quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Desafiados pelo infinito 34



Há algo mais

Muito mais,

Não aqui,

Mais ali,
no infinito.



Há algo mais

a conhecer.



Há algo mais

Além do que nossos olhos veem.



Há algo mais

Para lá do que nossos sentimentos
experimentam e sentem.



Há algo mais

que a fé diz existir

e que ainda nos escapa.



Há algo em nós

que é sobrenatural,

e que nos ultrapassa

e que esconde ‘algo’.



Há algo mais

que nos provoca,

atraindo-nos e nos chama

e nos deixa ansiosos.



O que é desconhecido

quer se fazer conhecido.



O que nos mantém presos e inseguros

é a sensação do despreparo.



Se nos sentimos despreparados

é porque não nos conhecemos o suficiente.



Receamos conhecer o desconhecido

que promete mais,

e nos acostumamos com o conhecido

que não nos realiza.



Em cada um de nós

existem possibilidades

desconhecidas,

ainda dormindo.



Abrir-se ou aventurar-se

no campo do infinito

é a maior de todas as ambições humanas.



É uma aventura, quase um escape,

um querer fugir do mundo pequeno.



É uma revolta

contra tudo aquilo que não preenche,

não completa, não realiza

e deixa um sutil sentimento de frustração.



Abrir-se para o infinito

é romper as fronteiras e os limites.



É vivenciar os melhores valores

que tens à sua própria disposição.



Estes valores, vivenciados,

provam a existência do céu.



O infinito faz cócegas no finito.



O infinito

desperta a curiosidade,

abre as portas

para esperanças novas.



Sou o mais completo,

complexo

e complicado ser da criação.

Mas experimento também

a força da limitação.



Mas esta limitação,

é apenas um detalhe,

um componente do todo.

Não é um obstáculo intransponível.



   Tenho ideais

        mais altos e mais fortes

            do que sou.



Tenho sonhos infinitos

         que querem alargar

             os limites do que sei e experimento.



             Minha fragilidade humana limita

          o que de eterno há em mim.



O que há de finito em mim,

serve de copo

para recepcionar                                  

o infinito.



                 Cabe?

           Cabe sim, vazando, escapando,

       segurando as sobras que            

satisfazem.

                         

Quão pequeno sou,

      quase incapaz,

           mas teimoso e esperançoso,

                tento fazer caber

                     dentro das minhas limitações,

           “o maior”, o imenso, o              
                 INFINITO.



 Há de caber o que não posso conter?

Se não couber todo, há de vazar.



      Mais mérito há de ser assim,

do que manter vazio

     um espaço criado

                              para recepcionar o infinito.



Está para acontecer,

a qualquer momento,

se não me arrebento,

coisa grande vai acontecer.



      Será que estamos à porta?

           ou à beira, do fim? 

                 Ou de um novo grande evento?

                       Um recomeço?



                              Vamos continuar.

                         É melhor arriscar,

                  do que ficar por aqui, parado.



    Aqui, a ‘coisa’ vai acabar.

Lá, a ‘coisa’ está sempre a começar.



                 Esta inquietação

                        atrai e convida,

                          e se expõe

                                    e se impõe.

               

                                            É uma atração.

                          Espera um sim. 

                 Exige uma resposta. 

                       

Não há como resistir.



Não é algo comum.

       Não faz parte da rotina.

            Escapa das nossas mãos e visões.

                   

Não vejo a mesma ânsia nos outros,

     meus irmãos, meus iguais.



           Será um dom ou uma teimosia? 

                  Um desequilíbrio da minha natureza?



Na grande síntese da vida

     apenas três realidades existem:

          o mundo, o homem e o nosso Pai Criador.



             Destas três a que menos conhecemos

                  é o nosso próprio Pai Criador.

                       O que sei e o que não sei,

                            do Deus Uno e Trino,

                  merece maior investimento meu.



                      O mundo visível, já o conhecemos,

                      mesmo que superficialmente,

                      pois que somos barro da terra.



O mundo invisível

esconde códigos e senhas

e estamos começando

a decifrá-los.



Do homem temos um razoável conhecimento

     pela História e pela lida, no dia a dia.

          Estamos continuamente,

                uns ao lado dos outros.

                     E muitos de nós,

                        causamos espanto e surpresas.

Na natureza humana

surgem interrogações.



As definições filosóficas e científicas

não esgotaram a intimidade,

o conteúdo e as promessas feitas

às criaturas humanas,

imagem e semelhança do Pai Criador.



Há ansiedade insatisfeita.

Há profundidade infinita na natureza humana

que só o infinito pode suavizar,

que só o infinito pode ‘encher’.

                                                 

Do Deus Pai e do Deus Filho

e do Deus Espírito Santo,

      as fontes de pesquisas são infinitas.



           E é por aqui que agora havemos de pisar.



                 Esta parceria, promover para aliança,

              é a mais acertada tacada

           do nosso último empreendimento

       na escalada da pirâmide da perfeição.





                  Devemos desistir?     

         

     Mas por que deixar como está?



                             Na escuridão?



Ignorando a fonte da Luz

     que nos faz enxergar

           lá do outro lado

                  e lá em cima?



Quero morar lá,

     onde mora o Infinito.



Algo em mim impulsiona,

    energiza e anima

        o que tenho de humano,

           em direção a algo mais,

               além deste mundo,

                     além do que vejo,

                        sinto e percebo.



                             Algo condiciona e impulsiona

                                 meu frágil ser,

                                     a expressar-se

                                          mais do que posso.



                                                Algo me anima

                        a querer e poder

            mais do que sou.



Não ao não.


       sim ao sim.

                                 

    Sinto cócegas.



Preciso me coçar.



Numa hora quero ser mais livre,

     quero voar, mas não consigo, não tenho asas.



         Noutra hora quero transportar-me

              para o alto da montanha,

                  sem dar os passos

                         por entre as pedras.



Querendo ser mais

     experimento as barreiras,

           as cadeias,

                as cordas,

                    as correntes,

                         as carências,

                              as impotências,

                                   e a paralisia.



Eis que ainda sou uma mistura de massas,

      composta pela síntese mineral,

            vegetal, animal e humana,

                   habitado por migalhas de infinito.



                         Quero devolver-me ao infinito

                                mesmo sendo massa pesada.



Sei que minha alma
     é leve e transparente.



Estou na terra,
       mas não sou terráqueo.



     Se daqui eu fosse, seria muito mais sossegado.

           Mas tem coisa dentro de mim

                que cutuca o bicho preguiça,

                   que desperta outro bicho,

                      escondido, atrás desta natureza humana,

                         projetada para novos horizontes,

                      novos espaços,

                 novo jeito de ser,

       ainda desconhecido.


De repente,

     de novo,

          experimento-me

               curtindo uma expectativa

                     uma esperança,

                          ou uma ânsia,

                               uma saudade...

                    que me parece

     não ser minha...

                                      Uma sensação

                                 de que não sou daqui...



Não me acostumo
        com minhas limitações.



Meus limites temporários

fazem-me esquecer

que sou humano,

limitado pelos dois pés.



E me fazem sentir

o que é ser já,

eterno, sem ser.



E aí o tempo passa

e eu não percebo

o tempo passar.



Será esta
a sensação

de sentir,

que não sou daqui?



Eis que sou e estou

     morando no tempo.



No Céu, fora do tempo,

  O meu e nosso Pai,

     o Artista que nos criou,

        o Perfeito
           está sempre a chamar:

              Vem’.



Existe uma ânsia,

uma vontade ou um sonho

que arde dentro de cada um de nós,

pessoas humanas realmente,

e divinas potencialmente.



O que há de humano em nós,

contenta-nos ou nos humilha.



O que há de divino em nós

manifesta-se como sede

que não sacia,



como obra de arte inacabada.


Eneas Paulo Budel Bogucheski           
eneaspb@gmail.com




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