Toda obra de arte,
toda criação carrega finalidades.
Algumas bem visíveis,
outras bem escondidas,
como pinturas,
esperando interpretação.
Eis-me aqui,
fazendo parte
da
imensa teia da vida,
a cadeia alimentar,
a fraternidade
cósmica,
onde tudo se encaixa
dentro da linha da
evolução.
Tenho a impressão
de ter um valor,
uma finalidade.
Serei eu, uma obra de arte?
Se sim, estou na fase do inacabado.
Sou importante, por isso estou aqui.
Se fui chamado à existência,
sinto-me grato por estar capacitado
com todas as ferramentas necessárias
para perguntar e encontrar respostas,
conhecer e planejar
os propósitos da existência.
Sinto-me no dever de retribuir,
não ser indiferente
a tão grande presente
e participar
desta extraordinária
aventura.
Se tenho conhecimento,
capacidade de raciocinar,
pesquisar e encontrar respostas;
se a inteligência que tenho
é para ser usada,
devo procurar penetrar
as questões mais insondáveis
e misteriosas, ocultas,
talvez por trás da poeira da rotina,
escondidas sob aparências
ou superfícies.
Os bens de maior valor
sempre se encontram
nas profundidades.
Uma pintura,
uma obra de arte qualquer,
uma paisagem,
uma pessoa
revela muito mais
do que o observador está vendo.
Uma pessoa humana,
obra de arte inacabada,
talvez também tenha alguma rica
e extraordinária mensagem
escondida, lá dentro.
Parece-me
que devo viver de forma coerente
com as capacidades que tenho.
Se tenho inteligência,
se tenho perguntas não respondidas,
ser coerente
significa colocar-me a caminho,
ir atrás, procurar.
A acomodação não combina
com coerência racional.
Se tenho capacidades
para sair, explorar,
conhecer além das fronteiras,
sentar-me, desistir antes de começar,
revela fraquezas,
permanência
no mundo limitante.
Olhando para fora,
vejo muitas pessoas
dentro do barco da vida
cultivando valores
que permanecem no tempo.
Vejo também pessoas enganadas,
desviadas da atenção ao foco,
desatentas do farol que alerta
os perigos na navegação
quando não estão no leme
de comando do navio.
Já que estou aqui,
vivendo,
preciso saber da vida
e de tudo aquilo
que diz respeito à vida.
Não quero passar por esta vida
como alguém que está viajando,
navegando como turista,
sentado, irresponsável,
enterrando os talentos recebidos
com o dom da vida.
É incoerente
e desrespeito ao criador,
não colocar em ação os dons
que fizeram de mim um ser perfeito,
completo, com capacidades
para serem colocadas em ação.
Não é coerente
manter dormindo
ou sufocadas
os bens que tenho ao meu dispor.
Se tenho um só talento,
enterrá-lo é perder oportunidades.
Se tenho um talento,
é coerente multiplicá-lo.
Só tenho uma saída
que seja digna da perfeição que sou:
que minha maneira de ser,
meu comportamento
e minhas atividades
respondam SIM
a tudo aquilo que recebi de bom.
Já que estou aqui,
neste grande universo,
com toda esta gente,
com tantas ações
e preocupações,
com a consciência desperta,
digo, EIS-ME AQUI.
Não posso fugir de mim mesmo,
fugir desta responsabilidade,
pois que estou vivo.
Manter esta postura
me mantém unido,
em conexão
com todas as forças vivas
e otimistas do universo.
Qualquer outra postura
me levará à divisão
e à consequente falência
daquilo que sou,
projetado para a complementação
e aperfeiçoamento contínuo.
Percebo sim,
as fraquezas e
limitações humanas,
as alturas e os
abismos e os fracassos desfilando.
Percebo sim,
as capacidades
latentes em cada pessoa humana,
algumas ainda não
liberadas,
ainda dormindo,
esperando a hora de
acordar.
Prefiro concentrar-me nas possibilidades
do que sou e do que temos,
correndo riscos,
mas procurando sempre
as respostas
que vão abrindo portas.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 10/08/2015.
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