profetas
e profecias,
o
povo se corrompe,
diziam
os antigos.
Se não existir mais profetas,
quem vai iluminar,
quem vai acender a chama
do fogo que queima?
Então,
para nosso bem
se
não tem mais profetas
temos
que produzi-los.
Mas ninguém mais arrisca ser profeta.
É perigoso.
Há muita exposição.
Há muita incompreensão.
É difícil interpretá-los
de acordo com os nossos interesses.
Mas
temos que dar um jeito.
Somos
brasileiros.
Damos
um jeitinho.
Olhem, vejam
estão por aí,
profetas disfarçados
de poetas.
A
função de poeta
se
identifica
com
a dos antigos profetas.
Vejo na personalidade dos poetas
a incorporação do peso da existência humana.
Até parece
que querem carregar os conflitos
e desequilíbrios
de todas as pessoas,
nas suas próprias costas.
Não
se parecem com alguém lá de longe,
trazido
para a memória,
para
bem pertinho de nós,
os
profetas?
O poeta escreve,
e cada um se lê
naquilo que ele escreveu.
Mais
do que qualquer outro poeta,
um
é o grande Poeta: Deus, nosso Pai,
o
criador deste universo todo,
com
todo potencial de rimas
e
harmonia que há no cosmo todo,
nas
pessoas
e
nos ideais
prometidos
por Ele.
É carinhoso saber assim.
É afetivo que seja desta forma.
O
poeta
possui
algumas características
que
são proféticas,
pois
se empenham sempre
na
busca do sentido,
do
significado.
Procuram penetrar na profundidade,
descobrindo as pérolas preciosas
e tesouros escondidos.
Domam
a rotina,
chicoteiam
as mesmices,
constroem
escadas imaginárias
desejando
tirar-nos
dos
buracos da existência,
insistindo
no destino superior
da
humanidade.
Ao fazer poesia da vida,
o poeta descreve a própria vida
na sua simplicidade
e, ao mesmo tempo descomplica
as tramas nas quais nos envolvemos.
Quantas
vezes nos sentimos anestesiados,
insensíveis
às realidades chocantes,
achando
normal o que é agressivo,
apático
o que merece resposta emotiva.
O poeta e a poesia
devolvem-nos a natureza crua,
original, sem máscaras.
O
poeta e a poesia
devolve
a criança
que
se perdeu no meio dos adultos.
O poeta e a poesia
despertam-nos do sono,
revelando alegria
na experiência do sentir-se vivo.
Nas
linhas e entrelinhas
da
poesia,
aparece
o
sentido oculto
que
nossa personalidade
anseia
realizar.
O poeta e a poesia
aciona a vontade
de ser livre como um pássaro,
e voar por todos os espaços do mundo,
curtindo todos os lugares lindos
que a sensibilidade treinada
aprendeu a contemplar.
Na
poesia transparece a verdade,
como
transparece a mentira.
Se é verdade,
surgem sentimentos nobres
e engravidam ideais.
Se
há mentiras,
a
barriga sente-se desconfortável,
o
estômago se revolta
e
a azia chega à boca,
recusando
digestão.
O que é um poeta?
É
um artista,
músico,
ou
compositor?
O poeta
é o instrumento musical
que o Deus Pai criativo atrai
para transmitir
as suas verdades,
profecias
e composições.
O
Deus Pai
convida
hoje,
o
poeta,
para
reativar
a
sensibilidade
para
ouvi-lo,
conhecê-lo
e
com
Ele conviver.
Veja que não há violência
nos poetas.
Perceba
como é suave,
mansa
e convincente
sua
comunicação.
A poesia
é a partitura
e o poeta é o instrumento
que toca a melodia.
E
o compositor não aparece.
Nem
sequer o maestro
aparece
no palco.
O poeta
se reporta
com as portas,
com as entradas
e saídas da vida.
O
poeta se arrebenta
ou
se compromete,
mas
insiste
em
reabrir as portas
do
paraíso
e
da imortalidade.
É um inconformado
com limites,
túmulos ou fronteiras.
Necessitamos
dos poetas
que
gostam da ousadia,
e
como os profetas,
não
se acovardam.
São livres.
Não
obedecem as regras
dos
complexos de inferioridade
ou
superioridade.
Não se deixam encabrestar
por censuras pessoais,
grupais ou societárias.
Não
se filiam
a
qualquer tipo de organização
eclesial
ou partidária.
Não possuem pátria,
nem raça,
nem religião.
O
único poder ao qual prestam honras
é
à autoridade que lhes impõem
a
própria sensibilidade.
No poeta
não há falsidade,
nem máscara.
Há
a coerência
com
a verdade universal.
A verdade transmitida pelos poetas,
caindo em nossa interioridade,
brota espontaneamente,
sem recursos artificiais.
A
maquiagem
é
permitida,
se
for para embelezar
e
revelar a interioridade,
conhecida
através dos símbolos e códigos.
De dia os homens trabalham.
Os
poetas, quando trabalham,
acordam
com suas poesias,
aqueles
que dormem de dia.
Está muito na cara,
os profetas vivem hoje,
nos poetas.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 12/01/2016.
eneaspb@gmail.com Atualizado em 12/01/2016.
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