domingo, 16 de agosto de 2015

Quero de volta minha alma 17

Mil encruzilhadas abertas convidam-nos.

Sabemos que ainda não chegamos ao destino final.

Não nos deixem no meio da estrada.
Uma estrada certa deve haver.
Nesta estrada 
queremos colocar 
nossos passos.

Se o caminho não é mais pelo chão da terra,
 há os rios e mares, o ar e a intuição.
Há o mundo do invisível, maior.

Não aportaremos o barco
em nenhum lugar
sem antes definirmos
a rota para o porto final.

E não deixaremos 
nosso barco 
sem leme.

Uma rota, um norte ou um sul,
para algum lugar devemos nos dirigir,
e tentar chegar 
e aportar 
no horizonte prometido.

Já sabemos onde não está.

 Onde está, logo logo saberemos.

O vento está favorável.
Icemos as velas.
Coloquemos as mãos 
no leme do barco.

Socorramo-nos a nós mesmos.

Percebam: estamos vivendo neste mundo.
Estamos permitindo que mintam para nós.
Aceitamos a mentira, a falsidade, a hipocrisia,
e máscaras, como moda e veneno letal.

E não reagimos.

A caridade anda desatualizada.

A injustiça anda solta.

A consciência não dói mais.

Não vemos mais manifestações da alma.

É por estas razões que estamos desacreditados dela.

Sentimos como se estivéssemos sem alma.

Sim, sentimos falta de uma alma, 
da nossa própria alma.

Está faltando alma.

Ardem nossos olhos.

A fumaça não deixa ver claro,
os valores componentes da alma.

Pedimos socorro.

Ninguém demonstra incômodo
e preocupação por esta falta.

Faltam profetas
que ensinem a suportar e a resistir.

Faltam profetas
que ensinem a protestar, 
a denunciar e a destituir.

Que nasçam novos profetas,
com ousadia, destemor e coragem,
para que nos despertem desta atrofia.

Que outros João Batista nos avisem
e nos mantenham acordados.

Ha muito tempo estamos acomodados.
Parece que perdemos a alma.

Já estamos num estágio de insensibilidade
tão avançado que nos percebemos anestesiados,
atrofiados, insensíveis e até cegos.

Não enxergamos e nem cremos mais
no que há dentro das coisas.

A causa final 
não interessa mais para muita gente,
sintoma da morte da alma.

O presente se tornou a alma do tempo.

O tempo presente nos deixa sem tempo.

E a alma é necessária 
para perceber que a alma faz falta.

Quem nos livrará deste tempo sem alma?

Novos profetas precisam surgir
e fazer ressuscitar a alma da alma.

É uma situação dramática sentir-se sem alma.

Mas para quê alma, 
para um futuro sem alma?

Mas é para lá que vamos, para o futuro.

Mas como iremos, sem alma?

Sem alma, estaremos sem GPS e sem oxigênio.

Porque ninguém nota que estamos morrendo?

Talvez porque
mortos não ficam sensibilizados
diante de outros mortos.

Olhamos em volta
e ninguém se importa 
com esta derrota.

Não havendo alma,
não se busca ideais imorredouros.

Como faz falta a alma.
Sem alma não há vida,
não há curiosidade.

Sem alma não nascem ideais.

Sem alma 
o entusiasmo não tem forças 
nem brilho.

Faltando a alma,
a esperança muda de lugar 
com o desespero.

Sem a alma,
a alegria foge para muito longe,
e vem a tristeza 
azucrinar.

Sem alma
as canções 
se transformam 
em lamentações.

Sem alma,
tudo fica triste, 
sem colorido, 
sem futuro.

Sem alma,
não precisará 
que exista o céu.

Quem alisará a superfície dos nossos olhos
para que voltem a brilhar?

Quem massageará nossos lábios
para que voltem a sorrir?

Quem abrirá as portas da esperança,
para que a alegria volte?

Não estamos todos no mesmo barco?

Já sem alma,
da alma não percebemos 
nenhuma importância.

Insensíveis, 
anestesiados 
e alienados, 
eis como estamos.

Mas que o efeito deste veneno
não seja feito 
para nos prejudicar 
para sempre.

Tem que haver antídoto.
Deve haver remédio.

Quanto custa perder uma alma?

Custa tudo. Tudo mesmo.

Em qual espelho 
devemos refletir-nos
para percebermos 
a falta que a alma nos faz?

De tanto sem ela viver,
da alma nem sabemos mais o que dizer.

Qual é o endereço da fonte que vivifica?

Em qual mercado compramos alma nova?

No ‘achados e perdidos’ 
não existe nenhuma na prateleira.

Nem no estoque, nem na fábrica.

Por encomenda também não se faz.

Para muita gente, 
a alma não é mercadoria da moda,
nem de primeira necessidade.

Invertemos as necessidades.

Criamos necessidades substitutivas
 para a alma.
Mas que decepção: 
não é um produto de primeira qualidade.

Trazem efeitos colaterais, 
provocando uma doença nova:
amnésia do futuro.

Quem alisará a superfície dos nossos olhos
para que voltem a brilhar?

Quem massageará nossos lábios
para que voltem a sorrir?

Quem abrirá as portas da esperança,
para que a alegria volte?

Mas onde está a nossa alma?
Onde está a alma do mundo?

Quando olhamos para o céu,
as estrelas não nos comovem mais.

Nenhuma estrela temos como guia.

Não há mais estrela orientadora.

Tudo falta quando falta a alma.

Como é a alma?

Será que a alma é uma semente?

Uma semente que está guardada ou presa?

Escondida ou atrofiada,
ou trancada, 
querendo manifesta-se e explodir?

Qual é o jeito ou o tipão da alma?

Qual é o tipo de semente 
que gera a alma?

Uma semente com formas estranhas
ou uma forma invisível?

A alma não está na casca.

A alma é a energia 
que está dentro da semente.

A alma é a energia da vida.

A alma vivifica a vida.

Motiva e dá brilho ao viver.

A alma é a fonte
onde saciamos 
nosso ser 
sedento de plenitude.

A alma é a resposta
da verdade 
sobre nosso próprio ser.

 A alma o alimento
do que de eterno 
existe em cada um de nós.

Á alma é a raiz,
 é o coração emotivo da existência,
da esperança,
que persiste no nosso ser.

É o leme do nosso barquinho.

Um mundo sem alma
não se entende e nem há porque existir.

Antes que o futuro chegue,
um profeta deve nascer
e profetizar 
que o futuro 
está ainda ausente
mas que vem vindo,
de mansinho,
trazendo esperanças 
da alma reviver.

Estamos errados, pensando assim?

Ajudemo-nos uns aos outros
a abrir melhor nossos olhos
para ver valores maiores
que satisfaçam 
nosso pobre e indefeso ser,
que não sabe 
sem alma viver.

Limpem esta lama e este limo
que cobrem nosso rosto e nossos olhos.

Retirem dos nossos tímpanos cansados
o tampão que não permite ouvir o som do sino
que quer despertar a alma adormecida.

A experiência de ter alma
é algo 
como respirar 
ar celestial.

É desconhecida, porque invisível.

O invisível, porque não se vê,
por acaso não existe?

A experiência da alma
é algo 
como um andar 
e voar 
sem ter asas.

A experiência de ter alma
é algo imaterial, intuitivo, 
misterioso, profundo.

Não está na rotina. 
Não aparece na superfície.

É como 
sentir o efeito 
de uma luz suave,
a tocar nossa pele.

É algo como 
escutar o barulho do silencio.

É como estar lá, 
junto das estrelas.

É como 
um vazio imenso
cheio de paz 
e energias boas.

É algo indescritível.

É algo inaudível.

É um nada 
e é um tudo.
É um vazio 
cheio de expectativas.
É um sair 
deste mundo, 
sem sair.

É um estado
de quem está dentro do bem,
do bom, do completo.

É a experiência 
de unidade e harmonia
com o universo todo.

É como 
a festa da família,
todos juntos, 
alegres e plenamente contentes.

É como um filho 
que se sente seguro,
no colo, amado e assistido
pela presença amorosa
do papai e da mamãe.

Acho que é ali, 
na alma,
que mora 
o Heipo 
de cada ser humano.

Eneas Paulo Budel Bogucheski      
Atualizado em 15/08/2015

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