ir além
do que até onde já chegamos.
Mais do que com pesadelos,
povoamos e alimentamos
nossa imaginação
com sonhos e ideais.
Onde está a resposta do por quê vivemos?
Onde está a essência e o essencial?
Tem que ter algo mais.
O que até hoje tivemos
é muito pouco.
Não nos contentou.
Não nos deram respostas satisfatórias.
Deve ter muito mais aí, pelo mundão afora.
O essencial
ainda não foi posto na mesa
para nossa refeição.
Onde estão os garçons,
aqueles que servem pratos especiais?
Muito mais do que a passividade,
é o movimento que nos remete para o alto.
Muito mais que as resistências,
são as motivações que despertam sonhos e ideais.
Nossos irmãos ancestrais não se contentaram
nem se realizaram no mundo das cavernas.
Procuraram o progresso no fogo,
na caça, na agricultura,
na indústria,
no domínio dos mares,
no voar com os aviões pelos ares.
E jamais disseram: chegamos.
Nos espaços siderais, irmãos nossos,
já voaram procurando o infinito.
Não, não somos órfãos.
Traços e pistas do nosso Pai e Pai dos céus
existem por toda parte.
Não, não somos só humanos.
A alegria nos diz isso.
Queremos sempre a alegria por perto.
Desejamos cultivar a fonte da alegria
na nossa horta.
Somos pessoas humanas,
com potencial espiritual infinito,
abertos ao ilimitado,
pela imagem e semelhança
com o Cientista,
Criador da Terra e dos Céus,
que cria para a eternidade,
o infinito que não sacia.
Extasia-nos
e nos desperta,
um convite,
um aceno,
um chamado lá
das estrelas.
Quem saciará a fome
e o desejo de conhecer o céu?
Estes escritores procuramos.
Estes cientistas esperamos.
Que mãe parirá estes necessários
novos escritores,
novos profetas,
novos poetas,
cientistas do além?
Por favor,
reitores, cientistas, filósofos,
artistas e poetas,
rabisquem linhas
e profiram palavras
que alarguem e prolonguem
estes sonhos, necessidades básicas,
das nossas esperanças.
Políticos,
assinem projetos ousados,
capazes de fazer acontecer,
a esperança brotar de novo, de verde,
em todos os povos.
Teólogos,
alimentem nossa fé
no Criador do Universo.
Ele é nosso Pai.
Revelem-nos o rosto Dele
e as moradas que está preparando para nós.
Profissionais de todas as ocupações,
Insistam, percam o sono,
invistam neste financiamento,
nas provas e demonstrações
que os mistérios não são fechados
ou impossíveis de serem lidos.
Queremos provas desta filiação.
Não queremos ser filhos sem heranças.
Queremos acreditar nas promessas
de que somos herdeiros dos céus.
Não esvaziem o conteúdo misterioso
do Criador, nosso Pai.
Não nos deixem famintos,
alimentando-nos com a ignorância destes dons.
Falem do nosso Papai do céu.
Nós, filhos, não queremos nos sentir órfãos.
Não aceitamos esta condição.
Não escondam as verdades eternas.
Permitam-nos curtir
o mistério da natureza Divina
e abram os espaços mostrando-nos
o impossível, o infinito e o Incognoscível.
Demonstrem as evidências do espírito.
Falem da ressurreição após a morte,
da vida, da vida eterna.
Queremos continuar vivendo eternamente.
Não nos deixem curtindo ilusões e fantasias
ou mentiras que viajam pelos séculos.
O livro da história
já nos contou muitas verdades.
Verdades eternas permanecem
com o passar dos anos.
Já temos um sul. Já temos a esperança
de que tais ideais são possíveis.
Águias
que somos,(*)
feitos
para voar nas alturas,
não
aceitemos permanecer como galinhas,
que
também possuem asas,
mas não
voam mais,
porque a
cultura do conforto acomodou.
Caminhemos juntos.
Sejamos parceiros nesta pesquisa,
nesta ânsia de coisas melhores e maiores.
Prefiro ser um iludido e viver nesta esperança
a sofrer numa vida triste
sem saída para a imortalidade.
*Leia
o livro do escritor Leonardo Boff, A águia e a Galinha, uma metáfora da
condição humana / Petrópolis, RJ : Vozes.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Extasia-nos
ResponderExcluire nos desperta,
um convite,
um aceno,
um chamado lá
das estrelas. Não me deixem acostumar por aqui.
Leia e comente comigo. aguardo: eneaspb@gmail.com