segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Desconhecemos a grandeza para a qual fomos criados 33




Se aqui estamos,

ainda insatisfeitos,

há então, um motivo

para pensar em algo mais.



             Percebemos a grandeza

                    para a qual fomos criados? 



Desconhecemos sim,

porque nada ou quase nada temos feito

ou conquistado que nos levem

a escapar dos limites

que se apresentam

à nossa condição humana.



Somos daqui, da terra.

Aqui nascemos, vivemos,

agitamo-nos e morremos.

Mas a teimosia em buscar

respostas continua.


A sede continua.


E aqui não encontramos todas as respostas.



Então, não somos daqui.


Então, desconhecemos

a grandeza, a finalidade última.



Não é para coisa pequena que fomos feitos.



Então, temos que cavar mistérios.

Talvez estejamos envolvidos ainda,

em mistérios não decifrados.


Desconhecemos

ou não aceitamos facilmente

     mapas falsos.



E os mapas autênticos

não estão assim tão fácil,

às nossas mãos e cabeça.



Parece que estamos ainda

À procura da nossa originalidade.


Parece que usamos muito pouco

do potencial que temos à disposição

para empenhar na busca de tão importante destino.


Não estamos sendo suficientemente inteligentes. 


Parece ser mais uma atitude de fraqueza

do que de coerência. 


É incoerente

não dar importância

a algo que é de extrema importância.


Estamos aqui

e tudo o que acontece por aqui

nos é familiar

e fácil de digerir. 


Vemos, lemos, tocamos, medimos,

ingerimos, avaliamos,

somamos, registramos

e raramente fica alguma coisa

sem explicação. 


Não estamos habituados

a entrar no campo do diferente,

      uma dimensão acima

             da qual estamos acostumados. 


A dimensão da galinha

está na via horizontal.

A da águia,

está na dimensão das alturas.



Assim podemos nos comportar: como galinhas ou como águias. As duas possuem asas. Mas as galinhas não voam mais. Acostumaram-se por aqui.



A galinha possui assas, mas acomodou-se.
A águia possui assas e sabe que subir exige o esforço. 



O esforço

é a senha que abre os arquivos

        que levam ao aperfeiçoamento. 


Procurar saídas, supõe ativar esforços.

Há o necessário esforço

      para decifrar códigos,

          vislumbrar sinais, acenos, pistas.


Uma das leis da vida

 é que todo esforço compensa. 


Toda atitude de moleza enfraquece,

                              despersonaliza e aliena. 



Queremos fortalecer as afirmações acima com a frase do jornalista americano Orison Swett Marden*: “O maior pecado do ser humano é ignorar suas forças interiores, seus poderes criadores e sua herança divina”.



E, para que reconheçamos a importância do assunto que queremos tratar neste capítulo, transcrevemos a frase de um dos cientistas da atualidade dentro do campo da física teórica e quântica, Stephen William Hawkin: “Se confinássemos nossa atenção somente aos problemas terrestres, estaríamos limitando o espírito humano”.



Alguma coisa está errada na humanidade

que não percebe a abertura

para alguma coisa maior,

superior ao natural. 


Atitude de indiferença

gera a desmotivação

para a pesquisa

daquilo que não é conhecido.



O comportamento, a psicologia e a filosofia de muitas pessoas demonstram que muitas potencialidades naturalmente humanas permanecem pequenas dentro do estoque dos seus projetos, anseios e ideais. 


Muitas capacidades que existem em nós já deveriam estar em estágio adiantado.


Permanece na infância ou na adolescência da maturação.

Como adolescentes,
opomos resistências
a certos princípios educativos
que facilitam o desabrochar
e o amadurecimento
da personalidade infinita
que existe latente
dentro do ser humano.



Desconhecer a verdade sobre a natureza, sobre o universo, sobre o sentido da vida, provocam desequilíbrios na pessoa. Desequilíbrios que desembocam na acomodação, na indiferença e apatia. Isto se chama despersonalização.


Desconhecer a grandeza da pessoa humana bem como a grandeza do universo pode influenciar negativamente o humor e o sentido da vida de muita gente. 


Por ser imagem e semelhança com o Criador,
o ser humano não cresce
se não procurar identificar-se
e assimilar as qualidades
do seu Pai, na sua vida.



As doenças,
os hospitais,
as depressões
testemunham e confirmam
a influência da ignorância,
do desconhecimento
das leis fundamentais da vida,
como a lei do amor e do serviço.

Ser útil para os outros
é a fórmula e a resposta
do sentido da vida
e do equilíbrio
no relacionamento humano
entre as profissões e profissionais. 



Quase todos os nossos projetos estão elaborados para o horizonte terráqueo, dentro dos limites geográficos e dentro do alcance das nossas visões pessoais.



Acordemos os engenheiros e arquitetos que reconstruirão a nova Torre de Babel, agora construída sobre novos fundamentos:


        Como o Heipo

queremos subir,

ver no céu,

nosso definitivo aposento.



A motivação que levou à construção da Torre de Babel estava correta, construções para cima, para o céu. 



Queremos uma casa permanente,

lá em cima,

onde teremos uma vista

para todos os cantos

do universo infinito.



Algumas coisas na vida funcionam como os carros que precisam ser reabastecidos nos postos de gasolina. Quando o carro está pifando, e a luzinha avisando que a gasolina já está na reserva, procuramos o posto de combustível e reabastecemos.



Acontece na vida, muitas e muitas vezes, sinais de desanimo.  Quando menos percebemos, encostamos o carro da nossa vida na garagem do abatimento, das frustrações e decepções, e ficamos lamentando a falta de motivação, ideias, entusiasmo e inspiração.



Ora, quando algo nos falta, ou quando algo começa a nos preocupar, a lógica nos impulsiona para a busca das soluções.

Reabastecemos o veículo com combustível.

Reabastecemos nossos ideais com pesquisa,
conhecimento e motivações.



"A grandeza é condição espiritual".

Mathew Arnold.  



Este poeta percebeu
que o valor maior
que existe no ser humano
é a sua capacidade espiritual.



Cultivar o que há de melhor
e maior
em cada um de nós,
é bom senso e sabedoria.



Ignorar esta capacidade ou não lhe dar a devida atenção é o maior de todos os defeitos que a pessoa humana pode cultivar.



Dizer que o homem é uma mistura de força e fraqueza, de luz e treva, de pequenez e grandeza, não é julgá-lo, é definí-lo. Denis Diderot.



Somos, portanto, seres especiais, portadores de potencialidades que nos projetam para além do que somos e aparentamos.



Estas potencialidades

agitam-se em nossas entranhas,

esperando,

como as sementes,

explodir,

serem descobertas,

treinadas e aperfeiçoadas.



Seremos pessimistas,

tristes e derrotados se ficarmos,

como as galinhas que possuem asas

e não voam.

Nestas condições,

focados na terra,

os olhos direcionam-se só para baixo,

ciscando o chão da vida,

envolvidos com o pessimismo

e tudo o que condiciona

e se relaciona a este fator de fracasso. 



Não é este nosso ideal.


O personagem Heipo

vem com outra proposta.



Voltamos ao conteúdo do livro do escritor Leonardo Boff*, “A Galinha e a Águia: uma metáfora da condição humana”, para fazer algumas reflexões a partir do rico conteúdo que se encontra no livro. 


O escritor compara as duas dimensões na qual o ser humano está envolvido: a dimensão da terra e a dimensão do infinito que está dentro de nós. 


Seremos possuidores de um comportamento otimista e alegre se, como as águias, possuidoras de asas, experimentarmos a liberdade dos espaços, e voarmos alto, procurando as oportunidades que o universo disponibiliza.



          As galinhas desde sempre,

possuem asas. 


          Elas voavam. 


         Lá pelas tantas da caminhada, os homens se tornaram caçadores. Tinham dificuldades para caçar galinhas. Tiveram a ideia de criá-las fechadas ou cercadas. As galinhas criadas em ambiente fechado, com o tempo deixaram de voar, mesmo soltas. Das galinhas criadas soltas, cortavam as asas. E elas já não podiam voar. Hoje, as galinhas, mesmo as soltas, já não voam mais. Continuam tendo asas. Mas por que não voam mais? Acostumaram-se. Atrofiaram uma das suas potencialidades.



          Trazendo o exemplo para a nossa vida, temos que fazer uma reflexão. 


          Não temos asas e não voamos. 


         Mas intimamente possuímos algumas capacidades que nos identificam com as águias. 


        Temos asas sim, e temos que voar. 


       Pode ser que tenhamos muito da galinha, mas temos muito mais das águias. 


        Temos asas invisíveis. Cada um de nós precisa avaliar se não está sacrificando a águia que está dentro de si. 


         Já estamos capacitados e projetados para alcançar a nova dimensão divina. 


         Desde que nascemos,

nascemos equipados com asas invisíveis...



Por isso o Heipo insiste

a procurar recuperar

a originalidade.



Esta originalidade está perdida
em algum lugar
dentro da nossa própria personalidade.



Está escondida ou dormindo dentro de nós. 



Pelo que vimos até agora, percebemos a riqueza e o potencial da pessoa humana. 


O reino humano está classificado apenas a uma dimensão inferior que a dimensão divina. 


Estamos apenas abaixo dos anjos, lemos em algum lugar da Bíblia. 


Mas já estamos capacitados com alguns atributos que nos projetam para fora do reino humano. 


Porém, até o dia de hoje nossas incapacidades atuais não estão suficientemente treinadas.



Um pouco mais na frente, serão aperfeiçoadas e atingirão o nível ideal.



Pouco sabemos sobre a dimensão divina. 


       Mas é algo que falta saber. 


Não convém fugir ou ignorar tal realidade. 


A indiferença ou apatia,

neste campo,

atrapalha ou interrompe

a evolução.



O que sabemos é que,

ou aceitamos esta dimensão superior

da qual já temos algo,

ou negamos a existência do nosso Pai,

Criador do universo,

e aí tudo ficará sem explicação mesmo. 


E nós acabaremos morrendo na praia. 


Tão perto e tão longe. 


Tão íntimas

e tão desconhecidas

qualidades divinas

escondidas no humano.



Na linha que o Heipo vem apresentando, percebemos que possuímos algumas características que não são próprias de nós, humanos. 


Ou melhor, são próprias dos seres humanos evoluídos, que ultrapassaram a definição e condição animal. 


Domesticaram e canalizaram as forças dos instintos pelo comando da razão. 


E a razão ajudada pela Lei Moral e Espiritual, aperfeiçoa esta pobre natureza, elevando-a para o nível da espiritualidade ou dignidade de filho do Deus Criador, ou Imagem e Semelhança Dele. 


Estas afirmações são verdadeiras.

Tão verdadeiras que quase não acreditamos.



Estudando e pesquisando as capacidades de aprendizagem e domínio de nós mesmos, fomos percebendo uma força extra, enxertada ou acoplada em nossa estrutura pessoal, isto é, a capacidade espiritual que nos promove para além da animalidade e da marca registrada de humanos. 


A capacidade espiritual,

rompe,

ultrapassa a horizontalidade

e projeta-nos para a dimensão vertical,

da altura e profundidade,

campos ilimitados.



Neste momento podemos fazer uma avaliação da nossa caminhada até o dia de hoje: em qual das dimensões estão os nossos sonhos e projetos? 


Na dimensão horizontal ou na vertical? 


Na dimensão horizontal

existem limites e barreiras,

mantendo-nos por aqui mesmo. 


Na vertical

há o infinito

que atrai

e nos projeta

para além de nós mesmos.



Lendo os livros da história, percebemos que ela é evolutiva. 


Se lá no distante passado andávamos de quatro, olhando quase só para o chão, evoluindo, passamos a andar só com os dois pés. 


Ficamos em pé, ficamos maiores.  


Levantamos nossos olhos e começamos a olhar para mais longe e para cima. 


Já não olhamos tanto para o chão.



E foi a partir desta situação

e condição de pessoas eretas

que vislumbramos um universo infinito.



Nosso criador, que é nosso Pai, mora nos céus. 


Por isso, por um instinto de saudades, não nos cansamos de olhar para lá. 


Somos filhos e herdeiros dos céus,

 mas ainda estamos na terra. 


Mas há uma semente viva,

escondida nalguma parte de nós.



Não estamos contentes

porque ainda não estamos completos. 


Ainda há muito a evoluir. 


Desta situação e condição de incompletude, brotam perguntas que viajam para além das fronteiras do conhecido pela razão.



A dimensão divina

ainda não é para nós

a desejada dimensão limpa,

transparente e perfeita. 


Temos apenas alguns elementos

ou atributos

dentro da constituição humana

que nos despertam e cutucam,

provocam

e ficam sem respostas definitivas. 


Mas já temos experiências,

e por mais fracas que sejam,

 nos convencem. 



Por mais fracos que sejamos,

aceitamos as dúvidas

e nos pomos a caminho,

com a livre convicção

que é preferível

e mais vantajoso caminharmos

de olhos vendados nesta escalada

do que, de olhos abertos

não encontrarmos

as respostas definitivas

para o sentido da vida

e da morte. 


Aceitar a deficiência parcial

das nossas faculdades

neste campo

não é de todo ingênuo e impeditivo,

mas desafio e provocação

para a busca das respostas definitivas.



 Na dimensão divina

está o Ser e a existência do nosso Pai Criador,

o Deus Trindade. 


Nesta dimensão reside o mistério. 


Mistério

não como algo que não pode ser conhecido,

mas mistério como algo

que é inesgotável o conteúdo de conhecimento,

maior inclusive, que nossa atual e própria

frágil maneira de conhecer.  



Acreditar nesta verdade
exigirá toda a reviravolta existencial:
passar a cultivar a dimensão do invisível. 


É o novo desafio,
a nova ciência,
a última
e definitiva ciência.



Eneas Paulo Budel Bogucheski                                        

eneaspb@gmail.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário