Saudades do passado.
No futuro,
sentirei saudades do presente?
Saudades
são aquelas lembrança
que vieram junto
que despertam sentimentos bons
e nos fazem sentir
que ainda estamos vivos
ou revivendo o passado.
A saudade
leva-nos a viajar para o passado,
lá onde tivemos aquelas boas experiências,
boas andanças e festanças,
bons tempos de criança.
Não gostamos muito dos tempos de hoje.
Poucas coisas boas
e gostosas
nos acontecem.
Desaprendemos
de ir atrás
do que nos agrada.
A saudade
é quase um ato
de querer fugir do presente,
de fininho,
sem que percebam
para onde fomos,
para não despertar neles
a inveja,
porque fomos
para onde nos sentimos contentes,
em paz,
em harmonia
com o universo todo.
E esta geração
na qual me encontro,
não me compreende
porque vivo tanto no passado.
Gosto de voltar para o passado
porque lá havia mais tempo
para tudo.
O tempo
ainda estava
nas nossas mãos.
Hoje já não está.
Perdemos a liberdade
ou algo da essência
de nós mesmos.
Parece que me perdi
em algum lugar do caminho.
Já não sei mais
onde estou,
ou se sei,
já não é
com tanta certeza.
Tantas encruzilhadas.
Tantos convites
em painéis
de propagandas.
Quase tudo
tenta me distrair
do caminho
para o qual fui feito,
e entro em atalhos,
e me esqueço
para onde vou.
Neste sonho
ou nesta viagem da saudade,
tento me reencontrar,
procurando
os pedaços estraçalhados
do meu ser
que ficaram esparramados
pelos becos das cidades
em que entrei.
Saí de casa,
do aconchego do meu lar,
lugar seguro,
quente e cheio de vitalidade,
risos, e comilanças,
olhares afetivos,
silêncios compreensivos,
compromissos cumpridos,
ideal conjugal,
tudo no seu lugar,
aqueles projetos
de realizações.
Assim foi
o meu passado.
Este é o conteúdo,
o prato
da minha saudade.
No hoje
no qual estou pisando,
a saudade
não me acompanha
em todos os meus passos.
Minha companhia hoje
tem outro nome.
Já fora
da porta da casa,
as coisas começam a faltar
e a insegurança segue-nos
como um desconfortável
guarda-costas.
Assim, a saudade fica sendo
a coisa boa da vida e,
a vida no mundo presente
se apresenta como algo
que promete também,
coisas boas,
e que ficamos
esperando
esperando,
as promessas
se concretizarem.
Poucos,
poucos de nós se empenham
para que as coisas boas
sejam de fato consequências
do nosso agir.
Muito do meu tempo de hoje
convivo, colhendo o que plantei.
Do passado
boas coisas
trago nas saudades.
Lá no futuro,
colherei o que estou semeando,
frutos saborosos,
misturados,
terra e céus.
Terra
onde estive e estou.
Céus,
para onde vou?
Eneas Paulo Budel Bogucheski.
Atualizada em 12/01/2016.
eneaspb@gmail.com
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