quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Vem dançar uma dança nova, mística. 53




Copiei o texto abaixo há muito tempo atrás, quando eu ainda dançava sem parar.



Não me lembro o nome do autor. Sei que é de um irmão meu que não vai dançar de bravo se o copio.



Transcrevo, com alguns enxertos meus.



Não transcrevo só para mim, mas principalmente para você.



Por isso, gostaria que você o lesse, e viesse para o salão, dançar.



És convidado a dançar.



Aceitas meu convite?



Então, dance.



Dance de alegria.



Dance como alguém



que atende um pedido.







I



Há dança.



Sempre e em toda parte.





Só alguns homens sérios



não gostam de dançar.





Muitos santos



não souberam resistir



tão grande foi o impulso



para dançar.





O Rei Davi dançou



na frente da Arca;



Teresa com suas castanholas



também dançou.



São João da Cruz



com o menino Jesus no colo



dançou tudo que pode.





Francisco de Assis



na frente do Papa



exibiu com muita humildade



a harmonia existente



entre seu interior



e os passos cheios de leveza



e elegância.





A alegria destes amigos do Deus Pai



era grande demais.





O ritmo dos seus corações palpitantes, impetuosos demais.







Tinham de dançar



para balançar



e deixar escapar de dentro de si,



energias de contentamento,



esparramar



de dentro para fora



a energia concentrada



dentro do coração.





Se não dançassem, explodiriam.





Dançar era uma necessidade.





II.





E nós.



Ah!  Senhor,



Se fôssemos perdidos de amor por Ti,



não haveria mais resistências em nós.





Atraídos e fascinados,



arrebatados por teu amor,



seríamos forçados a levantar-nos



para colocar nossos passos,



hesitantes e ansiosos,



no ritmo dos teus.





III





Creio que muitas vezes



ficas como aquelas mulheres



no salão, sentadas,



esperando ansiosamente,



serem convidadas para dançar.







Os homens sérios,



sérios demais,



nem prestam atenção



à música.





Sérios querendo te encontrar



ou te conhecer por estudos,



por exercícios espirituais.





Querem te encontrar



como pessoas sensatas



e seguras.





Não foi por isso, Senhor,



que suscitastes esses outros bailarinos



que, cheios de alegria,



dançavam contigo sua vida?





IV





Um bom parceiro



não sabe para onde a dança o leva.



mas segue de maneira ágil



e não de pernas duras e rijas.





Não pergunta como é o passo,



mas cada passo ele faz



em prolongamento do vosso.





V





Por quê de todo jeito



querer avançar?





Quem dança bem,



roda até no mesmo lugar.





Vai para a esquerda.



Vai para a direita.



Faz parada



e desliza às vezes



em lugar de dar passos.





Errada seria se a música



não levasse tudo à harmonia.





VI





Mas nós esquecemos tantas vezes



a música do Espírito,



que marca a festa do amor.





Fazemos da nossa vida



um exercício.





Não enxergamos



que em teus braços



a vida se dança,



na confiança



do ritmo ditado por TI.





VII





A vida é cinzenta e monótona



para aqueles



que ficam esperando



o convite para dançar.





Mas não aparece ninguém



para  convidar.







Somos tímidos e sem jeito.





Convida-nos de novo, Senhor.





Manda mais alguns mensageiros



convidar-nos.





Talvez não estejamos



com vestes apropriadas



ou não tenhamos a fé



no ritmo da dança



ou não tenhamos percebido



a festa que a vida  é.





Mas como percebemos



a harmonia  e o ritmo?







Como entramos nesta dança?





Preparai mensageiros músicos



e artistas para nos convencerem.





VIII





Vem Senhor



e nos convida de novo.





Estamos dispostos



a dançar contigo,



no calor e no frio,



a dança do trabalho



e a dança da rotina.





Não ficamos ranzinzas



quando a música está em bemol;



não desistimos



quando o ritmo é cansativo.





Nem deixamos saber aos outros



quando nos pisam nos calos.





Não acontece isso



em todas as danças?





IX



Senhor,



ensina-nos o lugar



nessa dança



neste namoro sem jeito



e imperfeito entre nós  e vós.





Faça-nos sentir



as dissonâncias que produzimos.







Aceita nossos passos errados.





Afina-nos o ouvido



para não destoarmos



a orquestra da esperança.





Aceita-nos a fazer parte



da orquestra



para tocarmos



a sinfonia serena



da eternidade que surge.





Queremos fazer parte



da tua equipe de artistas,



de dançarinos na terra,



dando shows,



provocando aplausos.





X



Ajuda-nos Senhor,



cada novo dia



a vestir nossa humanidade



qual vestido de baile



tal como gostas ver em nós.





Faz que vivamos a vida



não como um jogo de xadrez,



onde tudo é calculado,



não como um racha extenuante,



nem como um problema intrigante,



ou um quebra-cabeça complicado,



mas como uma festa infindável



onde o encontro contigo



se renova cada vez



como uma dança



nos braços das tuas graças



na onda musical do teu amor.





Senhor,



vem e convida-me



para a dança.





Mesmo que não demonstremos



querer dançar.





Cativa-nos com vosso charme,



com vosso mistério.





Envolve-nos



com vosso olhar amoroso.







Transporta-nos



para as nuvens,



como acontece na dança



com o par amado.





Leva-nos para o grande salão



da tua morada eterna.





Nem que não queiramos.





Queremos contigo dançar



uma música eterna.





Amém. Aleluia.











Eneas Paulo Budel Bogucheski



Atualizado em 25/10/2016



eneaspb@gmail.com







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