quarta-feira, 25 de maio de 2016

Esperando o dia amanhecer 51



Todo dia


o sol se levanta


mais cedo do que eu


e me oferece um dia pela frente.




Não, desta vez não vai ser assim.


Desta vez, sou eu


que vou esperar o sol


trazer luz


e daí vou conversar com ele


sobre os meus projetos para este dia.




Daí sim,


vou contar com a ajuda dele


para saber onde vou colocar


os meus passos.





Quando levanto,


o sol já cumpriu um quarto


da sua responsabilidade,


e eu,


mal comecei o meu dia.




Hoje, vou levantar,


quando ainda o sol estiver vindo,


lentamente, lá do oriente.




Ainda escuro,


sem luzes,


vou sentar e esperar


que ele me traga luz,


claridade,


e entregue,


em minhas mãos,


um novo dia,


cheio


de vinte e quatro horas.




Ouvindo o silêncio do amanhecer,


alguns pássaros cantando


e um galo anunciando


a chegada do sol,


sentei-me e esperei.




E o sol vem vindo,


de mansinho,


pintando rabos de galo


no espaço celeste,


com a ajuda do vento,


montando figuras


mal formadas


pela nevoa


quase transparente,


vestindo o nu invisível


da natureza viva,


mil cores a enfeitar


e descortinar a abertura


de um novo dia


no palco da vida.






Os ouvidos ouvem,


os olhos curtem


e a pele sente


o frescor do amanhecer.






O silêncio ainda está por ali,


sem pressa de ir embora


porque faz parceria


com o contexto


da beleza do amanhecer.





O sol,


aparece,


lá longe,


no horizonte,


avisando com seus raios,


que quer conversar.






Aparece redondo,


vermelho, vivo e alegre,


tocando de leve,


com ternura,


o meu rosto e meus braços,


tomando a iniciativa do diálogo,


nem sequer esperando que lhe diga algo:




E o Sol me disse:




Hoje quero te ver contente,


esbanjando valores, entusiasmo,


alegria e admiração.




Estou vindo para você perceber


de quantos motivos e ações


você pode encher o teu dia.




Não, não se preocupe em responder.




Apenas acolha-me,


aceite-me e ame-me


como Alguém


que tem prazer em te servir.






Fiquei ali, milhares de segundos


até voltar à consciência


de quem eu sou


e do que estou fazendo aqui,


como um eremita contemplativo.





Eu parado, 


e o sol ‘andando’. 




Eu quieto e passivo, 


e o sol, quente e ativo.





Então compreendi


que quando olhamos para cima,


para o céu,


para o divino,


não somos nós quem devemos falar


e sim, captar, receber, escutar,


sintonizar


com o que de mais importante necessitamos


como seres humanos:


escutar declarações de amor,


do Criador, nosso Pai.



Não temos nada a pedir


para o Deus, nosso Pai e Criador,


Provedor de todas as nossas necessidades.




Tudo o que precisamos,


já recebemos


e está ao nosso dispor.




O dia, as vinte e quatro horas,


são a matéria prima


onde colocaremos nossos dons


e qualidades


a serviço uns dos outros,


com o Sol por testemunha.







Eneas Paulo Budel Bogucheski



Atualizado em 21/09/2016.

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