Esclarecimento:
Quase todos os textos que escrevo, primeiro edito no blog http://heiposworld.blogspot.com.br/
Só depois procuro
transformar ou colocar em um formato menos tijolaço e lanço no Blog Poesias do
Eneas Paulo Budel Bogucheski.
Como o nome do outro
Blog é Heipo’s World, a maior parte
dos leitores são de outros países, então criei o Blog Poesias do Eneas PBB para
publicar para as pessoas mais próximas, mais de perto, bem pertinho.
Hoje trago para você minhas reflexões sobre nossa vida vivida mais
com recursos externos do que com recursos próprios.
Pobres que somos
não temos condições
de comprar a vida.
Pobre recebe.
Recebe, gasta logo,
se lambusa.
Curte o que ganha, na hora.
Não fica esperando para curtir depois.
É agora, a hora de curtir presentes.
E agradece.
Gratidão
pelo presente,
sem esperar e sem pedir.
Sem entrar na fila.
Sem requerimentos
E sem burocracias.
Mesmo sendo pobre,
a vida é uma riqueza
que o pobre desfruta.
Nós somos pobres,
e mesmo assim,
recebemos o dom da vida.
O legal da vida é curtir a vida
Como se fosse um carrão.
E não é que ganhei a vida, o carrão.
Eis a vida em minhas mãos.
A minha vida.
E eu na direção.
Ter em mãos esta vida, até pouco tempo,
foi um ato incompreensível
da minha parte.
E aí olhei-me. Contemplei-me.
Sim, tenho vivido e sobrevivido
com uma grande parte de recursos externos,
talvez a maior parte,
não sei bem,
por isso estou avaliando agora.
Veja bem, para dormir, deito e durmo,
e não sei como, mas durmo, quase morrendo,
pois que raramente uso o tempo do sono
para sonhar. Quase morro, sem morrer.
As baterias estão carregadas.
E funcionam automaticamente.
Para acordar, não sei como, acordo.
Para pensar, não sei como, mas penso.
Para andar, não sei
como, mas ando.
Para olhar,
abro os olhos e vejo o mundo todo,
até onde a vista alcança.
E olha que alcança longe:
vejo o sol, vejo estrelas,
vejo lá longe, o horizonte,
e quando lá chego,
vejo outros horizontes.
Esta vida que vivo
e que recebi de presente,
vem carregada de acessórios,
tornando-me um ser veiculável,
completo.
Nada que esteja ao meu alcance me falta.
Se falta, com o que sou e tenho,
busco, encontro
e incorporo
em meu ser veiculável.
E vejo outros carrões vivos iguais a mim.
Alguns usam um combustível muito poderoso,
forte, robusto, potente,
capaz de alcançar altos ideais.
Quando vou para as oficinas,
revisões periódicas de manutenção,
percebo outros lá também.
E por mais estranho que pareça,
muitos, não o bastante,
estão lá com a lataria riscada,
enrugada, como veículos fora de linha,
mas com motor tinindo,
sem resmungos e lamentos,
acelerando montanhas acima.
Vivem emprestando e gastando,
à vontade, recursos externos.
São espertos,
gastando antecipadamente
uma herança vinda de fora.
Outros, veículos mais novos,
barulhentos, batendo biela,
tossindo, fumando fumaça,
poluindo o meu ambiente,
e o teu ambiente.
Estes, percebemos,
teimam em administrar
seus veículos com recursos próprios,
enferrujam e empobrecem a si mesmos,
e o meu e teu ambiente.
Não, não fomos nós que
criamos direções ou rotas
para nossa vida.
Parece que a nossa rota
já está traçada,
de antemão,
bem antes de recebermos
o motor da vida.
Às vezes,
resistimos,
como adolescentes,
procurando autonomia,
teimamos em ir por
atalhos
e logo, logo nos
perdemos.
Voltamos de novo
para as estradas
oficiais
e reequilibramos
nossos pneus,
reabastecemos com
gasolina aditivada
e vamos em frente,
sem tensões,
em paz e harmonia
conjugadas
com a natureza das
quatro estações.
E o nosso carro
veicular,
nossa vida,
veio de fábrica
para resistir
e curtir as quatros
estações da vida:
primavera, verão,
outono e inverno.
Com nosso carrão,
nossa vida,
andamos pelos vales,
descidas, subidas,
montanhas e abismos,
vista ampla,
clara e promissora.
Asfalto, cascalho e terra
firme.
De repente nevoeiro,
escuridão,
chuva e rajadas de
vento.
Areia movediça.
Calor exagerado.
Frio congelante.
Felizmente nosso veículo original
vem equipado com trações nas quatro rodas
e motor e marchas
com capacidade de superação
de todo e qualquer obstáculo.
E vem com guincho
e cabo de aço
de última geração.
Não há nada
que tenha forças para segurar-nos
antes de chegarmos ao local
de embarque definitivo.
Parece que há ajuda externa, invisível.
Vejam de quantos recursos dispomos.
E o que pensar do GPS.
Já saímos da fábrica
com o GPS ativo.
O GPS é a nossa consciência
e a certeza de que somos filhos
do Dono da Fábrica.
Ele nos deu este carrão
que estamos dirigindo
para dar uma voltinha
no jardim da casa Dele
e está esperando nossa volta.
E não é que Ele nos deu
o carrão da nossa vida
com o tanque cheio!
E olha que rodamos, rodamos ...
É por isso que me dá nas telhas a impressão que temos vivido há muito tempo,
mais com recursos externos do que com recursos próprios.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 04/09/2015
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