Pensei no meu jeito de ser homem,
macambuso,
rabugento,
rotineiro, desgastado.
Diminuindo meu potencial,
secando-me como semente,
Como repolho me fechando,
Reduzindo a quase nada
uma potência infinita.
- Que poder desgastante
tem a rotina!
- Que poder redutor
tem a acomodação
e a preguiça!
No dia-a-dia da minha vida,
lavrador que sou,
só cultivo pepinos,
abóboras e ervas daninhas.
Moranguinhos,
ameixas e frutas gostosas,
raramente colho
e não as cultivo,
e porque exigem muito
da minha natureza acomodada.
Mas que burrice,
não é meus amigos!
Se tenho o terreno
à minha mão
das boas frutas,
por quê guardá-las
e no pote da prateleira estocá-las?
Não são exatamente estes produtos
que o mercado mais procura?
Passa inverno, passa verão,
a estupenda primavera
e os outonos também.
E eu aqui de novo
pepinos e repolhos,
ninguém gosta,
indigestos.
Perdendo tempo precioso.
Acomodando e estocando energias.
Enterrando talentos
sem nada fazer.
A omissão
me desclassifica como operário.
O despertador toca...
O relógio do tempo convida a levantar.
Se dentro de mim existe
uma semente de eternidade,
sou potencial herdeiro
de promessas eternas.
Não quero, não devo,
não posso mais
ficar só na casca
e na superfície,
lustrando e guardando aparências
naqueles que esperam de mim
algo novo,
diferente do rotineiro.
Sim, algo novo
está agitando aqui dentro,
querendo manifestar-se.
Um ser especial há de brotar,
nem que algo tenha que morrer.
‘Se a semente não morrer’,
Cultivar meu eu verdadeiro,
meu novo eu?
Existe esta possibilidade?
Sair de mim e
IRATI, minha cidade natal,
onde germinei, como semente,
onde cresci sem nada produzir.
E agora, onde estou?
Em Curitiba.
Um eu quer voltar, Ir a ti.
Outro eu, será outro eu, que aqui está?
Quantos dois eus sou
só me vejo um?
De dentro do velho homem,
e o outro eu, de dentro,
que não aparece,
é invisível?
Um é visível
e já não encanta.
O outro, invisível,
encanta e agrada,
quando se expressa
na fisionomia do visível.
É este eu invisível
que hei de explodir,
de ressuscitar
qual broto que da casca sai
e de novo jeito re-aparece
sonhando sair de mim, e
IR A TI.
IR A TI.
É com ele,
o novo eu que se esconde dentro do velho,
“Por favor,
quando o novo não estiver aparecendo,
ele está apenas dormindo,
lá dentro, do velho”.
Eneas Paulo Budel Bogucheski