sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Venha vento, renova-me por dentro. 54





     Venha vento,

         direto, sem demora,

             sem cerimônias e rituais.



Aplainai os caminhos,

endireitai os atalhos,

suavizai as subidas

encerai as descidas.



Encurtai as distancias,



Destruí as resistências,



Aumentai a proximidade.



Te espero,
aqui dentro,

na intimidade.


Não à literatura.

Sim, ao tato, ao perfume.

...

 Venha vento,
entre aqui dentro,
repõe ar puro,
expire o ar parado,
contaminado,
estacionado.

Abro as narinas,
 as portas e janelas.

Aguço os ouvidos,
afino o paladar

Necessito de ar puro
que amplie minha sensibilidade
e que ative 
a percepção 
do perfume invisível

O perfume
sobe para os céus
procurando contato
com a divindade.

Perfume,
leve-me junto contigo,
não me deixe aqui,
sem cheiro nenhum.

Quisera ser,
neste ad-vento,
como o perfume
renovado,
capaz de preencher
as entranhas,
exalando na pele,
boas vindas,
hospitalidade.

No ar puro,
no perfume,
O ambiente contagia
festa e alegria.

O nariz,
revela sua importância
abre-se, acolhe,
deixando entrar.

O que entra pelo nariz
é invisível, transparente,
mas, tão logo seja sentido,
o perfume materializa-se
em sensações místicas,
em sintonia fina,
com o mistério,
indizível.

O perfume
tem algo a ver
com a excelência
da hospitalidade.

O perfume
tem algo a ver
com o que está vivo,
com a alegria.

Neste ad-vento,
Perfume-se.
Perfume sua casa
e surpreenda.

 
Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em  09/12/2016



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