sábado, 5 de setembro de 2015

O Heipo é o herdeiro disfarçado de mendigo 29

Alguém teria que escrever um romance
    ou editar um livro
        procurando revelar o ideal
          de um jovem
              ou o jovem ideal.

Forçando a barra,
   a idéia é procurar a fórmula
      de como nos manter
           jovens com qualquer idade,
                   sem idade, eterno se possível.

*por isso o texto é longo*


Eu tentei.
    Criei o personagem Heipo.
         E tentei escrever
                o que de melhor existe
                      em cada pessoa humana.

Aí o Heipo apareceu

      e você botou os olhos neste texto
              que quer crescer
                     e se tornar um jeitão legal
                            de viver a vida,
                                    ... viver sim, a mística da vida.



O Heipo
é a melhor parte
que existe em você.
Talvez desperto,
Talvez ainda dormindo.


Ele se apresenta de diversas formas,
romântico ou natural,
e às vezes, como poeta
outras como profeta
muitas vezes como escultor,
ou até mesmo,
como um mendigo,
como um andarilho no mundo,
muitas vezes muito carente
e muitas vezes, satisfeito,
quase completo.

Cada ser humano
que passa ao nosso lado
é um ser original, diferente e único.


Somos todos iguais,
mas somos todos diferentes,
felizmente.

Algo é comum em todos nós:
caminhamos sobre a terra
usando nossos pés.
Temos a mesma origem
e teremos todos o mesmo fim.


Nesta travessia,
nesta aventura
nada nos diferencia.


Somos andarilhos e mendigos
e não percebemos ainda 
o herdeiro
escondido
no mendigo.


De cada uma das pessoas
com quem convivemos
temos algo a aprender.


Cada um é professor ou mestre,
aluno ou discípulo,
carregado de experiência pessoais únicas,
que fazemos questão de partilhar.


Somos portadores de antenas de percepção,
sintonia, olhares vivos e ouvidos atentos.
Somos em parte imperfeitos,
mas já somos,
em grande parte,
perfeitos,
pois estamos equipados
com ferramentas ideais
para agir
e reagir,
com charme,
provocando admiração.

Não somos robôs.

Esta é uma verdade: não somos robôs.

Não estamos desligados
da tomada da sensibilidade.


Estes seres humanos
que passam e vivem ao nosso lado,
estão equipados com afeto,
ternura, sentimentos.
Dignidade a ser preservada para lá,
para sempre.


Somos seres
extremamente importantes,
de valor infinito.

Esta é a verdade
que queremos respeitada.


Somos um complexo de emoções,
racionalidade
e espiritualidade.

Somos seres especiais
com capacidades
que ultrapassam
nossa simples
e natural humanidade.


Somos os ricos herdeiros,
vestidos ainda,
por fora,
com trajes de mendigos.
Por dentro, já devemos ser como os anjos,


O Heipo é o poeta ou o profeta,
O escutor da vida,
escultor de artistas,
escondido potencialmente,
em cada pessoa humana.


O Heipo
vem para o palco quando entra
na profundidade do seu próprio ser,
onde está escondida,
empoeirada ou sufocada
a saudade eterna do Criador
que é o Deus e Pai.


A saudade do Deus Pai
é aquela sutil insatisfação
que sentimos de vez em quanto
perante esta vida que vivemos,
e que nos faz perguntar
pelo sentido da vida
ou pelo significado
de tudo que existe.



As reações de inconformismo
é o jeito do Heipo
reagir a tudo o que não responde,
ansiando em viver e vibrar
com todos os valores, e
expressar com autenticidade
os tesouros que possui,
em sua interioridade.


E, quando o Heipo é atrofiado,
sufocado, desvirtuado e
despersonalizado,
ele procura
compensar o vazio,
no desvio.


Quando uma pessoa humana
desconhece o Heipo,
ignora o ideal da vida,
acostuma-se com a rotina
e vai vivendo
de qualquer jeito,
acostumando-se
com as lamentações,
com as tristezas,
com o pessimismo
e com o derrotismo.


Amargurada, amargura a vida dos outros.
Torna-se uma pessoa insatisfeita,
dividida, desnorteada, pesada,
e com nada e com ninguém
encontra companhia
que lhe satisfaça,
por muito tempo.


Insegura, vive como órfão,
sem pai nem mãe, sem irmãos,
sem companheiros de caminhada.


Onde foi parar o encanto da vida?
Para onde mandaste o divertimento,
o piquenique, o passeio em família?

Porque a orquestra
já soa tão distante?



Em verdade vos digo:
se não mudardes
e não voltardes a cultivar
as qualidades próprias das crianças,
de modo algum entrareis no reino dos realizados,
e, portanto, não desfrutarás
das alegrias mais puras e
perderás os maiores dons
que lhes foram destinados.



Uma vez desperto,
o Heipo
é a esperança
de que as coisas comecem a melhorar,
para si e para os outros
e para toda a humanidade.


Onde existe um Heipo desperto
ali a história toma uma direção definida
e construtiva.


Quando o Heipo desperta
tudo começa a andar nos trilhos.


Tudo recomeça a dirigir-se naturalmente
para o seu fim,
a realização máxima
das suas potencialidades
em direção à perfeição.


''Todo ser como tal é bom, isto é, é capaz de satisfazer as necessidades de um outro ser e de lhe comunicar as perfeições que lhe faltam''. Este é o maior pensamento do filósofo Aristóteles.

Este é também o princípio primeiro editado pelo Deus Pai Criador do Céu e da Terra.
Está escrito no Livro do Gênesis
Que, quando o Deus Criador terminou a sua obra,
viu que tudo era bom.


O Heipo
é a tendência natural das pessoas,
para a bondade, para a verdade,
para a beleza, para a dignidade,
para a sacralidade,
para a perfeição
e para a imortalidade.


Há um Heipo por perto
quando observa ao seu lado,
uma pessoa curiosa, ansiosa e teimosa,
com olhar perdido nos horizontes,
procurando algo,
que parece estar lhe faltando.


Há um Heipo por perto
quando você percebe alguém
olhando espontaneamente para o céu,
mirando e admirando as estrelas,
querendo alcançá-las com as mãos.


O Heipo
é filho da dona Terra
e do Senhor dos Céus.


É o personagem místico,
que mistura as coisas da terra,
com as coisas do céu.



O Heipo
é terráqueo
com potência
capaz de atender
a muitas expectativas,
até além das fronteiras.


Plantados aqui,
quando a casca desgastar,
a semente explodirá.


A nova criatura,
de dentro da semente
que explode,
nasce para outro espaço,
não mais para a terra,
por não caber dentro dela,
mas para o infinito,
onde o espaço é ilimitado
e onde cabe nossa sede e vontade
de viver para sempre.


O dia
quase não tem importância
quando se anseia
pela noite chegar.


E quando a noite chega,
Heipos olham para o céu
e contemplam as estrelas.
E ficam ali, perdendo tempo,
pensando não sei o quê.


Imóvel, cabeça erguida, mirando o alto.


Horas e horas olhando para as estrelas,
que vem se mostrar durante as noites,
querendo dizer algo,
sem ruídos,
sem palavras.


Porque olhamos para as estrelas?
Esperando escutar de lá, do alto,
a mensagem do Deus Criador,
Pai bondoso.


Quantas mensagens elas anseiam entregar.
E há poucos Heipos,
olhando, escutando,
tentando interpretar.


O Heipo
é aquela qualidade divina
que se instala na pessoa humana
desde o seu nascimento,
que o faz olhar para cima,
olhar para o alto,
procurando ver
no espaço infinito,
a sua Pátria definitiva.


O Heipo
é um extraterrestre
que constrói a sua nave aqui na terra,
e quando morre,
vai nesta nave,
até o céu,
onde é a definitiva morada.


O nosso Pai do céu
precisou do homem da terra
para encarnar-se.


O Criador dos céus e da terra
criou o homem e a mulher
à sua imagem e semelhança,
prevendo
que um dia
viria morar aqui,
e não seria um estranho.


Quando seu Filho,
de fato veio,
como já tinha um molde
aqui na terra,
foi fácil ajustar-se nele.


O Criador dos céus e da terra
precisou do ser humano
para expressar-se
de uma maneira futura,
no presente.


O Heipo
é aquela graça,
aquele jeito de ser
igual ao Pai, Criador e Gerador.


O filho anseia, deseja, sonha e tudo faz
para ser igual ao seu Pai.


O Heipo
é aquele personagem
já quase divino
que se manifesta
na pessoa humana
que é consciente
de ser Filho do Pai Celeste.


O Heipo
é um personagem meio estranho,
parece um mendigo,
bem diferente, muito humano,
quase divino, artista, muito anjo.


O Heipo mendigo,
é o herdeiro disfarçado de pobre
curtindo desde já
a herança
que lhe cabe.


É surpreendente.
É misterioso.
É um jeito de ser daqui
e de lá.
Mais daqui
do que de lá.
Mas já um pouco,
do jeitão de viver,
de lá,
aqui.


O Heipo
tem fome.
Fome de viver profundamente,
por isso é meio esquisito, ansioso,
com ar de quem está sempre procurando,
e nunca encontrando.

Cada pessoa humana,
quer viver
mais do que experimenta
como pessoa.

Por isso o ser humano sonha
em conhecer o mundo lá de fora,
todo o Universo.
E sonha também conhecer
o Criador
deste Universo infinito.



Cultivar o Heipo anjo
e o Heipo artista
é condição de coerência vital.


Dar chances
para que o Heipo se manifeste
é condição de saúde,
de equilíbrio e desenvolvimento.


Dar chanches
para que o Heipo se manifeste
é criar condições
para que o ser humano
satisfaça
a potencialidade
que anseia pela perfeição.


O Heipo
tem sede do Infinito.


O Infinito
é o único lugar
onde o Heipo cabe.


Nada pode prender,
sufocar ou destruir
o espírito
que vive no Heipo vivo,
desperto e ativo.


Se você não libertar o teu Heipo,
ele se fechará, ele se guardará
e você não sentirá mais,
deixará de vibrar e cantar,
perderá a graça em tudo o mais.


Nesta condição
experimentará a limitação,
a angústia, a depressão, os desequilíbrios,
pois que não estarás alimentando o centro,
o eixo da sua verdadeira personalidade.


O filme da sua vida
deixará de ser colorido
e o mundo não mais lhe sorrirá
e os teus olhos deixarão de brilhar.


Os teus lábios secarão e o sorriso murchará.

E o bom humor natural não terá mais graça
e se imporá como o mau humor.


O Heipo quer mostrar
que o real talvez seja outra coisa,
outra arte ou outra dimensão.


Não aceitemos
cavalgar na ilusão,
na mentira
que galopa
na garupa da realidade visível,
se ela não responder
aos anseios da nossa humanidade
e aos projetos da nossa eternidade.



Não podemos nos acostumar
a curtir a vida
sem sentir
o verdadeiro sabor desta vida.

Tem mais saber e sabor dentro da vida.


O Heipo
não é apenas uma criação da imaginação.
Não é fantasia nem idealismo.
Não é também literatura
sem finalidade.


O Heipo
é algo concreto
que existe em cada pessoa humana.

Você experimentou
diversos sentimentos
e pensamentos
enquanto lia estas linhas.
Era ele,
o Heipo
agitando-se, confirmando,
querendo manifestar-se
mais livremente,
sem complexos de inferioridade,
incapacidades
ou limitações.



Existe uma mensagem na insatisfação:
é a fina chama
que não quer apagar-se.


Você tem o poder
de manter acesa
esta capacidade.


Liberte o teu Heipo.
Seja verdadeiramente o sujeito
da construção da tua vida pessoal.


A ti foi dada uma vida.


Você está vivendo.


Você está no palco dos vivos.


Foi escalado
para jogar no time principal.
Não está só na arquibancada, só aplaudindo.

Até aqui estamos vencendo.

Bem aventurados somos nós,
desde nosso nascimento.

Não fomos projetados
para viver nos infernos,
no mundo da amargura
ou da desesperança,
do sem sentido e sem finalidade.


Fomos feitos
para viver como Heipos,
amadurecidos
e transformados
nos filhos do Paizão dos céus.


Você ter chegado até aqui, nas linhas e nas entrelinhas deste texto, deve ter tirado a conclusão de que o Heipo é a tua própria alma. Portanto, se vive, tem alma.


A alma é esta dimensão infinita
que vive dentro deste nosso corpo finito.


É o anjo vivendo no artista.

É o artista desejando já ser o anjo.


O Heipo
tenta viver no aqui e no agora,
como viverá logo mais,
na eternidade
que tem aqui o seu começo.


Vivemos como mendigo e andarilho, sim, mas cada um de nós é herdeiro de uma fortuna inimaginável.



Eneas Paulo Budel Bogucheski               
     eneaspb@gmail.com

2 comentários:

  1. Enéas, está é uma bela poesia. Parabéns pela elegante criação.
    Humberto

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  2. Enéas, está é uma bela poesia. Parabéns pela elegante criação.
    Humberto

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