Estamos na vida.
Olhamos em volta.
Vemos todo mundo agitado,
correndo, trabalhando, divertindo-se.
Qual é a questão mais fundamental da vida?
É uma ou são múltiplas questões?
Depende do que consideramos importante
para nossa vida.
A filosofia, a poesia e as literaturas todas,
novelas, filmes e livros
plantam sonhos em cada um de nós.
Como corresponder
a todas estas expectativas?
Estamos certos em nos preocuparmos com estas questões?
Ou será que nós nos deixamos induzir
ou seduzir por uma
literatura gostosa,
mas sem nenhum
fundamento?
Sem perspectivas para
o futuro.
Somos conscientes destas expectativas todas,
que povoam nossa racionalidade
e nossa imaginação?
Por quê, então,
não tomamos as devidas decisões
em direção ao que convém fazermos?
Somos seres autênticos
ou somos seres humanos manipuláveis?
Sou dono do meu próprio nariz?
Ou tem gente que tem poder sobre o meu nariz?
Alguém tem interesse em manipular-me?
Quem é responsável pelo meu próprio destino?
Por coerência vital devo conduzir-me
para ser aquele que fui destinado a ser.
Nos caminhos por onde andamos,
vivemos uns ao lado dos outros.
E neste grande espaço onde nos movemos,
corremos, andamos, nos divertimos
e também trabalhamos,
estão outros humanos como nós.
Todos nós temos nossas responsabilidade,
nossas tarefas, nossos serviços, que,
nos preocupam e nos ocupam.
Grande parte do tempo
vivemos fechados dentro
dos nossos próprios interesses.
Quase não prestamos atenção ao ambiente
e nas pessoas que estão na nossa volta.
Parece que estamos dentro
de uma grande nave espacial,
com um piloto automático.
Não ouvimos nenhum aviso,
nenhuma orientação, nenhuma advertência.
E acontece de às vezes
nos assustarmos com toda esta
situação.
Basta olhar um pouco mais atentamente
e perceberemos que sempre há alguém ao nosso lado
passando ou vivendo mais ou menos esta mesma situação.
É que nós pensamos que somos maiores,
somos grandes e não precisamos mais de ajuda.
Até esquecemos ou desaprendemos
a arte de ajudar os
outros.
Existem muitas formas
de ser grande:
Na altura física,
na fama,
nas posses,
nas festas,
na profissão,
na comunicação,
na sabedoria,
no silencio,
na coragem,
na força de vontade,
no domínio de si
mesmo e
na determinação do
caminho a seguir.
Ocorrem também muitas
vezes
durante nossa vida
frente aos nossos irmãos,
o experimentar dos
nossos limites,
impotências,
fraquezas, covardia.
Somos grandes e nos
sentimos pequenos diante da dor.
Somos grandes e nos
sentimos pequenos diante da morte.
Somos grandes e nos
sentimos pequenos e impotentes
diante de tanta
necessidade que vemos na TV,
lemos nos jornais,
nas revistas,
e vemos por onde
andamos,
no centro e nos
bairros das nossas cidades.
O ser humano tem que
ser antes,
aluno da vida,
ensinado pelo sofrimento,
pela penúria, pela
fome, pela ansiedade,
pela opressão, pelas
cruzes e espinhos da vida
para aprender a ser
resposta para os outros.
Tem que sofrer para
saber o que é o sofrimento dos outros.
Não sentiremos
nenhuma sensibilidade diante da fraqueza,
dos vícios dos outros
nossos irmãos, dos sofrimentos dos nossos iguais, das carências de cada ser humano,
se cada um de nós não
passar por estas cruzes e carências.
Não adianta fazer
poesias e rimas diante das pessoas que sofrem.
Não adianta recitar
receitas culinárias para quem passa fome.
Não adianta
distribuir revistas de casas e jardins
para quem não tem
salário, chão e proteção.
Não adianta
distribuir revista Caras para os pobres.
Onde está nossa
força, nossa coragem, nossa grandeza?
Mostramos nossa
força,
nos atos de
solidariedade.
São os sofredores que
acolhem os sofridos.
Diante dos fracos,
nos enfraquecemos;
Diante dos filhos dos
outros, queremos nos fazer pais e mães.
Diante dos
desempregados, nos sentimos dentro dos seus limites.
Diante dos mais pobres,
percebemos que temos
com que ajudar.
Diante dos
derrotados, nos sentimos arrasados;
Diante dos
desanimados, não sabemos como ajudar;
diante dos órfãos
erguemos as mãos para os céus;
e diante dos
oprimidos, gritamos por justiça.
Em frente à
injustiça, não dá para não se revoltar.
Aí soltamos o animal
que está dentro de nós.
E, de novo, nos
sentimos impotentes,
como animais, pré-humanos.
Em frente dos velhos
pais
não sabemos como atualizá-los.
No meio deste mundo
em que estamos,
estamos todos atolados.
E não há outra saída,
a não ser, através
das nossas próprias mãos
e ações de irmãos.
Não há outra forma de
realizar-se
como humano nesta terra.
Cada ser humano
só
existe em função do outro,
neste chão,
plataforma de acesso ao céu.
Por isso, tenho que
ser um médico
se você está doente.
Tenho que ser um pai
se você está carente.
Preciso ser um
sacerdote
se você precisa de conselho e perdão.
Preciso ser um
companheiro
se você quer ter um amigo caminheiro.
Tenho que ser um diplomata
elogiador
se você precisa de um
reconhecimento
pelo teu suor;
Nem que disso tudo
você não precise.
É da minha própria
constituição humana,
ser e agir como se
disso dependesse o teu viver.
Preciso ser para você
aquele
que você está precisando.
Tenho que ser uma
resposta
à sua expectativa.
Se assim não for,
minha presença para você
será apenas, desnecessária,
superficial e rotineira.
Não haveria tempero,
nem fermento, nem luz,
nem entusiasmo,
paixão e amor,
nem sabor no meu modo
de ser cristão,
se assim não fosse.
É o egoísmo, nosso
único inimigo,
e a única fonte do
pecado
que não permite aos
nossos irmãos
expressarem-se como
filhos do Deus Pai dos céus.
O maior, o grande,
é
aquele que serve.
Que serve como uma
resposta
às necessidades dos outros.
O ser humano alcança
a sua promoção de pessoa,
quando encontra
o sentido da
vida.
E o sentido da vida
aparece e acontece
quando cada um
descobre-se
como um ser feito para o outro.
Não suportamos
tratamentos desiguais,
pois a natureza e o
universo grita
que somos todos iguais.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
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