Dois tipos de pessoas,
dois tipos de atitudes
diante das artes.
Diante das coisas da vida
podemos ter
- a correta visão da arte, especial.
Diante das coisas da vida
podemos ver
- tudo dentro
do conceito de normal ,
rotineiro.
A pessoa treinada, antenada,
sensibilizada,
desperta o
entusiasmo,
a alegria e a vibração;
procura visualizar curvas,
formas, entonações, expressões,
cores e charmes.
A pessoa comum olha,
apenas usa os olhos,
e assume atitudes
de naturalidade,
acompanha
os passos da observação,
apenas ousando os olhos,
nada mais,
e cai na rotina.
Na pessoa treinada,
antenada e acoplada
com o senso artístico,
o espírito
e todas as potencialidades
estão totalmente presente;
A pessoa destreinada,
desinformada,
desatenta,
superficial,
está ali,
presente,
mas parece estar
ausente,
longe dali,
pensando em outra coisa,
fugindo de onde está,
imaginando-se noutro lugar,
perdendo o momento
e a integração
com quem ou com qual objeto
está envolvida.
Um dos princípios da unidade pessoal
é estar totalmente presente,
com todo o seu ser,
com todos os sentidos alertas
e atualizados
ali onde se encontra.
Isto é sabedoria conquistada,
ensinada pelos grandes inventores,
escritores, pensadores
e personagens históricos
que mudaram
o rumo da história.
Dois tipos de pessoas,
dois tipos de atitudes
diante das artes.
A pessoa treinada,
diante de qualquer obra
ou atitude artística,
experimenta a sensação
de liberdade,
de comunhão,
de envolvimento.
Na pessoa comum
inexiste qualquer reação
ou sentimento nobre.
Na pessoa treinada,
evoluída,
há a percepção da unidade
de vários elementos
que afirmam o triunfo da ordem
sobre o caos;
Na pessoa comum,
em vias de
desenvolvimento,
há a observação de objetos diversos,
bonitos, elegantes e atraentes,
porém, comuns e rotineiros.
Objetos normais,
comuns em todos os dias.
Na pessoa sensibilizada,
há o despertar de ‘uma sensação de poder
um poder interior
de possuir o que vê,
de interiorizar as perfeições
que observa’.
(Henry Wadsworth Longfellow).
Na pessoa comum,
a observação é simples,
de quem vê
e não transfere
para o interior
o que vê.
Na pessoa estudada nas
ciências,
‘a observação de uma obra de arte
é um passo do conhecido
para o desconhecido’.
(Gibran Kahlil Gibran).
Para algumas pessoas
ainda não educadas
para a curtição de arte,
a observação
de uma obra de arte
é um ato de visualizar
a ação de um artista
na transformação
de uma pedra bruta,
numa escultura.
Uma ação comum.
Simplesmente um ato de tirar lascas.
Nada, nada de extraordinário.
Uma total apatia.
Para outras poucas
pessoas,
interessadas ou atraídas
pela síntese da beleza,
a arte leva a uma viagem,
além do que se vê;
a uma outra dimensão da vida.
Mais além, mais longe,
mais cheia de significados,
como um símbolo,
plena de conteúdos
e mensagens.
Para muitas pessoas,
ainda, a arte ou
obras de arte,
são vários objetos artísticos,
expostos em museus
ou praças ou palcos,
e mesmo na natureza.
Para poucas pessoas,
a arte é um convite
para uma busca
que se inicia;
Para outras, distraídas,
encontros com a arte
é apenas um encontro
que satisfaz a curiosidade.
Para quem procura
algo
mais,
“a arte é a certeza
que o ideal de uma ideia
pode ser concretizado;
é a curtição de que um sonho
pode ser realizado’.
(Aristóteles)
Para quem não procura
nada,
a arte
é apenas uma ideia concretizada,
é um sonho conquistado
e finalizado.
Para quem sabe
para onde
ir,
‘a arte é uma trilha
que leva de volta,
da fantasia,
à realidade
e da realidade
à fantasia’.
(Sigmund Freud)
Para os apáticos,
a arte é uma obra a mais,
entre tantas,
no mundo possível
da realidade.
Existem pessoas
que ‘tentam
perceber
que a arte
é já mais da metade
do caminho
para a perfeição’.
(Madame De Puisieux).
Poucos conseguiram
perceber
que a arte
humana
já é quase divina,
obra perfeita
ou quase perfeita,
quase sem defeito.
Poetas, filósofos, profetas,
jornalistas e escritores,
entre tantos personagens,
veem “a arte como fruto
de um esforço para criar,
além do mundo real,
um mundo mais humano”
(André Maurois),
querido e desejado
pelo Criador e Pai Eterno.
Entre tantos,
existem ainda aqueles
para quem a arte está
onde não há desordem,
não há conflitos,
não há desvios,
não há burocracias
nem politicagem.
Existem aqueles
que olham a arte
com uma visão mística,
onde existe a convicção,
de que “a arte é uma expressão
dos mistérios mais ricos
e profundos da natureza humana,
a expressão de valores eternos
que existem
na interioridade
do homem
e da mulher”.
(Papa João Paulo II).
“A arte
é uma linguagem
que emprega
elementos da fé
e do mistério,
não esgotando conteúdos,
e acenando
um algo a mais.
(Papa João Paulo II).
Muitas pessoas
olham para a arte
e dizem que ela é apenas
expressão da capacidade natural
do ser humano,
a expressão do ser humano
dotado da racionalidade,
afetividade e operosidade artística.
Dizem que a arte
é apenas uma linguagem
que encanta pelos valores
que revelam
no que está sendo observado,
não ultrapassando
os limites
da fronteira racional.
Para os místicos
que aprenderam
a ciência
da perfeição,
“a arte é a capacidade
de expressar
o invisível
por meio do visível”.
(Eugène Fromentin).
Mas os ateus,
os céticos,
os materialistas
acreditam e afirmam
que a arte
é a capacidade visível
de expressar
as perfeições humanas
que podem ser divulgadas
e conhecidas.
E o poeta insiste
que “a arte
consiste
em perceber
que em todas as coisas
está uma recordação
do paraíso perdido,
a ser de novo,
reconquistado”.
(Phil Bosmans).
Enfim,
para quem está envolvido
com a evolução do ser humano,
a arte consiste
em perceber
que em todas as coisas,
está potente e latente,
à espera de decisões
e ações nossas,
a possibilidade de fazer
qualquer coisa
de uma maneira
mais perfeita.
- A arte é um
valor humano.
Está dentro da nossa realidade.
- A arte é uma
linguagem.
Convém decifrá-la
para nosso bem.
- A arte
revela que estamos com sede;
Convém saciá-la.
- A arte
existe.
Não há como ignorá-la.
- A arte faz
falta.
Não dá para viver sem ela.
- A arte
complementa e aperfeiçoa.
Convém namorá-la.
Uma obra de arte,
é, na sua origem,
fruto do empenho
da observação
feita com profundidade.
Não é do mundo da arte,
a superficialidade
nem a rapidez.
É do time da arte,
a admiração,
a concentração,
a calma,
a paz e o silêncio.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
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