Se aqui estamos,
ainda insatisfeitos,
há então, um motivo
para pensar em algo mais.
Percebemos a grandeza
para a qual fomos criados?
Desconhecemos sim,
porque nada ou quase nada temos feito
ou conquistado que nos levem
a escapar dos limites
que se apresentam
à nossa condição humana.
Somos daqui, da
terra.
Aqui nascemos,
vivemos,
agitamo-nos e
morremos.
Mas a teimosia em
buscar
respostas continua.
A sede continua.
E aqui não
encontramos todas as respostas.
Então, não somos
daqui.
Então, desconhecemos
a grandeza, a finalidade última.
Não é para coisa pequena que fomos feitos.
Então, temos que cavar mistérios.
Talvez estejamos envolvidos ainda,
em mistérios não decifrados.
Desconhecemos
ou não aceitamos
facilmente
mapas falsos.
E os mapas
autênticos
não estão assim
tão fácil,
às nossas mãos e
cabeça.
Parece que estamos
ainda
À procura da nossa
originalidade.
Parece que usamos muito pouco
do potencial que temos à disposição
para empenhar na busca de tão importante destino.
Não estamos sendo suficientemente inteligentes.
Parece ser mais uma atitude de fraqueza
do que de
coerência.
É incoerente
não dar
importância
a algo que é de
extrema importância.
Estamos aqui
e tudo o que acontece por aqui
nos é familiar
e fácil de digerir.
Vemos, lemos, tocamos, medimos,
ingerimos,
avaliamos,
somamos,
registramos
e raramente fica
alguma coisa
sem
explicação.
Não estamos habituados
a entrar no campo do
diferente,
uma dimensão acima
da qual estamos acostumados.
A dimensão da galinha
está na via
horizontal.
A da águia,
está na dimensão
das alturas.
Assim podemos nos
comportar: como galinhas ou como águias. As duas possuem asas. Mas as galinhas
não voam mais. Acostumaram-se por aqui.
A galinha possui assas, mas acomodou-se.
A águia possui assas e sabe que subir exige o esforço.
O esforço
é a senha que abre
os arquivos
que levam ao aperfeiçoamento.
Procurar saídas, supõe ativar esforços.
Há o necessário
esforço
para decifrar códigos,
vislumbrar sinais, acenos, pistas.
Uma das leis da vida
é que todo esforço compensa.
Toda atitude de moleza enfraquece,
despersonaliza e
aliena.
Queremos
fortalecer as afirmações acima com a frase do jornalista americano Orison Swett
Marden*: “O maior pecado do ser humano é ignorar suas forças interiores,
seus poderes criadores e sua herança divina”.
E, para que
reconheçamos a importância do assunto que queremos tratar neste capítulo,
transcrevemos a frase de um dos cientistas da atualidade dentro do campo da
física teórica e quântica, Stephen William Hawkin: “Se confinássemos nossa atenção
somente aos problemas terrestres, estaríamos limitando o espírito humano”.
Alguma coisa está
errada na humanidade
que não percebe a
abertura
para alguma coisa
maior,
superior ao
natural.
Atitude de indiferença
gera a
desmotivação
para a pesquisa
daquilo que não é
conhecido.
O comportamento, a
psicologia e a filosofia de muitas pessoas demonstram que muitas
potencialidades naturalmente humanas permanecem pequenas dentro do estoque dos
seus projetos, anseios e ideais.
Muitas capacidades que existem em nós já deveriam estar em estágio adiantado.
Permanece na infância ou na adolescência da maturação.
Como adolescentes,
opomos resistências
a certos princípios educativos
que facilitam o desabrochar
e o amadurecimento
da personalidade infinita
que existe latente
dentro do ser
humano.
Desconhecer a
verdade sobre a natureza, sobre o universo, sobre o sentido da vida, provocam
desequilíbrios na pessoa. Desequilíbrios que desembocam na acomodação, na indiferença
e apatia. Isto se chama despersonalização.
Desconhecer a grandeza da pessoa humana bem como a grandeza do universo pode influenciar negativamente o humor e o sentido da vida de muita gente.
Por ser imagem e semelhança com o Criador,
o ser humano não cresce
se não
procurar identificar-se
e assimilar as qualidades
do seu Pai, na sua vida.
As doenças,
os
hospitais,
as depressões
testemunham e confirmam
a influência da ignorância,
do
desconhecimento
das leis fundamentais da vida,
como a lei do amor e do serviço.
Ser útil para os outros
é a fórmula e a resposta
do sentido da vida
e do
equilíbrio
no relacionamento humano
entre as profissões e profissionais.
Quase todos os
nossos projetos estão elaborados para o horizonte terráqueo, dentro dos limites
geográficos e dentro do alcance das nossas visões pessoais.
Acordemos os
engenheiros e arquitetos que reconstruirão a nova Torre de Babel, agora
construída sobre novos fundamentos:
Como o Heipo
queremos subir,
ver no céu,
nosso definitivo
aposento.
A motivação que
levou à construção da Torre de Babel estava correta, construções para cima,
para o céu.
Queremos uma casa
permanente,
lá em cima,
onde teremos uma
vista
para todos os
cantos
do universo
infinito.
Algumas coisas na
vida funcionam como os carros que precisam ser reabastecidos nos postos de
gasolina. Quando o carro está pifando, e a luzinha avisando que a gasolina já
está na reserva, procuramos o posto de combustível e reabastecemos.
Acontece na vida,
muitas e muitas vezes, sinais de desanimo. Quando menos percebemos,
encostamos o carro da nossa vida na garagem do abatimento, das frustrações e
decepções, e ficamos lamentando a falta de motivação, ideias, entusiasmo e
inspiração.
Ora, quando algo
nos falta, ou quando algo começa a nos preocupar, a lógica nos impulsiona para
a busca das soluções.
Reabastecemos o veículo com combustível.
Reabastecemos
nossos ideais com pesquisa,
conhecimento e motivações.
"A grandeza é condição espiritual".
Mathew Arnold.
Este poeta percebeu
que o valor maior
que existe no
ser humano
é a sua capacidade espiritual.
Cultivar o que há de melhor
e maior
em cada um de
nós,
é bom senso e sabedoria.
Ignorar esta capacidade ou não lhe dar a devida
atenção é o maior de todos os defeitos que a pessoa humana pode cultivar.
Dizer
que o homem é uma mistura de força e fraqueza, de luz e treva, de pequenez e
grandeza, não é julgá-lo, é definí-lo. Denis
Diderot.
Somos, portanto,
seres especiais, portadores de potencialidades que nos projetam para além do
que somos e aparentamos.
Estas
potencialidades
agitam-se em
nossas entranhas,
esperando,
como as sementes,
explodir,
serem descobertas,
treinadas e
aperfeiçoadas.
Seremos
pessimistas,
tristes e
derrotados se ficarmos,
como as galinhas
que possuem asas
e não voam.
Nestas condições,
focados na terra,
os olhos
direcionam-se só para baixo,
ciscando o chão da
vida,
envolvidos com o
pessimismo
e tudo o que
condiciona
e se relaciona a
este fator de fracasso.
Não é este nosso
ideal.
O personagem Heipo
vem com outra
proposta.
Voltamos ao
conteúdo do livro do escritor Leonardo Boff*, “A Galinha e a Águia: uma
metáfora da condição humana”, para fazer algumas reflexões a partir do rico
conteúdo que se encontra no livro.
O escritor compara as duas dimensões na qual o ser humano está envolvido: a dimensão da terra e a dimensão do infinito que está dentro de nós.
Seremos possuidores de um comportamento otimista e alegre se, como as águias, possuidoras de asas, experimentarmos a liberdade dos espaços, e voarmos alto, procurando as oportunidades que o universo disponibiliza.
As galinhas desde sempre,
possuem asas.
Elas voavam.
Lá pelas tantas da caminhada, os homens se tornaram caçadores. Tinham dificuldades para caçar galinhas. Tiveram a ideia de criá-las fechadas ou cercadas. As galinhas criadas em ambiente fechado, com o tempo deixaram de voar, mesmo soltas. Das galinhas criadas soltas, cortavam as asas. E elas já não podiam voar. Hoje, as galinhas, mesmo as soltas, já não voam mais. Continuam tendo asas. Mas por que não voam mais? Acostumaram-se. Atrofiaram uma das suas potencialidades.
Trazendo o exemplo para a nossa vida, temos que fazer uma reflexão.
Não temos asas e não voamos.
Mas intimamente possuímos algumas capacidades que nos identificam com as águias.
Temos asas sim, e temos que voar.
Pode ser que tenhamos muito da galinha, mas temos muito mais das águias.
Temos asas invisíveis. Cada um de nós precisa avaliar se não está sacrificando a águia que está dentro de si.
Já estamos capacitados e projetados para alcançar a nova dimensão divina.
Desde que nascemos,
nascemos equipados com asas invisíveis...
Por isso o Heipo insiste
a procurar recuperar
a originalidade.
Esta originalidade está perdida
em algum lugar
dentro da nossa própria personalidade.
Está escondida ou dormindo dentro de nós.
Pelo que vimos até
agora, percebemos a riqueza e o potencial da pessoa humana.
O reino humano está classificado apenas a uma dimensão inferior que a dimensão divina.
Estamos apenas abaixo dos anjos, lemos em algum lugar da Bíblia.
Mas já estamos capacitados com alguns atributos que nos projetam para fora do reino humano.
Porém, até o dia de hoje nossas incapacidades atuais não estão suficientemente treinadas.
Um pouco mais na
frente, serão aperfeiçoadas e atingirão o nível ideal.
Pouco sabemos
sobre a dimensão divina.
Mas é algo que falta saber.
Não convém fugir ou ignorar tal realidade.
A indiferença ou apatia,
neste campo,
atrapalha ou
interrompe
a evolução.
O que sabemos é
que,
ou aceitamos esta
dimensão superior
da qual já temos
algo,
ou negamos a
existência do nosso Pai,
Criador do
universo,
e aí tudo ficará
sem explicação mesmo.
E nós acabaremos morrendo na praia.
Tão perto e tão longe.
Tão íntimas
e tão
desconhecidas
qualidades divinas
escondidas no
humano.
Na linha que o
Heipo vem apresentando, percebemos que possuímos algumas características que
não são próprias de nós, humanos.
Ou melhor, são próprias dos seres humanos evoluídos, que ultrapassaram a definição e condição animal.
Domesticaram e canalizaram as forças dos instintos pelo comando da razão.
E a razão ajudada pela Lei Moral e Espiritual, aperfeiçoa esta pobre natureza, elevando-a para o nível da espiritualidade ou dignidade de filho do Deus Criador, ou Imagem e Semelhança Dele.
Estas afirmações são verdadeiras.
Tão verdadeiras
que quase não acreditamos.
Estudando e
pesquisando as capacidades de aprendizagem e domínio de nós mesmos, fomos
percebendo uma força extra, enxertada ou acoplada em nossa estrutura pessoal,
isto é, a capacidade espiritual que nos promove para além da animalidade e da
marca registrada de humanos.
A capacidade espiritual,
rompe,
ultrapassa a
horizontalidade
e projeta-nos para
a dimensão vertical,
da altura e
profundidade,
campos ilimitados.
Neste momento
podemos fazer uma avaliação da nossa caminhada até o dia de hoje: em qual das
dimensões estão os nossos sonhos e projetos?
Na dimensão horizontal ou na vertical?
Na dimensão horizontal
existem limites e
barreiras,
mantendo-nos por
aqui mesmo.
Na vertical
há o infinito
que atrai
e nos projeta
para além de nós
mesmos.
Lendo os livros da
história, percebemos que ela é evolutiva.
Se lá no distante passado andávamos de quatro, olhando quase só para o chão, evoluindo, passamos a andar só com os dois pés.
Ficamos em pé, ficamos maiores.
Levantamos nossos olhos e começamos a olhar para mais longe e para cima.
Já não olhamos tanto para o chão.
E foi a partir
desta situação
e condição de
pessoas eretas
que vislumbramos
um universo infinito.
Nosso criador, que
é nosso Pai, mora nos céus.
Por isso, por um instinto de saudades, não nos cansamos de olhar para lá.
Somos filhos e herdeiros dos céus,
mas ainda estamos na terra.
Mas há uma semente viva,
escondida nalguma
parte de nós.
Não estamos
contentes
porque ainda não
estamos completos.
Ainda há muito a evoluir.
Desta situação e condição de incompletude, brotam perguntas que viajam para além das fronteiras do conhecido pela razão.
A dimensão divina
ainda não é para
nós
a desejada
dimensão limpa,
transparente e
perfeita.
Temos apenas alguns elementos
ou atributos
dentro da
constituição humana
que nos despertam
e cutucam,
provocam
e ficam sem
respostas definitivas.
Mas já temos experiências,
e por mais fracas
que sejam,
nos convencem.
Por mais fracos que sejamos,
aceitamos as
dúvidas
e nos pomos a
caminho,
com a livre
convicção
que é preferível
e mais vantajoso
caminharmos
de olhos vendados
nesta escalada
do que, de olhos
abertos
não encontrarmos
as respostas
definitivas
para o sentido da
vida
e da morte.
Aceitar a deficiência parcial
das nossas
faculdades
neste campo
não é de todo
ingênuo e impeditivo,
mas desafio e
provocação
para a busca das
respostas definitivas.
Na dimensão
divina
está o Ser e a
existência do nosso Pai Criador,
o Deus
Trindade.
Nesta dimensão reside o mistério.
Mistério
não como algo que
não pode ser conhecido,
mas mistério como
algo
que é inesgotável
o conteúdo de conhecimento,
maior inclusive,
que nossa atual e própria
frágil maneira de
conhecer.
Acreditar nesta
verdade
exigirá toda a reviravolta existencial:
passar a cultivar a dimensão do
invisível.
É o novo desafio,
a nova ciência,
a última
e definitiva ciência.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário