Diz o
Dicionário Aurélio que
"Escultura é a arte
e a
técnica de plasmar a matéria
entalhando
a madeira,
modelando
o barro,
cinzelando
a pedra
ou o
mármore,
fundindo
o metal,
a fim de
representar
em
relevo,
ou em
três dimensões,
estátuas,
figuras,
formas
abstratas, etc".
Uma pedra bruta
tem a
capacidade
de ser
transformada
numa
estátua,
pequena
ou grande,
minúscula
ou gigantesca.
Esta é a
ambição do poeta:
A partir
de um texto bruto,
tendo nas
mãos apenas
uma pedra desbotada,
transforma-la
numa obra
de arte,
ou num
gerador de energias.
E o que já é quase bom,
poderá ser enriquecido
O que
importa,
no ofício
e na arte da escultura,
é retirar
o excesso
até
aparecer
algo de
valor e atraente
que
existe na essência,
na alma
do ser humano.
Então,
nem que doa,
As rimas
desejam
retirar o
excesso,
com
marteladas.
As
lascas,
as sobras,
o excedente
tem que
ser retiradas.
E a pedra
tem que
ser ferida.
O excesso
é defeito,
o que
estiver sobrando
deve ser
jogado fora.
O excesso
deforma a escultura,
retirando
tudo o que não é belo,
bom e atraente.
Exclua
tudo que está sobrando
e
encobrindo a obra de arte
escondida
na pedra bruta.
Chegará o
tempo,
em que os
escritor
e os seus
auxiliares
serão
promovidos
para
poetas,
e
escultores.
Vai
acontecer
de a
gente ter de colocar argamassa
ou
cimento mole,
carícias e carinho,
na pedra morta, insensível,
tapando
algum defeito
provocado
pelas marteladas.
A alma
nobre
aceita correções,
sem
lamentar.
Aceita sofrer
para
aperfeiçoar
o que de
bom já existe.
A poda é
necessária,
para explodirem,
na próxima
estação,
frutas melhores.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
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