domingo, 30 de agosto de 2015

Marido ideal é um amante poeta 24



Marido poeta

é aquele
que presta atenção
na esposa,

com todo potencial
da sensibilidade



Marido poeta

é aquele que tenta,

com o olhar,
fazer sua esposa compreender

a forma de admiração,

que a contenta
e preenche-a
de sentimentos ricos
de afeto,

ternura
e carinho.



Marido poeta

se faz mudo,

e sem palavras,

fazendo mímica em rimas

do amor eterno e infinito.



O marido poeta

comunica seu amor
à esposa amada,

olhando no fundo dos olhos,

lendo a alma

e simultaneamente
sendo lido pelos mesmos olhos fitados,

conteúdos densos,
profundos e elevados,

ultrapassando os limites

do que não pode ser expressado
com as palavras.



O marido poeta

apela para o mistério
do sobrenatural,

mística do amor
ainda desconhecido,

ampliado
na dimensão humana,

vivenciado

pelo amor
do Deus Criador.



Gianna Menegale Bogucheski.

Gostaria de fazer minhas
as palavras do Padre Henri Cafarrel:

“No teu amor por mim

vejo o amor do Deus Papai

que vem ao meu encontro.

 No meu amor por ti,

uno-me ao amor do Deus Papai

que pede o meu coração emprestado

para te amar”.

Eneas Paulo Budel Bogucheski

sábado, 29 de agosto de 2015

Um simples passo, da admiração para a contemplação 23

Falta-nos colocar ainda,
no nosso currículo escolar
de humanos,
duas ciências:
a ciência da admiração
e a ciência da contemplação.


Estas ciências
     produzem nos humanos
             alguns efeitos      
                   com características
                          e sabores
                                 mais do que humanos:
                                                     sobrenaturais. 

Temos sim,
    em nossa estrutura humanas,
         componentes sobrenaturais.

Não, não é preciso forçar tanto,
pois que não deixamos de ser humanos
enquanto estivermos por aqui. 

O que quero realçar
é a gostosa experiência
que fazemos
quando admiramos,
quando 'adoramos’. 

É uma experiência
quase nova,
que elastifica
e amplifica
nossas poucas
experiências humanas
sumamente agradáveis
e proféticas.

Através desta arte
a pessoa humana
centra o foco de atenção
nas criaturas, primeiro,
e depois, em seu Criador.


Ativa primeiro,
a faculdade da admiração
e esta, através dos seus efeitos,
desemboca na gratidão,
que por sua vez,  
aciona a mística
da integração
do nosso ser humano
como o nosso Deus e Pai Criador.


Admirar já é um quase adorar.
Adorar é a ação de sair de si,
sem sair de si;
o efeito é sentido
dentro de si mesmo,
com as sensações
que a gratidão provoca.


E nasce daí, imediatamente,
        a experiência da comunhão,
              da proximidade arrebatadora
                  do(a) filho(a) bem próximo(a),
                          do seu Paizinho afetivo.



        Não estamos nos referindo nem montando romances. Estas experiências são históricas: Trata-se dos grandes personagens que experimentaram e vivenciaram a virtude da penetração nos pequenos detalhes, na poesia das mensagens, do Autor Invisível, percebido por aqueles que se formaram na ciência da admiração e foram promovidos para contempladores e adoradores.

Gratidão ao Pai Criador do céu e da terra
e a todas as criaturas e elementos
que compõem o universo. 

Mas vejam bem,

o sentimento da gratidão
é consequência. 
É o resultado do ato de admirar.

Admirar é sair de si
e encontrar lá fora,
motivos, razões e fundamentos
de admiração e adoração que acontecem
aqui dentro.  

Estas são atitudes enriquecedoras, 
  pois trazemos para dentro de nós
     o que é belo,
         harmonioso,
            cheio de conteúdos
               e significados
                  que realizam
                      e despertam em nós
                         a nobreza divina. 

Se soubéssemos adorar,
dizia Frei Ignácio Larrañaga*,
atravessaríamos a vida,
como a calma dos grandes rios. 

Frei Ignácio Larrañaga 04/05/1928-30/10/2013, foi sacerdote capuchinho espanhol, fundador das Oficinas de Oração, pregador de retiros, escritor, criador dos Encontros de Experiência com Deus. Autor de dezenas de livros: Mostra-me teu Rosto, O silêncio de Maria, O Sentido da Vida, As Forças da Decadência, Suba Comigo, e outros.

Transcrevemos um pequeno trecho sobre o adorador na visão do Frei Ignácio.

O adorador é uma pessoa,
com uma consciência
dominada pela surpresa.

A surpresa
é um desprendimento,
um sair de si mesmo,
sair daquelas amarras,
apropriações e aderências,
mediante as quais
a pessoa ata a si mesma
e às demais criaturas
ao seu elo central.

Somente a admiração
é capaz de tirar o ser humano
do isolamento egocêntrico
e libertá-lo
das auto complacências
e autossuficiências.

É preciso ser livre até de si mesmo
para poder admirar e adorar.

         Vamos buscar outro personagem, procurando penetrar na sua personalidade, esperando descobrir mais algumas dicas sobre esta ciência da admiração, contemplação, visão celestial, já mais do que simplesmente humana.  

           Procuremos penetrar na personalidade do Francisco de Assis*. São Francisco de Assis 05/07/1182-04/10/1226. Foi religioso e santo Italiano. Nasceu e morreu em Assis, Itália. Foi o fundador da Ordem Religiosa dos Franciscanos. É o patrono da Ecologia. Foi o autor do Hino ao irmão Sol e da Oração “Senhor Fazei de Mim um Instrumento da Sua Paz”.

              Foi ele uma das poucas pessoas que mais próximo chegou, identificando-se a aproximando-se da personalidade do Jesus Cristo.

           Ao conhecer mais profundamente a personalidade deste homem, através dos livros, e de muitos dos seus seguidores, conseguimos perceber como ele recuperou a inocência original.

              Suas palavras e atitudes foram mais, muito mais, de louvor, adoração e gratidão.

               Eis a manifestação do Francisco de Assis, através do Cântico das Criaturas:

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
teus são os louvores,
a glória, a honra e toda benção.

A ti, somente, altíssimo, eles convém.

Louvado seja meu senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão sol,
o qual faz o dia e, por ele, alumia.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor,
de ti Altíssimo, traz imagem.

Louvado seja meu senhor,
pela irmã lua e pelas estrelas.
No céu formaste-as
claras e preciosas e belas.

Louvado seja meu senhor,
pelo irmão vento
e pelo ar e nuvem e sereno e todo tempo
pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado seja meu senhor,
pela irmã água,
a qual mui útil é e humilde
e preciosa e casta.

Louvado seja meu senhor,
pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre, robusto e forte.

Louvado seja meu senhor,
por nossa irmã, a mãe terra,
a qual nos sustenta e governa,
e produz diversos frutos
com coloridas flores e ervas.

Louvado seja meu senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam doenças e tribulações.

Felizes os que sustentam
e promovem a paz,
que por ti serão coroados.

Louvado seja meu senhor,
pela irmã nossa, a morte corporal,
da qual nenhum vivente pode escapar.

Felizes os que se encontrarem
na tua santíssima vontade,
a quem a segunda morte
não lhes fará nenhum mal.


Louvai e bendizei o meu senhor,
e agradecei-lhe
e servi-o
com grande humildade.


        Nestas poucas linhas você percebeu como acontece a prática da ciência da adoração, contemplação, superação da simples humanidade, em direção ao comportamento correto, de filho adorador. 


           Veja como é fácil deixar de ser humano, sem deixar de ser o que somos. Adorar, contemplar é focar a atenção nos elementos e criaturas externas, procurando motivos, razões, argumentos e fundamentos do ato de admirar e adorar, e ver, através das realidades visíveis, o Invisível sempre Presente, o Pai amoroso.


É mais ou menos isso o que acontece quando estamos diante de qualquer obra de arte: manifestamos a criatura especial que somos: admiradores, contempladores.

Você costuma assistir o espetáculo do por do sol que acontece diariamente? Este é um bom exercício para ir praticando e aperfeiçoando as regras da nova ciência. 

        Você ficou parado(a), quiteinho(a), olhando ou contemplando, amando a tua pessoa amada, querida? Que sentimentos experimenta?

         Pratique esta ciência,
olhando e contemplando
uma por uma,
todas as outras pessoas
que convivem
ou passam diante de ti,
todos os dias.

      Você será outra pessoa,
promovida,
de humana
para divina.


Eneas Paulo Budel Bogucheski                      

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sereno na flor 22


Muitas coisas

que existem na natureza,

funcionam como código,

como letras

que desejam

e esperam

ser decifradas.



Há um dicionário todo

na natureza

e em todos os seres criados.



Na raiz de todas as coisas,

está um personagem criador,

que se deixa revelar,

muito sutilmente,

por aqueles

que se aperfeiçoam

nesta ciência.



Através das coisas visíveis,

vamos indo,

percebendo as invisíveis.



O Espírito Santo

é aquele que nos ajuda

a penetrar e a ler

o sentido das coisas.



Você não vê

o sereno

caindo

e se instalando

na flor.



Mas você vê

o sereno na flor,

visitando,

embelezando,

iluminando,

dando brilho,

umedecendo,

fortalecendo,

realizando,

satisfazendo,

vivificando a flor.



Assim é:

você não vê

o Deus Criador,

o Deus Espírito Santo,

‘caindo’

e se instalando

nas pessoas.



Mas você vê

que todos os seres minerais,

vegetais,

animais

e pessoas humanas

foram visitadas por Deus

deixando-lhes,

oculto, escondido,

um dicionário,

um vocabulário,

uma mensagem,

e uma oficina

de possibilidades.



A graça do Deus Pai

é como o sereno

na flor

e nas plantas,

e nos matos

e nos espinhos,

e nas estradas,

na poeira,

no barro,

nos animais,

nas casas,

nos prédios,

pontes

e rios.



O sereno

não escolhe chão,

tipo de vegetação,

residência

ou caminhos.



O sereno cai,

visita

e está aí

sobre todos os seres.



O Deus

que é Pai,

que é Filho,

e que é Espírito Santo,

sobre tudo

e sobre todos,

derrama suas bençãos

e suas graças.

E sobre ti, também.



Alegra-te, pois,

agora.



E depois, para sempre.



Eneas Paulo Budel Bogucheski              

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O poeta e o escultor 21

Diz o Dicionário Aurélio que
 "Escultura é a arte
e a técnica de plasmar a matéria
entalhando a madeira,
modelando o barro,
cinzelando a pedra
ou o mármore,
fundindo o metal,
a fim de representar
em relevo,
ou em três dimensões,
estátuas, figuras,
formas abstratas, etc".

      Uma pedra bruta
tem a capacidade
de ser transformada
numa estátua,
pequena ou grande,
minúscula ou gigantesca.

Esta é a ambição do poeta:
A partir de um texto bruto,
tendo nas mãos apenas
 uma pedra desbotada,
transforma-la
numa obra de arte,
ou num gerador de energias.

E o que já é quase bom,
poderá ser enriquecido

O que importa,
no ofício e na arte da escultura,
é retirar o excesso
até aparecer
algo de valor e atraente
que existe na essência,
na alma do ser humano.

Então, nem que doa,
As rimas desejam
retirar o excesso,
com marteladas.

As lascas,
as sobras,
o excedente
tem que ser retiradas.

E a pedra
tem que ser ferida.

O excesso é defeito,
o que estiver sobrando
deve ser jogado fora.

O excesso deforma a escultura,
retirando tudo o que não é belo, 
bom e atraente.

Exclua tudo que está sobrando
e encobrindo a obra de arte
escondida na pedra bruta.

Chegará o tempo,
em que os escritor
e os seus auxiliares
serão promovidos
para poetas,
e escultores.

Vai acontecer
de a gente ter de colocar argamassa
ou cimento mole, 
carícias e carinho,
na pedra morta, insensível,
tapando algum defeito
provocado pelas marteladas.

A alma nobre
aceita correções,
sem lamentar.

Aceita sofrer
para aperfeiçoar
o que de bom já existe.

A poda é necessária,
para explodirem,
na próxima estação,
frutas melhores.

Eneas Paulo Budel Bogucheski


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O lado de dentro das coisas 20


O Profeta, o poeta 
é um ser comprometido 
com a verdade. 

Onde eles a veem ou a descobrem, 
sentem-se na obrigação 
de divulgá-la, 
de torná-la conhecida. 

Acredite nos poetas e nos profetas. 

Talvez eles estejam já lá mais na frente, 
ou lá mais acima, vendo mais claramente, 
sem influências de nevoeiros 
ou avalanches de mentiras. 

O que mais impressiona nestes personagens 
é o desespero de se fazer entender. 
Mas o que mais dói é a indiferença 
pelo esforço feito, 
não correspondido. 

O profeta e o poeta, 
pelo que são ou pelo que dizem, ou escrevem,
estão de mãos dadas, circundando todo o universo, 
visitando outros mundos, descobrindo novidades, 
trazendo para cá, boas notícias 
para apáticos e indiferentes. 

Os poetas provocam os mortos. 

Olhando apenas o lado de fora,
permanecemos com a compreensão parcial, 
pois estaremos vendo e analisando
somente um lado da realidade.

Não vemos o todo. 

Queremos conquistar uma nova ciência.
Uma ciência que nos possibilite 
olhar o interior, 
o lado de dentro das coisas,
o lado misterioso da vida
que ainda guarda segredos.

A visão
que o Heipo procura aprender
e vivenciar
supõe 
penetrar na interioridade
e na profundidade,
nas origens,
razões
e finalidades das coisas. 

Há o mundo visível
e há o mundo do invisível.

Convém 
conhecer também 
o lado de dentro das coisas. 

O que vemos e sabemos que existe, 
e o que não vemos também sabemos 
que existe.

Conhecer e visitar
o que lá dentro existe,
parece-nos ser tão importante
a ponto de fornecer elementos
mais completos
para a avaliação
e conceituação
da parte externa,
que aparece.

Nós, humanos,
estamos dotados
com a capacidade conhecida
com o nome de inteligência.

Inteligência é uma palavra
composta de duas raízes latinas: 
in que significa interior
e legere que significa ler.
Assim, inteligência
é a capacidade que temos
de ler por dentro,  
penetrar o interior do objeto.

Nós estamos acostumados
a ver e a avaliar
tudo o que cai sobre o nosso olhar.

Sobre o que não vemos,
nos aventuramos
ou nos arriscamos
quando falamos.

Existem atualmente muitas ciências
que estudam o exterior
para entender sobre o interior.

Por exemplo, os médicos,
através de estudos e pesquisas,
sabem muito sobre nossas doenças
quando analisam nossa face,
tomam nossa temperatura,
observam a pupila dos nossos olhos
e a cor da nossa pele.

Os psicólogos
avaliam nosso grau de estresse
pelas rugas da nossa face
ou pela agressividade
das nossas palavras.

Nossa maneira de ser,
nossa postura,
nossos atos,
às vezes,
falam mais claramente
de nós
do que nossas próprias palavras.

O poeta disse:
Pare de falar
e deixe que teus atos
falem de você”.

Há um universo
quase infinito
dentro das coisas
e, muitas vezes,
desconhecido.

O lado de dentro das coisas
é outro mundo
a ser pesquisado
e conhecido.

Não há pessoa
que tenha autoridade
para afirmar
que não há nada lá dentro
só porque não se vê.

O único obstáculo 
é a rapidez 
e a superficialidade.

Estes dois elementos modernos 
dificultam o cultivo da ciência 
do lado de dentro das coisas.

A cultura
na qual estamos envolvidos 
quase só ensina
a cultivar a aparência, 
isto é, só o que aparece, 
o que brilha 
e o que atrai. 

Pouca importância se dá 
aos poetas, artistas, 
filósofos e teólogos, 
que procuram teimosamente 
penetrar pelos caminhos,
lá de dentro,
desejando, cada vez mais,
a leitura substanciosa,
do interior das coisas.

Você já ficou maravilhado
diante da grandeza escondida
na pequenez de uma criança?

Quando escutou
o canto dos passarinhos,
percebeu que aquela melodia
vinha de dentro do pássaro?

Quando ouviu o ruído suave
dos pequenos riachos
e quedas de água,
percebeu que o riacho estava vivo,  
expressando-se?

Quando olhastes
para um entardecer colorido,
viste algum pintor escondido?

Quando percebestes
o barulho do vento nas árvores,
movimentando-as,
percebestes ali um elemento real
e invisível?

Quando o vento veio visitar-te,
balançando seus cabelos,
aceitaste sem medo,
as carícias deste fantasma?

Como é fácil ignorar
as belezas que nos envolvem.

Um beliscão na nossa sensibilidade
seria bem-vindo
para nos acordar
e percebermos
que estamos prejudicados.

Perdemos alguns elementos
da nossa personalidade
que inflacionaram
ou até arruinaram
nossa percepção.

O que é que existe em nós,
que reduz nosso potencial,
tampa nossos ouvidos,
bloqueia nossa sensibilidade,
entorpece nossos sensores
impedindo-nos de curtir 
as coisas boas
e belas da vida?

Por que alguns curtem tudo isso?
Por que outros não sentem nada?

Para muita gente,
o que há de bom,
de bonito,
harmonioso e suave
nesta natureza toda,
funciona como despertador
e acorda nossas potencialidades
de admiração, raciocínio e curtição,
e até nos leva mais adiante.

O que há na raiz
de todas as coisas? 

O que há por dentro
de cada elemento,
de cada pessoa,
de cada realidade,
seja visível
ou invisível?

Talvez exista ali
uma mensagem a ser decifrada,
talvez um mapa de um tesouro,
talvez um fórmula de um remédio,
talvez algo
de que estamos precisando
e esteja no nosso nariz
e não 'vemos'.   

Quando fizermos
para nós mesmos,
estas perguntas,
as respostas
começarão a aparecer. 

As respostas
não estão sempre prontas. 

Quando nos colocamos
em posição de alerta
e acionamos
nossas próprias potencialidades internas,
aí, vamos entrando
e penetrando além das aparências,
para além dos rostos humanos,
e descobrimos a dignidade,
a fonte do valor. 

Aí, mais em frente,
vamos para além
para além das fronteiras,
das fronteiras da pele,
e descobrimos o sangue quente
a vivificar as criaturas humanas,
e também os animais.

E aí vamos mais fundo
perguntando-nos
pelo espírito que anima
e que dá vida
à nossa massa corporal.

Que coisa é isso?

Agora começa ficar difícil
a fala e as letras. 

Do que é que estamos falando
e escrevendo agora? 

Estamos tentando
nos entreter com o espírito. 

Como deixar de se perguntar
pelas expressões da vida? 

Como não perceber
um espírito por trás
dos movimentos?

Como não entendemos ainda
a física dos ventos? 

Como não entender
a seiva que caminha
pelas raízes,
e circula no interior dos troncos
até a ponta dos galhos,
até as folhas,
frutos e sementes,
trazendo vida e alimento?

Há vida, movimento, energia
dentro das coisas.

Algum tipo de ferramenta 
foi acoplado
dentro de nós, 
que permite-nos
ver além de qualquer paisagem
além de qualquer fronteira,
além da fisionomia.

Estamos ajustando nossa vista
para além dos horizontes da compreensão, 
além das fronteiras do racional,
além do normal e aceitável. 

Teremos de exigir o uso do binóculo,
que aproxima virtualmente
os objetos focados?

O que viria a ser este binóculo?

Sim, já somos capazes.
Somos capazes de enxergar
a mensagem que o mundo carrega.

Cada coisa é um Sacramento,
um sinal ou um código a ser decifrado.

No efêmero que passa,
podemos perceber
o eterno que não passa.

Não é o tempo que voa;
voamos nós
e o tempo fica.

No tempo,
conseguimos ler a mensagem
daquilo que é eterno.

Na bondade humana,
nas criaturas todas,
lemos nas entrelinhas
o Criador de todas as coisas.

Tudo o que está ao nosso dispor,
tanto na natureza
como na nossa própria natureza humana, 
nossas capacidades
e talentos,
são ferramentas disponibilizadas
pelo nosso Pai dos céus,
nosso Criador.

O mundo todo,
a natureza imensa e profunda,
funciona como um vidro transparente
no qual conseguimos
ler dentro das coisas,
sinais, literatura, romance
e a paixão de um Pai
que ama seus filhos
e lhes entrega um jardim
para ser cultivado.

Lá dentro do dentro tem coisa ...

Muitos livros do escritor Leonardo Boff e do Frei Carlos Mesters ensinam esta ciência. Muitas reflexões contidas neste texto tiveram neles a fonte da inspiração.


Eneas Paulo Budel Bogucheski  
eneaspb@gmail.com