sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Superando expectativas 16

                          Estamos na vida.

Olhamos em volta.

Vemos todo mundo agitado,

correndo, trabalhando, divertindo-se.


Qual é a questão mais fundamental da vida?

É uma ou são múltiplas questões?

Depende do que consideramos importante 

para nossa vida.


A filosofia, a poesia e as literaturas todas,

novelas, filmes e livros 

plantam sonhos em cada um de nós.

 

Como corresponder 

a todas estas expectativas?

 

Estamos certos em nos preocuparmos com estas questões?

 

Ou será que nós nos deixamos induzir

ou seduzir por uma literatura gostosa,
mas sem nenhum fundamento?

Sem perspectivas para o futuro.

Somos conscientes destas expectativas todas,

que povoam nossa racionalidade 

e nossa imaginação?

 

Por quê, então, 

não tomamos as devidas decisões

em direção ao que convém fazermos?

 

Somos seres autênticos

ou somos seres humanos manipuláveis?

 

Sou dono do meu próprio nariz?

Ou tem gente que tem poder sobre o meu nariz?

Alguém tem interesse em manipular-me?

Quem é responsável pelo meu próprio destino?


Por coerência vital devo conduzir-me

para ser aquele que fui destinado a ser.


Nos caminhos por onde andamos,

vivemos uns ao lado dos outros.

E neste grande espaço onde nos movemos,

corremos, andamos, nos divertimos

e também trabalhamos,

estão outros humanos como nós.

 

Todos nós temos nossas responsabilidade,

nossas tarefas, nossos serviços, que,

nos preocupam e nos ocupam.

Grande parte do tempo

vivemos fechados dentro 

dos nossos próprios interesses.

Quase não prestamos atenção ao ambiente

e nas pessoas que estão na nossa volta.

Parece que estamos dentro 

de uma grande nave espacial,

com um piloto automático.

Não ouvimos nenhum aviso,

nenhuma orientação, nenhuma  advertência.

E acontece de às vezes 

nos assustarmos com toda esta situação.

Basta olhar um pouco mais atentamente

e perceberemos que sempre há alguém ao nosso lado

passando ou vivendo mais ou menos esta mesma situação.

É que nós pensamos que somos maiores,

somos grandes e não precisamos mais de ajuda.

Até esquecemos ou desaprendemos 

a arte de ajudar os outros.


Existem muitas formas de ser grande:
Na altura física,
na fama,
nas posses,
nas festas,
na profissão,
na comunicação,
na sabedoria,
no silencio,
na coragem,
na força de vontade,
no domínio de si mesmo e
na determinação do caminho a seguir.

Ocorrem também muitas vezes
durante nossa vida frente aos nossos irmãos,
o experimentar dos nossos limites,
impotências, fraquezas, covardia.
Somos grandes e nos sentimos pequenos diante da dor.
Somos grandes e nos sentimos pequenos diante da morte.
Somos grandes e nos sentimos pequenos e impotentes
diante de tanta necessidade que vemos na TV,
lemos nos jornais, nas revistas,
e vemos por onde andamos,
no centro e nos bairros das nossas cidades.

O ser humano tem que ser antes,
aluno da vida, ensinado pelo sofrimento,
pela penúria, pela fome, pela ansiedade,
pela opressão, pelas cruzes e espinhos da vida
para aprender a ser resposta para os outros.
Tem que sofrer para saber o que é o sofrimento dos outros.
Não sentiremos nenhuma sensibilidade diante da fraqueza,
dos vícios dos outros nossos irmãos, dos sofrimentos dos nossos iguais,  das carências de cada ser humano,
se cada um de nós não passar por estas cruzes e carências.
Não adianta fazer poesias e rimas diante das pessoas que sofrem.
Não adianta recitar receitas culinárias para quem passa fome.
Não adianta distribuir revistas de casas e jardins
para quem não tem salário, chão e proteção.
Não adianta distribuir revista Caras para os pobres.

Onde está nossa força, nossa coragem, nossa grandeza?
Mostramos nossa força,
nos atos de solidariedade.

São os sofredores que acolhem os sofridos.

Diante dos fracos, nos enfraquecemos;
Diante dos filhos dos outros, queremos nos fazer pais e mães.
Diante dos desempregados, nos sentimos dentro dos seus limites.  
Diante dos mais pobres,
percebemos que temos com que ajudar.
Diante dos derrotados, nos sentimos arrasados;
Diante dos desanimados, não sabemos como ajudar;
diante dos órfãos erguemos as mãos para os céus;
e diante dos oprimidos, gritamos por justiça.

Em frente à injustiça, não dá para não se revoltar.
Aí soltamos o animal que está dentro de nós.
E, de novo, nos sentimos impotentes, 
como animais, pré-humanos.
Em frente dos velhos pais 
não sabemos como atualizá-los.
No meio deste mundo em que estamos, 
estamos todos atolados.
E não há outra saída,
a não ser, através das nossas próprias mãos 
e ações de irmãos.

Não há outra forma de realizar-se 
como humano nesta terra.
Cada ser humano 
só existe em função do outro,
neste chão, 
plataforma de acesso ao céu.

Por isso, tenho que ser um médico 
se você está doente.
Tenho que ser um pai 
se você está carente.
Preciso ser um sacerdote 
se você precisa de conselho e perdão.

Preciso ser um companheiro 
se você quer ter um amigo caminheiro. 
Tenho que ser um diplomata elogiador
se você precisa de um reconhecimento 
pelo teu suor;

Nem que disso tudo você não precise.
É da minha própria constituição humana,
ser e agir como se disso dependesse o teu viver.

Preciso ser para você aquele 
que você está precisando.
Tenho que ser uma resposta 
à sua expectativa.
Se assim não for, 
minha presença para você
será  apenas, desnecessária,  
superficial e rotineira.

Não haveria tempero, 
nem  fermento, nem luz,
nem entusiasmo, paixão e amor,
nem sabor no meu modo de ser cristão, 
se assim não fosse.

É o egoísmo, nosso único inimigo,
e a única fonte do pecado
que não permite aos nossos irmãos
expressarem-se como filhos do Deus Pai dos céus.

O maior, o grande, 
é aquele que serve.
Que serve como uma resposta 
às necessidades dos outros.


O ser humano alcança a sua promoção de pessoa, 
quando encontra 
o sentido da vida.

E o sentido da vida 
aparece e acontece
quando cada um descobre-se 
como um ser feito para o outro.

Não suportamos tratamentos desiguais,

pois a natureza e o universo grita 
que somos todos iguais.

Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com 

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