sexta-feira, 19 de maio de 2017

Venha, ajeite-se em meu lar. 57




É gostoso ouvir tua voz.


Gosto de escutar tuas palavras.


Sinto prazer de ver você
gesticulando,
completando suas palavras
com os gestos das tuas mãos,
dos teus lábios, do teu corpo.


Se eu te ouvir,
se eu te escutar,
se eu dirigir para você
minha atenção,
entrarei em sintonia
com as suas intenções,
com suas palavras,
com o que você é.


E tudo o que você diz e é
estará vindo em minha direção
criando o clima, a sintonia,
a empatia.


Em mim há a abertura,
um lugar íntimo, interno,
invisível, disponível
para você sentir-se
totalmente à vontade,
livre e alegre.


Ei sei o que vem junto com suas palavras:
sua incapacidade
de mostrar-se toda inteira,
como és, o que sente, como sente.
Sua voz calada, engasgada.
Seus mistérios escondidos,
desejando sair, expor-se.
Sua timidez, a limitar-te.
Teus sofrimentos carregados,
sem entende-los,
e para que servem.


Muito mais do que você consegue dizer,
sei ler os teus sentimentos não expressados.


Você insinua, exala,
deixa transparecer,
sentimentos,
impossíveis de extroversão.


Sua voz
é pouco importante.


O que você é,
diz mais,
mas não diz tudo.


Por isso, além de te escutar,
quero te ler e interpretar,
quero te auscultar,
observar-te por inteiro,
escutar tudo o que tens a dizer,
e o que não consegues.


Quero decifrar sinais,
a linguagem das rugas,
os olhares afetuosos,
os sorrisos longos
e silenciosos.


Estarei atento
às batidas do teu coração,
ao pulsar do sangue em tuas veias,
contando tudo, as razões do teu viver.
   

Acontece assim, a hospitalidade,
o acolhimento, a identificação.


Venha, ajeite-se em meu lar.



Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 19/05/2017

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