sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Vivendo às custas de recursos externos 28



Esclarecimento: Quase todos os textos que escrevo, primeiro edito no blog http://heiposworld.blogspot.com.br/

        Só depois procuro transformar ou colocar em um formato menos tijolaço e lanço no Blog Poesias do Eneas Paulo Budel Bogucheski.

        Como o nome do outro Blog é Heipo’s World, a maior parte dos leitores são de outros países, então criei o Blog Poesias do Eneas PBB para publicar para as pessoas mais próximas, mais de perto, bem pertinho.

Hoje trago para você minhas reflexões sobre nossa vida vivida mais com recursos externos do que com recursos próprios.

Pobres que somos

não temos condições

de comprar a vida.



Pobre recebe.

Recebe, gasta logo,

se lambusa.



Curte o que ganha, na hora.

Não fica esperando para curtir depois.

É agora, a hora de curtir presentes.



E agradece.



Gratidão

pelo presente,

sem esperar e sem pedir.

Sem entrar na fila.

Sem requerimentos

E sem burocracias.



Mesmo sendo pobre,

a vida é uma riqueza

que o pobre desfruta.



Nós somos pobres,

e mesmo assim,

recebemos o dom da vida.



O legal da vida é curtir a vida

Como se fosse um carrão.



E não é que ganhei a vida, o carrão.

                    Eis a vida em minhas mãos.

                                 A minha vida.

                                   E eu na direção.



Ter em mãos esta vida, até pouco tempo,

foi um ato incompreensível

da minha parte.



E aí olhei-me. Contemplei-me.

Sim, tenho vivido e sobrevivido

com uma grande parte de recursos externos,

talvez a maior parte,

não sei bem,

por isso estou avaliando agora.



Veja bem, para dormir, deito e durmo,

e não sei como, mas durmo, quase morrendo,

pois que raramente uso o tempo do sono

para sonhar. Quase morro, sem morrer.



As baterias estão carregadas.

E funcionam automaticamente.



Para acordar, não sei como, acordo.



Para pensar, não sei como, mas penso.



Para andar, não sei como, mas ando.



Para olhar,

abro os olhos e vejo o mundo todo,

até onde a vista alcança.



E olha que alcança longe:

vejo o sol, vejo estrelas,

vejo lá longe, o horizonte,

e quando lá chego,

vejo outros horizontes.



Esta vida que vivo

e que recebi de presente,

vem carregada de acessórios,

tornando-me um ser veiculável,

completo.



Nada que esteja ao meu alcance me falta.

Se falta, com o que sou e tenho,

busco, encontro

e incorporo

em meu ser veiculável.



E vejo outros carrões vivos iguais a mim.

Alguns usam um combustível muito poderoso,

forte, robusto, potente,

capaz de alcançar altos ideais.



Quando vou para as oficinas,

revisões periódicas de manutenção,

percebo outros lá também.



E por mais estranho que pareça,

muitos, não o bastante,

estão lá com a lataria riscada,

enrugada, como veículos fora de linha,

mas com motor tinindo,

sem resmungos e lamentos,

acelerando montanhas acima.



Vivem emprestando e gastando,

à vontade, recursos externos.



São espertos,

gastando antecipadamente

uma herança vinda de fora.



Outros, veículos mais novos,

barulhentos, batendo biela,

tossindo, fumando fumaça,

poluindo o meu ambiente,

e o teu ambiente.



Estes, percebemos,

teimam em administrar

seus veículos com recursos próprios,

enferrujam e empobrecem a si mesmos,

e o meu e teu ambiente.



Não, não fomos nós que

criamos direções ou rotas

para nossa vida.



Parece que a nossa rota

já está traçada,

de antemão,

bem antes de recebermos

o motor da vida.



Às vezes,

resistimos,

como adolescentes,

procurando autonomia,

teimamos em ir por atalhos

e logo, logo nos perdemos.



Voltamos de novo

para as estradas oficiais

e reequilibramos nossos pneus,

reabastecemos com gasolina aditivada

e vamos em frente, sem tensões,

em paz e harmonia conjugadas

com a natureza das quatro estações.



E o nosso carro veicular,

nossa vida,

veio de fábrica

para resistir

e curtir as quatros estações da vida:

primavera, verão, outono e inverno.



Com nosso carrão,

nossa vida,

andamos pelos vales,

descidas, subidas,

montanhas e abismos,

vista ampla,

clara e promissora.

                      Asfalto, cascalho e terra firme.



De repente nevoeiro,

escuridão,

chuva e rajadas de vento.

Areia movediça.

Calor exagerado.

Frio congelante.



Felizmente nosso veículo original

vem equipado com trações nas quatro rodas

e motor e marchas

com capacidade de superação

de todo e qualquer obstáculo.

E vem com guincho

e cabo de aço

de última geração.



Não há nada

que tenha forças para segurar-nos

antes de chegarmos ao local

de embarque definitivo.



Parece que há ajuda externa, invisível.



Vejam de quantos recursos dispomos.



E o que pensar do GPS.

Já saímos da fábrica

com o GPS ativo.



O GPS é a nossa consciência

e a certeza de que somos filhos

do Dono da Fábrica.



Ele nos deu este carrão

que estamos dirigindo

para dar uma voltinha

no jardim da casa Dele

e está esperando nossa volta.



E não é que Ele nos deu

o carrão da nossa vida

com o tanque cheio!



E olha que rodamos, rodamos ...



       É por isso que me dá nas telhas a impressão que temos vivido há muito tempo, mais com recursos externos do que com recursos próprios.



Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 04/09/2015


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