A constituição física,
psíquica, moral e espiritual do
ser humano
é de carência.
Limitação parcial,
a caminho
e em processo
de aperfeiçoamento.
No corpo
físico
temos
fome e sede constante,
sentimos
frio e calor.
Na esfera psíquica
estamos
sempre insatisfeitos e ansiosos,
mal
amados, mal compreendidos;
mal
sabemos amar
e não
sabemos compreender globalmente.
Na área
moral
exige-se
esforço e aprendizado,
repetição,
treinamento.
Procuramos as fundamentações
e só
depois acionamos
a decisão
de querer melhorar.
A
sensação que sempre nos acompanha
é a de
que somos seres incompletos.
Estamos sempre com fome,
com sede
e procurando coisas ou alguém
que nos
contente e complete.
Esta é a nossa maneira de ser,
ainda
individualistas
e
egoístas.
Raramente nos propomos compreender,
contentar
ou completar alguém.
Esta seria a maneira ideal de viver,
altruístas,
revelando
que somos filhos
do Paizão
do céu.
Porém, a
experiência ou sensação
de
imperfeição
nos deixa
inquietos.
Percebemos os valores
e
queremos buscar
e fazer o
bem,
mas nos
sentimos fracos
e
impotentes.
A
inquietude
é como
uma sede constante
que arde,
cutuca
e
morde.
É um sentimento de indefinição,
de não
satisfação.
Sintetizando estes sentimentos
ou
sensações,
digamos
que temos sede.
Estamos
sempre com sede
de algo
mais.
A sede
constante
mantém-nos
abertos,
à procura.
Se não
tivéssemos sede,
estaríamos
satisfeitos
e
fechados.
Existe
uma carência no ser humano,
sempre
buscada,
procurada
na água
para
saciar uma sede.
O gosto
da água saciando,
é ao
mesmo tempo,
cultivo
da sede.
Jamais
conseguimos saciar
certo
tipo de sede.
Mesmo
estando no caminho do encontro,
a
expectativa é sempre uma sede,
que como
febre saciada,
a sede
persiste
e a febre
continua.
Se ainda
não nos convencemos
de que já
somos eternos,
é porque
está faltando
um maior
aprofundamento
sobre
esta verdade.
Somos
eternos ou seremos eternos.
Já temos
qualquer ‘coisa’ de eterno
que faz a
gente gostar
das
coisas misteriosas
e
invisíveis
que nos
deixam curiosos,
e nos
põem à procura.
Alguma
coisa está nos faltando.
Há um
vazio na nossa natureza humana
que só
pode ser preenchido
com algo
que seja permanente,
eterno, infinito
e definitivo.
Esta
dimensão
é aquela
que o Heipo procura.
Procura
com teimosia.
É uma
sede que mesmo saciada,
permanece
sedenta.
Há neste
processo,
sinais,
acenos,
convites
e
promessas.
Custe o
que custar,
o Heipo,
a
dimensão bondosa
que
existe em cada ser humano,
não
desiste.
O desejo
de saciar esta sede
aciona a
virtude da teimosia.
Existem
no nosso mundo
realidades
visíveis
com as
quais nos habituamos.
Existem
também realidades invisíveis
com as
quais não estamos habituados.
Não é
porque são invisíveis
que
deixam de ser reais.
Não são
irreais,
como a
sede que existe e que não se vê,
como o
vento que existe
e que não
enxergamos.
A sede é
diferente da água.
A água é
materialidade.
A sede é
uma falta,
é uma
carência.
A sede
sacia-se,
momentaneamente,
mas volta
e permanece,
como a
fome
que está
sempre necessitando
de
alimentos.
Para a
fome do nosso corpo biológico
damos
alimentos.
Para a
sede, do nosso corpo biológico damos água.
Para a
fome e sede do nosso espírito
e da
nossa alma,
por mais
que os alimentemos,
a fome e
a sede permanecem.
Das
ciências que estudamos,
pesquisamos
e aprendemos,
dos
conhecimentos que adquirimos,
existe
uma ciência
que nos
faz sentir pequenos,
insignificantes
e fracos,
pois
aumenta nossa fome
e
triplica nossa sede.
A sede
saciando,
a fome
alimentando.
A sede
aumentando,
a fome
faminta.
Nada
contenta
e nada
sacia.
Com sede
buscamos
a fonte
da nossa origem.
Cada vez
mais sedentos
e cada
vez mais
insaciados.
A vida é
dinâmica.
Na
dinâmica da vida
está o
movimento.
O
processo da procura
leva à
busca das respostas.
É a vida
que vibra,
palpita e
anseia
pela
continuidade.
Esta
busca e esta sede
nos
orientam
para fora
das fronteiras
dos
nossos cinco sentidos.
Empurra-nos
para fora
da lógica
e do natural.
Sugere
algo mais.
Persiste
um impulso
para algo
que seria
ou será
o alvo, o
destino,
a razão,
a causa
ou a
fonte da sede.
Não é a
água que mais queremos.
A sede é
passageira.
É a fonte
que desejamos,
pois que
é necessária
para
sempre.
Achando a
fonte,
temos a
água pura.
Somos filhos.
Procuramos
nosso Pai.
É em volta Dele
que
desejamos estar,
atendendo
todas as nossas necessidades vitais.
Não viver a dimensão de filhos
é viver a
dimensão da orfandade,
com todas
as consequências ruins
que a
orfandade proporciona.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
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