Você olhou para cima hoje?
Se sim,
você viu
um pedaço do céu.
No céu voam pássaros,
aviões
e nuvens.
Dentro dos aviões, pessoas;
umas abertas,
outras fechadas.
E nós aqui,
no chão,
sem voar,
vemos o céu invisível,
se tornar visível
numa pequena parte,
suficientemente belo,
atraente, obra de arte,
vestígios do Artista.
No céu visível,
passeiam pássaros,
aviões e nuvens,
criaturas
e mensagens decifradas,
admiradas
por tanto esplendor,
reflexos do Criador.
O céu pode estar lá longe,
ou aqui, bem pertinho,
que até dá para senti-lo.
A
partir do meio dia
as
grossas nuvens foram embora
e
deixaram a luz do sol
tocar
o chão da terra,
os
telhados,
a
natureza toda,
e
minha sensibilidade.
Felizmente
eu estava fora,
aberto,
sensível e vivo.
Olhei
para cima
e
vi o céu,
visível.
Então
vi nuvens brancas finíssimas,
pinceladas,
quase transparentes,
rabiscadas
num fundo azul celeste.
Esparramadas,
lá, ali e acolá,
em
formas desalinhadas,
artisticamente
colocadas
por
pincéis e mãos
de
artista competente.
Que
espetáculo, gratuito,
sugerindo
à minha mente,
ao
meu espírito,
parar,
sentar e degustar,
deixar
bater,
descompassadamente,
o
coração.
De
vez em quando
um
avião atravessava
a
imensidão azulada.
Quem
me dera estar lá,
dentro
da aeronave,
na
janela, curtindo junto,
tudo,
lá em cima, do céu.
Dentro
dos aviões, pessoas, fechadas.
Fechadas
as janelas e portas
do
veículo terrestre.
Fechadas
em seus interesses,
em
seus objetivos e buscas.
Não
abrem as janelas.
Não
conseguem ver nada
além
do que levam dentro de si.
O
que buscam?
Onde
vão buscar, tão longe,
se
tão perto está o céu.
Se,
aqui de baixo,
vejo-as
dentro dos aviões
buscando
o céu,
cruzando
mares e fronteiras
e
não encontrando em nenhum lugar
o
que procuram,
que
os contente.
Quando
estão na terra,
esquecem
de olhar para o céu,
e
por isso, não sabem bem
o
que procurar
que
lhes satisfaça
o
encontro
com
Aquele que colocou
dentro
deles, o desejo do céu.
E
eu aqui, no chão,
sem
voar,
vejo
o céu invisível,
se
tornar visível
numa
pequena parte,
suficientemente
belo,
atraente,
obra de arte,
vestígios
do Artista.
No
céu visível,
passeiam
pássaros,
aviões
e nuvens,
criaturas
e mensagens decifradas,
admiradas
por tanto esplendor,
reflexos
do Criador.
Olhei
para o céu e vi,
e
li,
e
senti,
a
proximidade que há,
entre
mim e Ti.
O
céu não está tão longe.
Acho
que sou eu que não sei ver
Quem
está no céu,
dentro
de mim.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 14/05/2017
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