Curioso sobre o tema
da morte
eu quase desejava
morrer,
para saber mais
sobre o que sabemos
de menos.
Cultivei a esperança
no lado de lá.
Quase quis ficar
por aqui.
Não me conformava
em ser apenas
terráqueo.
Eu tenho algo
que não é daqui.
É de lá
a minha melhor parte,
a mais duradoura.
É de lá
minha natureza
definitiva.
Tenho esperanças
de que sou herdeiro
e que tenho
uma herança eterna
a cultivar.
Durante minha vida
procurei sempre
as pegadas do
espírito,
sutil,
despercebidas
pelo olhar corporal.
No Heipo’s World
estão registradas
as impressões
digitais
de um personagem
feito aqui,
para chegar lá,
no lado de lá.
O espírito
que sou
me manterá
para sempre.
O que não é espírito
ajudou o espírito
a buscar a unidade,
a unificação.
Há algo mais
que nossas
capacidades mentais
possibilitam
conhecer.
Há algo mais
além do que nossos
olhos veem.
Há algo mais
para lá
do que nossos
sentimentos
experimentam.
Há algo mais
que a fé diz existir
e que ainda nos
escapa.
Há algo em nós
que é sobrenatural,
e que nos ultrapassa
e que esconde ‘algo’.
Há algo mais
que nos provoca,
atraindo-nos e nos
chama,
e nos deixa ansiosos.
O que é desconhecido
quer se fazer
conhecido.
O que nos mantém
presos
e inseguros
é a sensação
do despreparo.
Se nos sentimos despreparados
é porque
não nos conhecemos
suficientemente.
Receamos conhecer
o desconhecido
que promete mais,
e nos acostumamos
com o conhecido
que não nos realiza.
Em cada um de nós
existem
possibilidades
desconhecidas,
ainda dormindo.
Abrir-se ou aventurar-se
no campo do infinito
é a maior
de todas as ambições
humanas.
É uma aventura,
quase um escape,
um querer fugir
do mundo pequeno.
É uma revolta
contra tudo aquilo
que não preenche,
não completa,
não realiza
e deixa um sutil
sentimento
de frustração.
Abrir-se para o
infinito
é romper as
fronteiras e os limites.
É vivenciar os
melhores valores
que temos à disposição.
Estes
valores, vivenciados,
provam a existência do céu.
O infinito faz cócegas no finito.
Desperta
a curiosidade.
Abre as portas
para esperanças novas.
Sou o mais
completo,
complexo
e complicado ser da criação.
Mas experimento também
a
força da limitação.
Mas
esta limitação,
é
apenas um detalhe,
um componente do todo.
Não
é um obstáculo
intransponível.
Tenho ideais
mais altos e mais fortes
do que sou.
Tenho
sonhos infinitos
que querem alargar
os limites do que sei
e experimento.
Minha
fragilidade humana
Limita
o
que de eterno há em mim.
O
que há de finito em mim,
serve de copo
para recepcionar
o infinito.
Cabe?
Cabe sim,
vazando,
escapando,
segurando
as sobras
que satisfazem.
Quão
pequeno sou,
quase
incapaz,
mas
teimoso e esperançoso,
tento
fazer caber
dentro
das minhas limitações,
“o
maior”, o imenso,
o infinito.
Há
de caber
o que não posso conter?
Se
não couber todo,
há
de vazar.
Mais mérito há de ser assim,
do que manter vazio
um espaço criado
para
recepcionar o infinito.
Está
para acontecer,
a
qualquer momento,
se
não me arrebento,
coisa
grande vai acontecer.
Será
que estamos à porta?
ou
à beira, do fim?
Ou de um novo grande evento?
Um
recomeço?
Vamos
continuar.
É
melhor arriscar,
do que ficar por aqui,
estacionado.
Aqui,
a ‘coisa’ vai acabar.
Lá,
a ‘coisa’ está sempre
a começar.
Esta
inquietação
atrai
e convida,
e
se expõe,
e
se impõe.
É
uma atração.
Espera um sim.
Exige uma resposta.
Não
há como resistir.
Não
é algo comum.
Não faz parte da rotina.
Escapa das nossas mãos
e visões.
Será
um dom, a teimosia?
Um
desequilíbrio da natureza?
Na
grande síntese da vida
apenas três realidades existem:
o mundo, o homem
e o nosso Pai Criador.
Destas
três a que menos conhecemos
é
o nosso próprio Pai Criador.
O
que sei e o que não sei,
do
Deus Uno e Trino,
merece
maior investimento.
O mundo visível,
já o conhecemos,
mesmo que superficialmente,
pois
que somos barro
da terra.
O
mundo invisível
esconde códigos e senhas
e estamos começando
a decifrá-los.
Do
homem
temos um razoável conhecimento
pela História e pela lida,
no dia a dia.
Estamos
continuamente,
uns
ao lado dos outros.
E muitos de nós,
causamos espanto
e surpresas.
Na natureza humana
surgem algumas
interrogações.
As definições
filosóficas e científicas
não esgotaram a
intimidade,
o conteúdo e as
promessas
feitas às criaturas
humanas,
imagem e semelhança
do Pai Criador.
Há ansiedade
insatisfeita.
Há profundidade
infinita
na natureza humana
que só o infinito
pode suavizar,
que só o infinito
pode ‘encher’.
Do Deus Pai
e do Deus Filho
e do Deus Espírito
Santo,
as fontes de
pesquisas
são infinitas.
E é por aqui
que agora havemos de
pisar,
pesquisar
envolver-nos,
fazer parte,
complementar-nos.
Esta parceria,
promover para
aliança,
é a mais acertada
tacada
do nosso último
empreendimento
na escalada da
pirâmide da perfeição.
Devemos desistir?
Mas por que deixar
como está?
Na escuridão?
Ignorando a fonte da
Luz
que nos faz enxergar
do lado lá
e um pouco mais
acima?
Quero morar lá,
onde mora o Infinito.
Algo
em mim impulsiona,
energiza e anima
o que tenho de humano,
em direção a algo mais,
além deste mundo,
além do que vejo,
sinto e percebo.
Algo
condiciona
e
impulsiona
meu
frágil ser,
a
expressar-se
mais
do que posso.
Algo
me anima
a
querer e poder
mais do
que sou.
Não ao não.
Mas sim ao sim.
Sinto
cócegas.
Preciso me coçar.
Numa
hora quero ser mais livre,
quero voar, mas não consigo,
não tenho asas.
Noutra
hora
quero transportar-me
para
o alto da montanha,
sem
dar os passos
por entre as pedras.
Querendo
ser mais
experimento
as barreiras,
as
cadeias,
as
cordas,
as
correntes,
as
carências,
as impotências,
e
a paralisia.
Eis
que ainda sou
uma mistura de massas,
composta pela síntese mineral,
vegetal, animal e humana,
habitado
por migalhas de infinito.
Quero
devolver-me ao infinito
mesmo
sendo massa pesada.
Sei
que minha alma é leve
e transparente.
Estou
na terra,
mas não sou terráqueo.
Se daqui eu fosse,
seria muito mais sossegado.
Mas tem coisa dentro de mim
que cutuca o bicho preguiça,
que desperta outro bicho,
escondido,
atrás desta natureza humana,
projetada para novos horizontes,
novos
espaços,
novo
jeito de ser,
ainda desconhecido.
De
repente,
de
novo,
experimento-me
curtindo
uma expectativa
uma
esperança,
ou
uma ânsia,
uma
saudade...
que
me parece não ser minha...
Uma
sensação
de
que não sou daqui...
Não
me acostumo
com
minhas limitações.
Meus
limites temporários
fazem-me esquecer
que sou humano,
limitado pelos dois pés.
E
me fazem sentir
o que é ser já,
eterno,
sem ser.
E aí o tempo passa
e
eu não percebo
o tempo passar.
Será
esta a sensação
de sentir,
que não sou daqui?
Eis
que sou e estou
morando
no tempo.
No
Céu, fora do tempo,
o meu e nosso Pai,
o Artista que nos criou,
o Perfeito
está sempre a chamar:
Vem’.
Existe
uma ânsia,
uma vontade ou um sonho
que arde
dentro de cada um de nós,
pessoas humanas realmente,
e
divinas potencialmente.
O
que há de humano em nós,
contenta-nos ou nos humilha.
O
que há de divino em nós
manifesta-se como sede
que não sacia,
como obra de arte
inacabada.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 31/03/2016