A poesia não nasce sozinha
Não faz história,
não encanta,
se não há você
que dá vida
à poesia.
A poesia nasce de um texto tijolo.
Olhamos o texto bruto, como um pedaço de barro,
natural como uma pedra morta.
Algo dentro de nós
deseja melhorar,
aperfeiçoar,
dar vida
ao barro,
fazer o barro e a pedra falar
e cantar e encantar.
Do tijolão, perdendo lascas
pode aparecer uma forma,
como as nuvens gostam de brincar,
pintando nos céus, figuras estranhas
ou familiares.
Do texto denso
recebendo ajustes,
linhas, curvas,
harmonia,
nascem sintonias finas,
canções de alegrar.
Da pedra morta, do mármore sem vida
O escultor faz nascer uma estátua,
quase a falar, ‘vem comigo dialogar’.
A poesia quer despertar do morto
O coração bruto, sem vida,
A viver e vibrar,
A poesia convida você
com ela dialogar.
Cada poesia é um encontro
com o que de melhor
existe em cada um de nós.
Quando nos encontramos,
há uma expectativa a ser atendida.
Todo encontro,
entre eu e você,
é para ser transformado
em algo extraordinário:
numa canção ou numa poesia.
Cada um de nós é para o outro,
um convite a um diálogo.
Você aceita dialogar comigo?
Quero dialogar contigo.
Eu estou indo até você.
Você ainda não está vindo até aqui.
Então tomo a iniciativa.
Estou fazendo-te um pedido.
Dê-me a oportunidade para um encontro.
Eu sei que vai ser bom para nós dois.
Enquanto estou indo,
só estou indo.
Se você não vier,
não haverá encontro.
Estou pedindo,
desarmado.
Você não está respondendo,
portanto
está armado(a).
Talvez bloqueado(a)
por algum
preconceito, sei lá?
Você é orgulhoso (a)?
Do que?
Tuas resistências,
teus ‘nãos’ são
atitude de defesa.
Não haverá violência:
não é da minha natureza.
Não quer se expor?
Havendo encontro,
haverá exposição,
intercâmbio de amor.
Nos encontros você percebe o quanto me
exponho.
Não me importo em expor-me,
pois não estou apegado a nada
do que
tenho e sou.
Então, te peço,
criemos, nós dois,
o clima para o encontro.
Pedir revela um clima o
u um estado de
espírito
de quem não é orgulhoso.
O orgulho bloqueia,
trunca e tranca o
intercâmbio
de riquezas gratuitas.
De novo te peço,
estou pedindo,
já meio cansado,
sentado,
faminto como mendigo,
desejando o diálogo
como alimento.
Quero contigo dialogar.
Esse encontro,
poderá ser benéfico para nós
dois.
Tenho certeza
de que não seremos
inimigos
nem criaremos hostilidades
para cultivarmos.
Abrir-se pode deixar escapar tensões,
sair frustrações, entrar remédios,
renovar o ar dos pulmões, rejuvenescer.
Desejamos conversar, no mesmo nível,
frente a frente, sem considerar distâncias,
línguas ou nações, gêneros ou
espécies.
Desejamos conversar, desarmados,
ninguém julgando ninguém,
apenas aceitando, abertos,
intercâmbios de culturas,
pensamentos, filosofias de vida,
teologia de vida ...
Há tanto a intercambiar.
Nós dois buscando a verdade,
apenas a verdade,
nada mais.
A partir do sim,
do concordar nas expressões faladas,
com ou sem gestos faciais ou manuais,
permitir o abraço dos nossos corações.
Diálogo acontece a dois.
Se não houver diálogo,
ficarei apenas
com meu companheiro
Monólogo,
sem respostas,
sem eco,
sem ressonâncias.
Dialogando
preencheremos espaços vazios,
afastaremos preconceitos,
extinguiremos distancias,
eliminares as barreiras
e desprezaremos fronteiras.
Dialogando,
aproximaremos mais e mais
até que a intimidade chegue
e fique
muda,
apenas presente,
aconchegante,
compreensiva
e acolhedora.
Se você aparecer para comigo dialogo,
entrelaçaremos nossos
corações,
fundiremos nossos espíritos e,
depois, sem pátria,
dançaremos
nos espaços siderais.
Então nosso encontro será único,
referência,
fonte de inesgotável saudade.
Vem, vem dialogar comigo.
Estou te esperando.
Nós dois sairemos ganhando.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
10/08/2015
eneaspb@gmail.com
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