quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A arte comum e a arte especial, com sabor 41



Dois tipos de pessoas,

dois tipos de atitudes

diante das artes.

 

Diante das coisas da vida

podemos ter

- a correta visão da arte, especial.



Diante das coisas da vida

podemos ver

- tudo  dentro do conceito de normal ,
  rotineiro.



A pessoa treinada, antenada,

sensibilizada,
desperta o entusiasmo,

a alegria e a vibração;  

procura visualizar curvas,

formas, entonações, expressões,

cores e charmes.



A pessoa comum olha,

apenas usa os olhos,

e assume atitudes
de naturalidade,

acompanha
os passos da observação,

apenas ousando os olhos,

nada mais,

e cai na rotina.



Na pessoa treinada,

antenada e acoplada

com o senso artístico,

o espírito

e todas as potencialidades

estão totalmente presente;



A pessoa destreinada,

desinformada,

desatenta,

superficial,

está ali,
presente,

mas parece estar ausente,

longe dali,

pensando em outra coisa,

fugindo de onde está,

imaginando-se noutro lugar,

perdendo o momento

e a integração

com quem ou com qual objeto

está envolvida.



Um dos princípios da unidade pessoal

é estar totalmente presente,

com todo o seu ser,

com todos os sentidos alertas

e atualizados

ali onde se encontra.



Isto é sabedoria conquistada,

ensinada pelos grandes inventores,

escritores, pensadores

e personagens históricos

que mudaram

o rumo da história.



Dois tipos de pessoas,

dois tipos de atitudes

diante das artes.



A pessoa treinada,

diante de qualquer obra

ou atitude artística,

experimenta a sensação de liberdade,

de comunhão,

de envolvimento.



Na pessoa comum

inexiste qualquer reação

ou sentimento nobre.



Na pessoa treinada,

evoluída,

há a percepção da unidade

de vários elementos

que afirmam o triunfo da ordem

sobre o caos;



Na pessoa comum,

em vias de desenvolvimento,

há a observação de objetos diversos,

bonitos, elegantes e atraentes,

porém, comuns e rotineiros.

Objetos normais,

comuns em todos os dias.



Na pessoa sensibilizada,

há o despertar de ‘uma sensação de poder

um poder interior

de possuir o que vê,

de interiorizar as perfeições

que observa’.
(Henry Wadsworth Longfellow).



Na pessoa comum,

a observação é simples,

de quem vê

e não transfere

para o interior

o que vê.



Na pessoa estudada nas ciências,

a observação de uma obra de arte

é um passo do conhecido

para o desconhecido.

(Gibran Kahlil Gibran).



Para algumas pessoas

ainda não educadas

para a curtição de arte,

a observação
de uma obra de arte

é um ato de visualizar

a ação de um artista

na transformação
de uma pedra bruta,

numa escultura.

Uma ação comum.

Simplesmente um ato de tirar lascas.

Nada, nada de extraordinário.

Uma total apatia.




Para outras poucas pessoas,

interessadas ou atraídas

pela síntese da beleza,

a arte leva a uma viagem,

além do que se vê;

a uma outra dimensão da vida.

Mais além, mais longe,

mais cheia de significados,

como um símbolo,

plena de conteúdos
e mensagens.



Para muitas pessoas,

ainda, a arte ou obras de arte,

são vários objetos artísticos,

expostos em museus

ou praças ou palcos,

e mesmo na natureza.



Para poucas pessoas,

a arte é um convite

para uma busca

que se inicia;



Para outras, distraídas,

encontros com a arte

é apenas um encontro

que satisfaz a curiosidade.



Para quem procura
algo mais,

a arte é a certeza

que o ideal de uma ideia

pode ser concretizado;

é a curtição de que um sonho

pode ser realizado’.

(Aristóteles)



Para quem não procura nada,

a arte
é apenas uma ideia concretizada,

é um sonho conquistado

e finalizado.



Para quem sabe
para onde ir,

a arte é uma trilha

que leva de volta,

da fantasia,

à realidade
e da realidade

à fantasia’.

(Sigmund Freud)



Para os apáticos,

a arte é uma obra a mais,

entre tantas,

no mundo possível

da realidade. 



Existem pessoas

que ‘tentam perceber

que a arte
é já mais da metade

do caminho
para a perfeição’.

(Madame De Puisieux).



Poucos conseguiram perceber

que a arte humana

já é quase divina,

obra perfeita

ou quase perfeita,

quase sem defeito.



Poetas, filósofos, profetas,

jornalistas e escritores,

entre tantos personagens,

veem “a arte como fruto

de um esforço para criar,

além do mundo real,

um mundo mais humano

(André Maurois),

querido e desejado

pelo Criador e Pai Eterno.



Entre tantos,

existem ainda aqueles

para quem a arte está

onde não há desordem,

não há conflitos,

não há desvios,

não há burocracias

nem politicagem.



Existem aqueles
que olham a arte

com uma visão mística,

onde existe a convicção,

de que “a arte é uma expressão

dos mistérios mais ricos

e profundos da natureza humana,

a expressão de valores eternos

que existem
na interioridade
do homem

e da mulher”.

(Papa João Paulo II).



A arte
é uma linguagem

que emprega
elementos da fé

e do mistério,

não esgotando conteúdos,

e acenando
um algo a mais.

(Papa João Paulo II).



Muitas pessoas

olham para a arte

e dizem que ela é apenas

expressão da capacidade natural

do ser humano,

a expressão do ser humano

dotado da racionalidade,

afetividade e operosidade artística.

Dizem que a arte

é apenas uma linguagem

que encanta pelos valores

que revelam

no que está sendo observado,

não ultrapassando

os limites

da fronteira racional.



Para os místicos

que aprenderam
a ciência da perfeição,

a arte é a capacidade
de expressar

o invisível
por meio do visível”.

(Eugène Fromentin).



Mas os ateus,

os céticos,

os materialistas

acreditam e afirmam

que a arte
é a capacidade visível

de expressar

as perfeições humanas

que podem ser divulgadas

e conhecidas.



E o poeta insiste

quea arte consiste

em perceber

que em todas as coisas

está uma recordação

do paraíso perdido,

a ser de novo,

reconquistado”.

(Phil Bosmans).



Enfim,

para quem está envolvido

com a evolução do ser humano,

a arte consiste

em perceber
que em todas as coisas,

está potente e latente,

à espera de decisões
e ações nossas,

a possibilidade de fazer
qualquer coisa

de uma maneira
mais perfeita.

  

- A arte é um valor humano.

Está dentro da nossa realidade.



- A arte é uma linguagem.

Convém decifrá-la para nosso bem.



- A arte revela que estamos com sede;

Convém saciá-la.



- A arte existe.

Não há como ignorá-la.



- A arte faz falta.

Não dá para viver sem ela.



- A arte complementa e aperfeiçoa.

Convém namorá-la.





Uma obra de arte,

é, na sua origem,

fruto do empenho

da observação

feita com profundidade.



Não é do mundo da arte,

a superficialidade

nem a rapidez.



É do time da arte,

a admiração,

a concentração,

a calma,

a paz e o silêncio.



Eneas Paulo Budel Bogucheski





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