quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Saudades 38




Saudades do passado.

No futuro,
sentirei saudades do presente?

 
Saudades

são aquelas lembrança

que vieram junto

que despertam sentimentos bons

e nos fazem sentir

que ainda estamos vivos

ou revivendo o passado.



A saudade

leva-nos a viajar para o passado,

lá onde tivemos aquelas boas experiências,

boas andanças e festanças,

bons tempos de criança.



Não gostamos muito dos tempos de hoje.

Poucas coisas boas

e gostosas

nos acontecem.



Desaprendemos

de ir atrás

do que nos agrada.



A saudade

é quase um ato

de querer fugir do presente,

de fininho,

sem que percebam

para onde fomos,

para não despertar neles

a inveja,

porque fomos

para onde nos sentimos contentes,

em paz,

em harmonia

com o universo todo.



E esta geração

na qual me encontro,

não me compreende

porque vivo tanto no passado.



Gosto de voltar para o passado

porque lá havia mais tempo

para tudo.



O tempo

ainda estava

nas nossas mãos.



Hoje já não está.



Perdemos a liberdade

ou algo da essência

de nós mesmos.



Parece que me perdi

em algum lugar do caminho.



Já não sei mais

onde estou,

ou se sei,

já não é

com tanta certeza.



Tantas encruzilhadas.



Tantos convites

em painéis

de propagandas.



Quase tudo

tenta me distrair

do caminho

para o qual fui feito,

e entro em atalhos,

e me esqueço

para onde vou.



Neste sonho

ou nesta viagem da saudade,

tento me reencontrar,

procurando

os pedaços estraçalhados

do meu ser

que ficaram esparramados

pelos becos das cidades

em que entrei.



Saí de casa,

do aconchego do meu lar,

lugar seguro,

quente e cheio de vitalidade,

risos, e comilanças,

olhares afetivos,

silêncios compreensivos,

compromissos cumpridos,

ideal conjugal,

tudo no seu lugar,

aqueles projetos

de realizações.



Assim foi

o meu passado.



Este é o conteúdo,

o prato

da minha saudade.



No hoje

no qual estou pisando,

a saudade

não me acompanha

em todos os meus passos.



Minha companhia hoje

tem outro nome.



Já fora

da porta da casa,

as coisas começam a faltar

e a insegurança segue-nos

como um desconfortável

guarda-costas.



Assim, a saudade fica sendo

a coisa boa da vida e,

a vida no mundo presente

se apresenta como algo

que promete também,

coisas boas,

e que ficamos

esperando

esperando,

as promessas

se concretizarem.



Poucos,

poucos de nós se empenham

para que as coisas boas

sejam de fato consequências

do nosso agir.





Muito do meu tempo de hoje

convivo, colhendo o que plantei.



Do passado

boas coisas

trago nas saudades.



Lá no futuro,

colherei o que estou semeando,

frutos saborosos,

misturados,

terra e céus.





Terra onde estive e estou.



Céus, para onde vou?







Eneas Paulo Budel Bogucheski.
Atualizada em 12/01/2016.
eneaspb@gmail.com

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