terça-feira, 1 de setembro de 2015

Aqui não é mais nosso lugar, nem nunca foi 25



Ousaremos entrar

nas trilhas do imenso,

do infinito,

do eterno,

das estrelas,

do espaço sem fim,

como a próxima etapa

do caminhar humano.



Será esta a próxima estação,

 na qual desembarcaremos?



Será este patamar, 

a ser por nós buscado, 

como Pátria definitiva,

 para os próximos ‘tempos’?



Caso estejamos enganados,

e optarmos pelo menos,

por aqui ficaremos.



  Se optarmos pelo mais,

mais perto das estrelas chegaremos.



O Criador das estrelas nos espera,

 acena, chamando.



Se Ele fez estrelas,

 foi para nós, 

seus filhos e herdeiros.



Os caminhos

que por aqui andamos,

não nos contentaram,

porque pistas

de algo maior

e definitivo,

fomos encontrando.



E a morte vem dizer

que por aqui tudo acabou.



 Acabou sim,
mas só até no limite

onde poderíamos chegar.



Se morremos para este mundo,

significa que não é aqui

 o definitivo lugar.



Nos caminhos que andamos

fomos usando um oxigênio

que nos preparavam

para um lugar

que dispensará este elemento.



Aqui não é mais o nosso lugar, 

nem nunca foi.



Esgotaram-se
nossas expectativas
horizontais.



Uma certeza da vida ficou:

a história da evolução

 continua para cima.



Não é da logica racional,

 aceitarmos a ideia,

de um fim já alcançado.


Deve haver outra lógica.



                       Há ainda,
                         mais uma insatisfação
                               a ser satisfeita.



Há uma continuação
na história

e da história. 


Ninguém colocou ainda,
aqui,
o ponto final



A lógica da história

é um final feliz. 



Não me iludam,

 com argumentos diferentes.



Não somos daqui.



Se fossemos, 

esperanças não brotariam,

esperanças não cultivaríamos.



Carregamos nas entranhas

uma carga de ansiedade

cujos objetos de contentamento

não se encontram aqui.



Se estivessem,

estaríamos plenificados.



Essa falta

é mais parecida

com a esperança,

a mãe da saudade.



Não permitam

que a cegueira da depressão

interrompa

um projeto de superação.



Num lugar além,

tem Alguém atraindo,

chamando e esperando.



Tem algo mais.

Tem sim.

Tem que ter.



         Quero acreditar nas palavras do escritor Frei Carlos Mesters* “Talvez o paraíso terrestre não tenha sido um fato acontecido no passado. Talvez seja uma profecia a ser realizada”. Frei Carlos Mesters. Frei da Ordem dos Religiosos Carmelitas, holandês, radicado no Brasil. Autor de diversos livros entre eles “Deus, onde Estás?”, “Paraíso Terrestre: Saudade ou Esperança”. 



Quase que por aqui ficamos.


O medo e a segurança

tentaram sufocar

os sonhos

e as esperanças.



Da fragilidade,

qual semente de mostarda,

quase sufocada,

e da razão quase esgotada,

nasceu a intuição

e a esperança.



No palco da existência,

fecha-se o pano

da vida que morre.



Abrem-se os panos do palco

e dá-se continuidade ao espetáculo,

num segundo e definitivo ato,

 no espaço infinito, no céu.   



Eneas Paulo Budel Bogucheski            

eneaspb@gmail.com

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