É gostoso ouvir tua
voz.
Gosto de escutar tuas
palavras.
Sinto prazer de ver
você
gesticulando,
completando suas palavras
com os gestos das
tuas mãos,
dos teus lábios, do
teu corpo.
Se eu te ouvir,
se eu te escutar,
se eu dirigir para
você
minha atenção,
entrarei em sintonia
com as suas
intenções,
com suas palavras,
com o que você é.
E tudo o que você diz
e é
estará vindo em minha
direção
criando o clima, a
sintonia,
a empatia.
Em mim há a abertura,
um lugar íntimo, interno,
invisível, disponível
para você sentir-se
totalmente à vontade,
livre e alegre.
Ei sei o que vem
junto com suas palavras:
sua incapacidade
de mostrar-se toda inteira,
como és, o que sente,
como sente.
Sua voz calada,
engasgada.
Seus mistérios
escondidos,
desejando sair,
expor-se.
Sua timidez, a
limitar-te.
Teus sofrimentos
carregados,
sem entende-los,
e para que servem.
Muito mais do que
você consegue dizer,
sei ler os teus
sentimentos não expressados.
Você insinua, exala,
deixa transparecer,
sentimentos,
impossíveis de
extroversão.
Sua voz
é pouco importante.
O que você é,
diz mais,
mas não diz tudo.
Por isso, além de te escutar,
quero te ler e
interpretar,
quero te auscultar,
observar-te por
inteiro,
escutar tudo o que
tens a dizer,
e o que não
consegues.
Quero decifrar
sinais,
a linguagem das
rugas,
os olhares afetuosos,
os sorrisos longos
e silenciosos.
Estarei atento
às batidas do teu
coração,
ao pulsar do sangue
em tuas veias,
contando tudo, as razões
do teu viver.
Acontece assim, a
hospitalidade,
o acolhimento, a
identificação.
Venha, ajeite-se em
meu lar.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 19/05/2017
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