terça-feira, 18 de agosto de 2015

O poeta e o escultor 21

Diz o Dicionário Aurélio que
 "Escultura é a arte
e a técnica de plasmar a matéria
entalhando a madeira,
modelando o barro,
cinzelando a pedra
ou o mármore,
fundindo o metal,
a fim de representar
em relevo,
ou em três dimensões,
estátuas, figuras,
formas abstratas, etc".

      Uma pedra bruta
tem a capacidade
de ser transformada
numa estátua,
pequena ou grande,
minúscula ou gigantesca.

Esta é a ambição do poeta:
A partir de um texto bruto,
tendo nas mãos apenas
 uma pedra desbotada,
transforma-la
numa obra de arte,
ou num gerador de energias.

E o que já é quase bom,
poderá ser enriquecido

O que importa,
no ofício e na arte da escultura,
é retirar o excesso
até aparecer
algo de valor e atraente
que existe na essência,
na alma do ser humano.

Então, nem que doa,
As rimas desejam
retirar o excesso,
com marteladas.

As lascas,
as sobras,
o excedente
tem que ser retiradas.

E a pedra
tem que ser ferida.

O excesso é defeito,
o que estiver sobrando
deve ser jogado fora.

O excesso deforma a escultura,
retirando tudo o que não é belo, 
bom e atraente.

Exclua tudo que está sobrando
e encobrindo a obra de arte
escondida na pedra bruta.

Chegará o tempo,
em que os escritor
e os seus auxiliares
serão promovidos
para poetas,
e escultores.

Vai acontecer
de a gente ter de colocar argamassa
ou cimento mole, 
carícias e carinho,
na pedra morta, insensível,
tapando algum defeito
provocado pelas marteladas.

A alma nobre
aceita correções,
sem lamentar.

Aceita sofrer
para aperfeiçoar
o que de bom já existe.

A poda é necessária,
para explodirem,
na próxima estação,
frutas melhores.

Eneas Paulo Budel Bogucheski


Nenhum comentário:

Postar um comentário