domingo, 16 de agosto de 2015

O poeta e o profeta em posição de alerta 18

Sou um sofredor, quando vejo igrejas vazias.

Sofro porque vejo a religião, os pastores, sacerdotes e religiosos esvaziarem o conteúdo todo do Cristianismo. 

Os profetas, o Jesus Cristo, depois os Apóstolos, em nome do Deus Criador, revelaram conteúdos que enriqueceram os pobres, de promessas e de esperanças. 

Tesouros em vasos de barro. 

Hoje, vejo os comunicadores, pregadores, pastores, sacerdotes e religiosos com dificuldades para comunicar os insondáveis tesouros do Cristianismo.

Se ha uma geração que já está anestesiada pela fala infrutífera, talvez a teologia acoplada à poesia possa cativar os jovens desta e das próximas gerações, e atraí-los para o céu. 

Vejo a urgente necessidade de inserir a teologia na linguagem e nos recursos da poesia, assim como as Igrejas tem usado a música como meio mais eficiente que as Homilias. 

                                 Inspirado no que escreveu Ralph Waldo Emerson:

 "Para os poetas, os filósofos, os santos, tudo é fraterno e sagrado. Todos os acontecimentos são úteis, todos os dias são santos, todos os homens são divinos".

Depois de pensar nestas palavras, escrevi o que abaixo você vai ler: 

A arte, a música, a poesia
podem ser, expressar e comunicar
os  mistérios   mais   ricos   e   profundos.

Até acho que a arte, a música e a poesia
foram  criadas  pelo  Criador, para,  mais fácil
falar  e  trazer  ate  aqui, o  próprio  Transcendente. 

        O profeta tem a função de alertar, 

avisar, 
fazer ver a situação 
em que um povo 
ou uma nação inteira 
está envolvida.


O profeta está alerta, percebendo 
como quem está fora da bolha de ar 
em que a nação toda está absorvida. 


A nação está anestesiada, 

acomodada, atrofiada ou indiferente. 
O indivíduo humano 
que está dentro da geografia da nação 
está na mesma situação. 



A rotina tem poder de anestesiar. 



A literatura tem o poder de alienar. 



A palavra lida, as imagens, 

as avalanches de comunicação 
atrofiam a capacidade de raciocinar. 

Tudo que fica na superfície 
mostra apenas uma pequena parte. 

A própria palavra lida, escutada 
e transmitida pode estar morta 
se não houver o espírito nela, 
que a vivifica. 



A letra, se não mata, 

pode invalidar 
o conteúdo. 



Nós humanos, 

estamos sujeitos 
à superficialidade. 



Esta atitude 

tem a tendência a afastar-nos 
do aprofundamento, 
o nível em que percebemos 
o verdadeiro sentido 
das realidades. 



A permanência 

só na superfície visível 

funciona como anestésico 
que provoca um efeito colateral 
prejudicando a nossa dignidade 
e permitimos a nos mesmos,
 a manutenção 
de escravos 
aos convites 
e atrações da superfície. 

Falamos como Profeta. 



Profeta que alerta, 

que desacomoda, 
que mostra 
o que precisa ser mostrado. 



Revela o que está oculto 

aos olhos confusos; 
olhos ofuscados 
pela névoa envolvente, 
névoa da ganância, 
névoa do egoísmo, 
névoa do imediatismo. 



Não pensar, 

não analisar, 
não escolher 
entre várias alternativas 
é um sintoma de falência 
de alguns órgãos. 

Estamos todos olhando 
e avaliando 
como quem está dentro do mundo, 
olhando horizontalmente, 
sem nenhuma profundidade 
e abertura para o vertical, 
acima ou além das aparências.

O que aparenta 
nem sempre 
é a verdade 
esperada 
e procurada.

O profeta quer propor 
que o olhar seja lá de cima, 
como quem está vendo o planeta terra, 
lá das estrelas, 
e os humanos, 
não como formiguinhas, 
ou ovelhinhas, 
cá embaixo, 
dirigindo-se para lugares 
onde não encontramos mais,
 os nutrientes vitais, 
permanentes.

Estamos acostumados a ver 
só com os olhos. 



Os olhos são componentes 

de visão orgânica, material, 
e por isso só enxerga 
o que é visível 
e material.

Olhamos 
só o que aparece. 



Olhamos só as aparências, 

a parte externa.  



Os olhos só enxergam o material, 

os limites, as fronteiras... 
e isso acaba criando em nós 
uma consciência 
ou uma mentalidade mundana, 
isto é, do mundo, 
ou seja, só do mundo material 
e deste pequeno planeta Terra, 
um pontinho de caneta 
no infinito caderno 
do Pai Educador. 

Mas existem dois mundos: 
o mundo visível 
e o mundo invisível. 



Olha aí o vento, invisível, 

brincando com os teus cabelos.

Nós sabemos 
que existem 
dois mundos. 



Mas cultivamos preferencialmente 

o mundo que vemos.

Tudo o que é visível 
já é objeto das ciências exatas. 
Aqui temos certezas e convicções.

Mas existem outras ciências. 
Existe todo um mundo invisível, 
imaterial e espiritual 
que também podem 
ser objeto de estudos 
e de ciências.

Há um mundo infinito 
a ser explorado por nós. 
Eis  onde  justificamos 
o convite à conversão: 
“Convertei-vos”. 

É um imperativo. 
É uma ordem. 
Caso esta ordem não seja obedecida, 
haverá desordem e,
a extinção da espécie 
que usa os olhos 
só para o visível.

Convertei-vos para uma nova ciência. 
Buscai as ferramentas apropriadas 
e desenvolvei-as. ‘

O essencial é invisível aos olhos’, 
disse o escritor e profeta 
Antoine de Saint Exupèry.

O Profeta, como o poeta, 
procura penetrar 
além das aparências.

Há um mundo invisível 
e infinito a explorarmos. 

O mundo do invisível 
é também o mundo infinito, 
sem fronteiras e eterno. 
Este é o mundo 
que o filho do Deus Eterno 
nos prometeu. 



Nós não somos deste mundo 

que morre, 
que caduca, 
que está cheio de limites.

Somos herdeiros do mundo invisível 
mas não estamos preparados 
ainda,
para este mundo. 



Os nossos olhos 

só se apegam ao visível, 
porque está treinado 
e capacitado somente 
para esta finalidade. 

Mas há uma ciência nova 
na qual devemos nos tornar especialistas, 
usando as ferramentas apropriadas, 
muitas delas, 
diferentes daquelas 
que usamos no nosso mundo econômico, 
financeiro e materializado. 

Se nossos olhos não possuem 
a capacidade de olhar o invisível, 
há a necessidade de desenvolver 
e aperfeiçoar o olhar 
ou a ferramenta 
que conseguirá ver o invisível. 

Nesta nova ciência, 
o principal princípio é fechar os olhos.

A ferramenta mais usada 
é o silêncio. 



Tem-se que parar 

para escutar o inaudível.

É imenso o conteúdo todo 
que cabe dentro do imperativo 
“convertei-vos”. 



Existem mudanças a serem efetivadas. 

E quanta mudança!

Há um mundo novo, 
um mundo todo cheio 
de valores invisíveis, 
desprezados por nós.

Sensibiliza o poeta e o profeta, 
a indiferença 
diante das realidades invisíveis.

Há um “dentro” das coisas 
que quer comunicar-se.

Existem símbolos gritando, 
exigindo 
que decifrem 
seus códigos internos.

Existem belezas mensageiras 
do Criador das Belezas.

Tudo o que é grande 
e maravilhoso no Universo, 
são dicas, do Cientista 
Criador-Invisível.

Estamos todos envolvidos 
por uma literatura 
que foi aos poucos 
sendo esvaziada, 
despersonalizada   
e desenraizada, 
esvaziada da poesia.

A arte, a música, a poesia
podem ser, expressar e comunicar
os mistérios mais ricos e profundos.

Até acho que a arte, a música e a poesia
foram criadas pelo Criador, para, mais fácil
falar e trazer ate aqui, 
o Transcendente. 



Resultado do pouco esforço, 

foi cultivada só na superfície. 



Tudo o que fica só nas palavras, 

nos livros, 

como letra morta, 
nos mantém numa rotina, 
acostumando-nos apenas a ouvir, 
repetir e a ler as palavras.

Cuidado comunicadores.

A literatura toda é importante.

Há porém, uma vacina 
a aplicar em nós mesmos: 
estarmos alertas para percebermos 
até que ponto estamos anestesiados, 
acomodados, atrofiados ou indiferentes: 
estamos nos acostumando 
a viver no mundo das palavras, 
no mundo virtual. 

Cuidado, comunicadores. 



O profeta alerta avisando: 

de tão prejudicados, 

não estamos mais nem mesmo reagindo. 
A bula dos remédios 
que quer alertar, 
também não fazem mais efeitos. 
Faltam profetas. Profetas Místicos. 

A verdade que o profeta quer revelar 
é que estamos escravizados. 
Escravos principalmente 
da literatura.

É urgente perceber 
que a nossa consciência 
está anestesiada. 

Se você não reage 
ao que estou dizendo, ou escrevendo,
está provado, que você usa anestésico. 



O egoísmo, o individualismo 

exigem a atenção ao nosso corpo 

que quer conforto e entra fácil
na condição de saturação. 




Estas atitudes opõem-se ao sacrifício, 

ao esforço, 

à necessidade de mudanças 
e conversões.


Estamos todos envolvidos 
na cultura do conforto e do comodismo 
que desemboca na rotina 
e leva à acomodação, 
sugerindo-nos escolher tudo 
o que nos convém, 
sem pensar. 



Pensar ativa a consciência. 

Se a consciência está dormindo, 

não adianta pensar. 



O profeta grita mais alto 

para que a consciência acorde. 

As opções pelo conforto 
nos leva a fugir 
ou a recusar 
novas responsabilidades.

Fugir ou recusar responsabilidades 
nos mantém parados, 
estagnados, 
atrofiados e acomodados. 



Esta opção provoca inconscientemente 

a nossa falência 

como seres destinados 
à evolução.

Converter a direção do veículo 
em direção ao mundo do invisível, 
eis aqui o alerta do Profeta. 
Mas que adianta alertar 
se nossos feitos 
estão com defeitos. 

O Profeta 
se manifesta 
com a finalidade de tirar o pano de cima,
tirar a poeira 
que altera a cor da profundidade.

O profeta cutuca as resistências 
e penetra na casca dura, petrificada.

Profeta é alguém 
que anuncia outro personagem 
mais importante que ele próprio. 



Se o profeta 

é gente importante, 

maior é aquele de quem o profeta fala.

Cada ser humano 
guarda dentro de si
um personagem divino.

O personagem humano 
que cada um é
manifesta-se 
naturalmente.

O personagem divino
que existe dentro de cada um de nós,
ainda está sufocado,
querendo libertar-se
e exprimir-se
para além 
das suas próprias fronteiras.

Mas este personagem não sabe como. 



Não se sente livre. 



Ainda está na dimensão da ignorância 

dos seus talentos. 



Ignora o talento natural de filho 

e herdeiro do dono dos céus.  



Não está habituado 

a conviver com os valores 

do mundo invisível.

De novo, o profeta alerta:  
Se você está chorando, sofrendo, desnorteado, confuso, triste e desmotivado, então chore, porque tudo vai ser destruido, por tua própria culpa porque não soube perceber 
nem avaliar 
o apelo do Deus Pai 
através das ações, 
palavras e testemunho dos profetas, 
nem avaliar o apelo do Deus Pai Misericordioso dentro dos fatos e dentro da sua própria Criação. 

Você é culpado 
porque não percebe 
ou não aceita o caminho que leva à paz.


Eneas Paulo Budel Bogucheski            
eneaspb@gmail.com 

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