sábado, 6 de fevereiro de 2016

Procurando o Artista escondido entre as obras de arte. 47


 

Se um dia acontecer

de eu ficar estranho,

ou esquisito,

tipo extraterrestre,

fique atento ...

 

Ache graça e sorria.

 

A experiência pessoal

de unidade

é algo fantástico.

 

Somos uma potencialidade

tão grande e surpreendente

que, às vezes, nos encantamos

com nosso próprio pensamento,

com as emoções e com

o nosso procedimento.

 

Quando se está de mãos dadas

com os valores da ética,

da bondade,

do amor,

da arte,

da ternura,

da simpatia,

com expressões de alegria,

contentamento e êxtase,

estamos fazendo

a experiência humana

mais profunda,

tão profundamente humana,

que até ultrapassa nossos limites

de contentamento.

 

Quase explodimos.

 

Aí a gente se espanta e pergunta:

O que é isso, minha gente?

 

Se um dia acontecer,

de eu ficar meio diferente,

fora de mim,

estranho ou esquisito,

descartem todas as possibilidades doentias.

 

Se acontecer,

acreditem,

será em decorrência

de ter entrado numa órbita diferente.

 

Será a consequência

de ter percebido

um vislumbre,

uma faísca

da grandiosidade,

do nosso Pai dos céus.

 

Ele quase se mostra

para o filho curioso,

ao olhar para o lado onde ‘mora’,

ou aqui, dentro de mim,

e aí, dentro de ti, e lá,

lá no céu estrelado.

 

Pasmado

diante do pôr de sol,

ou das múltiplas tonalidades de cores

do entardecer,

quase O vemos.

 

Extasiado,

miro a face das pessoas,

vislumbrando nas expressões de bondade,

reflexos indecifráveis,

da imagem do Criador,

nosso Pai Eterno.

 

As pessoas

e a natureza toda

em harmonia,

gritam,

querendo revelar o Artista,

escondido entre as obras de arte

que visualizamos.

 

Analfabetos,

iletrados nas ciências das perfeições,

usamos apenas nossos olhos.

 

 

Mas quando nossos olhos

acolhem e enviam para nosso íntimo

as belezas de fora, nossa boca se abre,

as palavras não aparecem

e a mudez trava tudo.

 

Com o beiço caído

o bem e o belo

despertam a capacidade pequena e imperfeita

de querer admirar algo maior

que nosso ser consegue.

 

Este dom que não é nosso,

parece coisa emprestada,

que não sabemos manusear.

 

Quando me ponho a admirar

este Universo,

orquestra afinada,

unidade compreendida

como beleza e ordem,

perfeita,

dentro da multiplicidade

de elementos,

me calo,

me extasio,

e me incluo em tudo e em todos.

 

É um experimentar infinito

dentro de um corpo finito,

humano, e que muitas vezes

quase explodiu

por ter ficado pasmado,

como que “fora de mim”

ou, no mais profundo da minha identidade,

ou na mais radical experiência

de finitude,

ou na infinita experiência

de já antever a realidade

de filho do Pai do céu.

 

Se acontecer

de eu ficar demasiado tempo,

olhando para cima,

para o céu estrelado e infinito,

acreditem,

de verdade,

que estou sendo

transportado lá para cima.

 

E, se lá eu ficar,

não queiram me buscar,

e nem terei pressa em voltar.

 

Entendam-me e invejem-me.

 

É o Heipo desejando expressar-se.

 

É a minha

mais profunda e verdadeira natureza,

querendo ser livre, e manifestar-se

como filho e herdeiro

de todos estes bens maravilhosos.

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski            
Atualizado em 06/02/2016
eneaspb@gmail.com
 

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