sábado, 19 de setembro de 2015

Quando leio, procuro-me. 35

Quando leio,

o que mais espero,

desejo e quero,

é alimentar minhas emoções,

minhas crenças,

minha liberdade.



Quando leio,

o que mais quero

é confirmar o que sou,

sinto e penso.



Quando leio

gosto de fazer digestão

do que estou lendo,

sentindo o sabor,

vibrando

com a colocação correta das palavras

no meio das frases provocativas.



Quem gosta de ler,

não procura tanto o saber,

mas o degustar,

o curtir,

o confirmar o que lê

com a verdade que crê.



Quando leio,

entro no jogo:

o mundo lá de fora

e o mundo cá de dentro.



Lá fora,

as folhas mortas

das páginas das revistas

e dos livros.



Aqui dentro,

Germinam ideias,

comparações,

motivações

e relâmpagos

percorrem meu cérebro.



Quando leio, me conheço,

mais longe do que me vejo.



Quando leio,

me conheço,

lá, naquelas curvas,

profundidades e alturas

onde não tinha ainda chegado.



Quando leio,

engordo meu ego,

alimento minha estima,

enobreço minha humildade,

cresço em estatura e sabedoria.



Quando leio,

enriqueço, melhoro,

aperfeiçoo

o que de humano

e divino

existe em mim.



Se melhoro,

melhoro o mundo

e tudo o que me rodeia. 



Quem não lê,

não sai do lugar onde está,

nem no corpo nem na mente,

nem em si próprio é capaz

de caminhar personalidade adentro.



Quem lê,

primeiro se conhece,

depois sai,

para conhecer o mundo dos outros,

lendo-se nos outros,

penetrando nos tesouros dos outros,

intercambiando experiências,

valores, culturas, fé e esperanças.



Ler é ampliar fronteiras,

é deixar de plantar repolhos,

evoluindo para plantações de flores.



A experiência de ler

é comparada ao ato de sair do círculo

e entrar na roda dos ventos.



Quem lê, vive.

Quem não lê

nem sabe que está vivo.



Quem lê,

vê mais claro,

mais longe,

sem neblinas e nevoeiros.



Quem lê,

não é confuso

em seus pensamentos,

e sabe localizar-se,

identificar-se

e posicionar-se

em qualquer ambiente

ou situação.



Quem lê,

É um ser que se adapta

em qualquer mundo,

pois todos lhe são familiares.



O corpo exercita-se

a todo momento,

movimentando-se,

com a energia dos alimentos consumidos,

digeridos pelo estomago.



Assim é a mente que lê,

alimenta a usina de transformações,

igual a um liquidificador

produzindo vitaminas,

dirigindo os nutrientes

para todos os campos

da atividade humana.



O mérito de quem lê

compara-se  ao do garimpeiro:

encontra pérolas preciosas,

frases reveladoras,

libertadoras,

enriquecedoras,

confortadoras.









Eneas Paulo Budel Bogucheski

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