sexta-feira, 1 de abril de 2016

Sinto sede ... como obra de arte inacabada. 50



Curioso sobre o tema da morte

eu quase desejava morrer,

para saber mais

sobre o que sabemos

de menos.


             Cultivei a esperança

                        no lado de lá.


             Quase quis ficar

                         por aqui.


             Não me conformava

em ser apenas terráqueo.


             Eu tenho algo

que não é daqui.


   É de lá

a minha melhor parte,

a mais duradoura.


   É de lá

minha natureza

definitiva.

 

Tenho esperanças

de que sou herdeiro

e que tenho

uma herança eterna

a cultivar.

 

Durante minha vida

procurei sempre

as pegadas do espírito,

sutil,

despercebidas

pelo olhar corporal.


       No Heipo’s World

estão registradas

as impressões digitais

de um personagem

feito aqui,

para chegar lá,

no lado de lá.

 

O espírito

que sou

me manterá

para sempre.

 

O que não é espírito

ajudou o espírito

a buscar a unidade,

a unificação.

 

Há algo mais

que nossas capacidades mentais

possibilitam conhecer.

 

Há algo mais

além do que nossos olhos veem.

 

Há algo mais

para lá

do que nossos sentimentos

experimentam.

 

Há algo mais

que a fé diz existir

e que ainda nos escapa.

 

Há algo em nós

que é sobrenatural,

e que nos ultrapassa

e que esconde ‘algo’.

 

Há algo mais

que nos provoca,

atraindo-nos e nos chama,

e nos deixa ansiosos.

 

O que é desconhecido

quer se fazer conhecido.

 

O que nos mantém presos

e inseguros

é a sensação

do despreparo.

 

Se nos sentimos despreparados

é porque

não nos conhecemos

suficientemente.

 

Receamos conhecer

o desconhecido

que promete mais,

e nos acostumamos

com o conhecido

que não nos realiza.

 

Em cada um de nós

existem possibilidades

desconhecidas,

ainda dormindo.

 

Abrir-se ou aventurar-se

no campo do infinito

é a maior

de todas as ambições humanas.

 

É uma aventura,

quase um escape,

um querer fugir

do mundo pequeno.

 

É uma revolta

contra tudo aquilo

que não preenche,

não completa,

não realiza

e deixa um sutil sentimento

de frustração.

 

Abrir-se para o infinito

é romper as fronteiras e os limites.

 

É vivenciar os melhores valores

que temos à disposição.

 

Estes valores, vivenciados,

  provam a existência do céu. 

 

       O infinito faz cócegas no finito.

 

             Desperta a curiosidade.

 

                  Abre as portas

                     para esperanças novas.

 

                 Sou o mais completo,

              complexo

            e complicado ser da criação.

 

      Mas experimento também

a força da limitação.

 

    Mas esta limitação,

       é apenas um detalhe,

          um componente do todo.

              Não é um obstáculo

                  intransponível.

 

   Tenho ideais

        mais altos e mais fortes

            do que sou.

 

Tenho sonhos infinitos

         que querem alargar

             os limites do que sei

                  e experimento.

 

          Minha fragilidade humana

    Limita

o que de eterno há em mim.

 

        O que há de finito em mim,

              serve de copo

                    para recepcionar

                         o infinito.

 

                         Cabe?

                  Cabe sim,

          vazando,

escapando,

      segurando as sobras

              que satisfazem.

                         

Quão pequeno sou,

    quase incapaz,

       mas teimoso e esperançoso,

          tento fazer caber

              dentro das minhas limitações,

                   “o maior”, o imenso,

                        o infinito. 

 

 

 Há de caber

    o que não posso conter?

 

         Se não couber todo,

              há de vazar.

 

           Mais mérito há de ser assim,

        do que manter vazio

    um espaço criado

para recepcionar o infinito.

 

 

Está para acontecer,

a qualquer momento,

se não me arrebento,

coisa grande vai acontecer.

 

  Será que estamos à porta?

     ou à beira, do fim? 

         

     Ou de um novo grande evento?

           Um recomeço?

 

                    Vamos continuar.

 

                  É melhor arriscar,

          do que ficar por aqui,           

  estacionado.

 

 

      Aqui, a ‘coisa’ vai acabar.

            Lá, a ‘coisa’ está sempre

                a começar.

 

              Esta inquietação

                 atrai e convida,

                    e se expõe,

                      e se impõe.

               

É uma atração.

  Espera um sim.

       Exige uma resposta.

 

                   Não há como resistir.

 

Não é algo comum.

 

 

       Não faz parte da rotina.

 

 

            Escapa das nossas mãos

            e visões.

 

                 

 

       Será um dom, a teimosia? 

       Um desequilíbrio da natureza?

 

 

 

 

Na grande síntese da vida

     apenas três realidades existem:

          o mundo, o homem

              e o nosso Pai Criador.

 

    Destas três a que menos conhecemos

        é o nosso próprio Pai Criador.

 

         O que sei e o que não sei,

            do Deus Uno e Trino,

               merece

                 maior investimento.

 

          O mundo visível,

             já o conhecemos,

               mesmo que superficialmente,

                    pois que somos barro

                      da terra.

 

O mundo invisível

    esconde códigos e senhas

       e estamos começando

           a decifrá-los.

 

Do homem

   temos um razoável conhecimento

      pela História e pela lida,

          no dia a dia.

 

 

Estamos continuamente,

uns ao lado dos outros.

 

E muitos de nós,

causamos espanto

e surpresas.

 

Na natureza humana

surgem algumas interrogações.

 

As definições filosóficas e científicas

não esgotaram a intimidade,

o conteúdo e as promessas

feitas às criaturas humanas,

imagem e semelhança

do Pai Criador.

 

Há ansiedade insatisfeita.

 

Há profundidade infinita

na natureza humana

que só o infinito

pode suavizar,

que só o infinito

pode ‘encher’.

                                                 

Do Deus Pai

e do Deus Filho

e do Deus Espírito Santo,

as fontes de pesquisas

são infinitas.

 

E é por aqui

que agora havemos de pisar,

pesquisar

envolver-nos,

fazer parte,

complementar-nos.

 

Esta parceria,

promover para aliança,

é a mais acertada tacada

do nosso último empreendimento

na escalada da pirâmide da perfeição.

 

 

Devemos desistir?

 

Mas por que deixar como está?

 

Na escuridão?

 

Ignorando a fonte da Luz

que nos faz enxergar

do lado lá

e um pouco mais

 acima?

 

Quero morar lá,

onde mora o Infinito.

 

 

Algo em mim impulsiona,

    energiza e anima

        o que tenho de humano,

           em direção a algo mais,

               além deste mundo,

                     além do que vejo,

                        sinto e percebo.

 

                               Algo condiciona

                             e impulsiona

                           meu frágil ser,

                        a expressar-se

                      mais do que posso.

 

               Algo me anima

                    a querer e poder

                           mais do que sou.

 

Não ao não.

Mas sim ao sim.

                                 

Sinto cócegas.

         Preciso me coçar.

 

Numa hora quero ser mais livre,

     quero voar, mas não consigo,

         não tenho asas.

 

    Noutra hora

       quero transportar-me

          para o alto da montanha,

              sem dar os passos

                    por entre as pedras.

 

Querendo ser mais

   experimento as barreiras,

      as cadeias,

         as cordas,

             as correntes,

                 as carências,

                     as impotências,

                         e a paralisia.

 

Eis que ainda sou

    uma mistura de massas,

        composta pela síntese mineral,

            vegetal, animal e humana,

                habitado

                    por migalhas de infinito.

                        

Quero devolver-me ao infinito

           mesmo sendo massa pesada.

 

Sei que minha alma é leve

                 e transparente.

 

Estou na terra,

     mas não sou terráqueo.

 

     Se daqui eu fosse,

         seria muito mais sossegado.

 

           Mas tem coisa dentro de mim

                que cutuca o bicho preguiça,

                    que desperta outro bicho,

                         escondido,

            atrás desta natureza humana,

      projetada para novos horizontes,

 novos espaços,

      novo jeito de ser,

                ainda desconhecido.

 

De repente,

   de novo,

        experimento-me

             curtindo uma expectativa

                   uma esperança,

                       ou uma ânsia,

                         uma saudade...

                que me parece não ser minha...

          Uma sensação

    de que não sou daqui...

 

Não me acostumo

com minhas limitações.

 

Meus limites temporários

   fazem-me esquecer

       que sou humano,

           limitado pelos dois pés.

 

E me fazem sentir

      o que é ser já,

          eterno,

              sem ser.

 

       E aí o tempo passa

e eu não percebo

         o tempo passar.

 

Será esta a sensação

     de sentir,

           que não sou daqui?

 

Eis que sou e estou

      morando no tempo.

 

No Céu, fora do tempo,

  o meu e nosso Pai,

     o Artista que nos criou,

        o Perfeito

            está sempre a chamar:

                          Vem’.

 

Existe uma ânsia,

      uma vontade ou um sonho

          que arde

       dentro de cada um de nós,

    pessoas humanas realmente,

e divinas potencialmente.

 

O que há de humano em nós,

      contenta-nos ou nos humilha.

 

O que há de divino em nós

      manifesta-se como sede

                    que não sacia,

          como obra de arte

inacabada.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski  

Atualizado em 31/03/2016

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