domingo, 14 de maio de 2017

O céu está longe, ou aqui bem pertinho. 56


 

 

Você olhou para cima hoje?

 

 

Se sim,

você viu

um pedaço do céu.

 

 

No céu voam pássaros,

aviões

e nuvens.

 

 

Dentro dos aviões, pessoas;

umas abertas,

outras fechadas.

 

 

E nós aqui,

no chão,

sem voar,

vemos o céu invisível,

se tornar visível

numa pequena parte,

suficientemente belo,

atraente, obra de arte,

vestígios do Artista.

 

 

No céu visível,

passeiam pássaros,

aviões e nuvens,

criaturas

e mensagens decifradas,

admiradas

por tanto esplendor,

reflexos do Criador.

 

 

O céu pode estar lá longe,

ou aqui, bem pertinho,

que até dá para senti-lo.

 

 

A partir do meio dia

as grossas nuvens foram embora

e deixaram a luz do sol

tocar o chão da terra,

os telhados,

a natureza toda,

e minha sensibilidade.

 

Felizmente eu estava fora,

aberto, sensível e vivo.

 

Olhei para cima

e vi o céu,

visível.

 

Então vi nuvens brancas finíssimas,

pinceladas, quase transparentes,

rabiscadas num fundo azul celeste.

 

Esparramadas, lá, ali e acolá,

em formas desalinhadas,

artisticamente colocadas

por pincéis e mãos

de artista competente.

 

Que espetáculo, gratuito,

sugerindo à minha mente,

ao meu espírito,

parar, sentar e degustar,

deixar bater,

descompassadamente,

o coração. 

 

De vez em quando

um avião atravessava

a imensidão azulada.

Quem me dera estar lá,

dentro da aeronave,

na janela, curtindo junto,

tudo, lá em cima, do céu. 

 

Dentro dos aviões, pessoas, fechadas.

Fechadas as janelas e portas

do veículo terrestre.

Fechadas em seus interesses,

em seus objetivos e buscas.

 

Não abrem as janelas.

Não conseguem ver nada

além do que levam dentro de si.

 

O que buscam?

Onde vão buscar, tão longe,

se tão perto está o céu.

 

Se, aqui de baixo,

vejo-as dentro dos aviões

buscando o céu,

cruzando mares e fronteiras

e não encontrando em nenhum lugar

o que procuram,

que os contente.

 

Quando estão na terra,

esquecem de olhar para o céu,

e por isso, não sabem bem

o que procurar

que lhes satisfaça

o encontro

com Aquele que colocou

dentro deles, o desejo do céu.

 

E eu aqui, no chão,

sem voar,

vejo o céu invisível,

se tornar visível

numa pequena parte,

suficientemente belo,

atraente, obra de arte,

vestígios do Artista.

 

No céu visível,

passeiam pássaros,

aviões e nuvens,

criaturas e mensagens decifradas,

admiradas por tanto esplendor,

reflexos do Criador.

 

Olhei para o céu e vi,

e li,

e senti,

a proximidade que há,

entre mim e Ti.

 

O céu não está tão longe.

Acho que sou eu que não sei ver

Quem está no céu,

dentro de mim.

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 14/05/2017


 

 

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