sábado, 29 de agosto de 2015

Um simples passo, da admiração para a contemplação 23

Falta-nos colocar ainda,
no nosso currículo escolar
de humanos,
duas ciências:
a ciência da admiração
e a ciência da contemplação.


Estas ciências
     produzem nos humanos
             alguns efeitos      
                   com características
                          e sabores
                                 mais do que humanos:
                                                     sobrenaturais. 

Temos sim,
    em nossa estrutura humanas,
         componentes sobrenaturais.

Não, não é preciso forçar tanto,
pois que não deixamos de ser humanos
enquanto estivermos por aqui. 

O que quero realçar
é a gostosa experiência
que fazemos
quando admiramos,
quando 'adoramos’. 

É uma experiência
quase nova,
que elastifica
e amplifica
nossas poucas
experiências humanas
sumamente agradáveis
e proféticas.

Através desta arte
a pessoa humana
centra o foco de atenção
nas criaturas, primeiro,
e depois, em seu Criador.


Ativa primeiro,
a faculdade da admiração
e esta, através dos seus efeitos,
desemboca na gratidão,
que por sua vez,  
aciona a mística
da integração
do nosso ser humano
como o nosso Deus e Pai Criador.


Admirar já é um quase adorar.
Adorar é a ação de sair de si,
sem sair de si;
o efeito é sentido
dentro de si mesmo,
com as sensações
que a gratidão provoca.


E nasce daí, imediatamente,
        a experiência da comunhão,
              da proximidade arrebatadora
                  do(a) filho(a) bem próximo(a),
                          do seu Paizinho afetivo.



        Não estamos nos referindo nem montando romances. Estas experiências são históricas: Trata-se dos grandes personagens que experimentaram e vivenciaram a virtude da penetração nos pequenos detalhes, na poesia das mensagens, do Autor Invisível, percebido por aqueles que se formaram na ciência da admiração e foram promovidos para contempladores e adoradores.

Gratidão ao Pai Criador do céu e da terra
e a todas as criaturas e elementos
que compõem o universo. 

Mas vejam bem,

o sentimento da gratidão
é consequência. 
É o resultado do ato de admirar.

Admirar é sair de si
e encontrar lá fora,
motivos, razões e fundamentos
de admiração e adoração que acontecem
aqui dentro.  

Estas são atitudes enriquecedoras, 
  pois trazemos para dentro de nós
     o que é belo,
         harmonioso,
            cheio de conteúdos
               e significados
                  que realizam
                      e despertam em nós
                         a nobreza divina. 

Se soubéssemos adorar,
dizia Frei Ignácio Larrañaga*,
atravessaríamos a vida,
como a calma dos grandes rios. 

Frei Ignácio Larrañaga 04/05/1928-30/10/2013, foi sacerdote capuchinho espanhol, fundador das Oficinas de Oração, pregador de retiros, escritor, criador dos Encontros de Experiência com Deus. Autor de dezenas de livros: Mostra-me teu Rosto, O silêncio de Maria, O Sentido da Vida, As Forças da Decadência, Suba Comigo, e outros.

Transcrevemos um pequeno trecho sobre o adorador na visão do Frei Ignácio.

O adorador é uma pessoa,
com uma consciência
dominada pela surpresa.

A surpresa
é um desprendimento,
um sair de si mesmo,
sair daquelas amarras,
apropriações e aderências,
mediante as quais
a pessoa ata a si mesma
e às demais criaturas
ao seu elo central.

Somente a admiração
é capaz de tirar o ser humano
do isolamento egocêntrico
e libertá-lo
das auto complacências
e autossuficiências.

É preciso ser livre até de si mesmo
para poder admirar e adorar.

         Vamos buscar outro personagem, procurando penetrar na sua personalidade, esperando descobrir mais algumas dicas sobre esta ciência da admiração, contemplação, visão celestial, já mais do que simplesmente humana.  

           Procuremos penetrar na personalidade do Francisco de Assis*. São Francisco de Assis 05/07/1182-04/10/1226. Foi religioso e santo Italiano. Nasceu e morreu em Assis, Itália. Foi o fundador da Ordem Religiosa dos Franciscanos. É o patrono da Ecologia. Foi o autor do Hino ao irmão Sol e da Oração “Senhor Fazei de Mim um Instrumento da Sua Paz”.

              Foi ele uma das poucas pessoas que mais próximo chegou, identificando-se a aproximando-se da personalidade do Jesus Cristo.

           Ao conhecer mais profundamente a personalidade deste homem, através dos livros, e de muitos dos seus seguidores, conseguimos perceber como ele recuperou a inocência original.

              Suas palavras e atitudes foram mais, muito mais, de louvor, adoração e gratidão.

               Eis a manifestação do Francisco de Assis, através do Cântico das Criaturas:

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
teus são os louvores,
a glória, a honra e toda benção.

A ti, somente, altíssimo, eles convém.

Louvado seja meu senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão sol,
o qual faz o dia e, por ele, alumia.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor,
de ti Altíssimo, traz imagem.

Louvado seja meu senhor,
pela irmã lua e pelas estrelas.
No céu formaste-as
claras e preciosas e belas.

Louvado seja meu senhor,
pelo irmão vento
e pelo ar e nuvem e sereno e todo tempo
pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado seja meu senhor,
pela irmã água,
a qual mui útil é e humilde
e preciosa e casta.

Louvado seja meu senhor,
pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre, robusto e forte.

Louvado seja meu senhor,
por nossa irmã, a mãe terra,
a qual nos sustenta e governa,
e produz diversos frutos
com coloridas flores e ervas.

Louvado seja meu senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam doenças e tribulações.

Felizes os que sustentam
e promovem a paz,
que por ti serão coroados.

Louvado seja meu senhor,
pela irmã nossa, a morte corporal,
da qual nenhum vivente pode escapar.

Felizes os que se encontrarem
na tua santíssima vontade,
a quem a segunda morte
não lhes fará nenhum mal.


Louvai e bendizei o meu senhor,
e agradecei-lhe
e servi-o
com grande humildade.


        Nestas poucas linhas você percebeu como acontece a prática da ciência da adoração, contemplação, superação da simples humanidade, em direção ao comportamento correto, de filho adorador. 


           Veja como é fácil deixar de ser humano, sem deixar de ser o que somos. Adorar, contemplar é focar a atenção nos elementos e criaturas externas, procurando motivos, razões, argumentos e fundamentos do ato de admirar e adorar, e ver, através das realidades visíveis, o Invisível sempre Presente, o Pai amoroso.


É mais ou menos isso o que acontece quando estamos diante de qualquer obra de arte: manifestamos a criatura especial que somos: admiradores, contempladores.

Você costuma assistir o espetáculo do por do sol que acontece diariamente? Este é um bom exercício para ir praticando e aperfeiçoando as regras da nova ciência. 

        Você ficou parado(a), quiteinho(a), olhando ou contemplando, amando a tua pessoa amada, querida? Que sentimentos experimenta?

         Pratique esta ciência,
olhando e contemplando
uma por uma,
todas as outras pessoas
que convivem
ou passam diante de ti,
todos os dias.

      Você será outra pessoa,
promovida,
de humana
para divina.


Eneas Paulo Budel Bogucheski                      

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