quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Irati, Ir a ti cidade amada! 48


 

Pensei no meu jeito de ser homem,
 macambuso, rabugento,
rotineiro, desgastado.
 
Diminuindo meu potencial,
secando-me como semente,
escondendo algo.
 
Como repolho me fechando,
diminuindo o alcance dos olhos.
 
Reduzindo a quase nada
uma potência infinita.
 
- Que poder desgastante
tem a rotina!
 
- Que poder redutor
tem a acomodação
e a preguiça!
 
No dia-a-dia da minha vida,
lavrador que sou,
na horta da vida
só cultivo pepinos,
abóboras e ervas daninhas.
 
Moranguinhos,
ameixas e frutas gostosas,
raramente colho
porque quase não as semeio
e não as cultivo,
e porque exigem muito
da minha natureza acomodada.
 
Mas que burrice,
não é meus amigos!
 
 
Se tenho o terreno
à minha mão
se tenho as ferramentas
se tenho as sementes
das boas frutas,
por quê guardá-las
e no pote da prateleira estocá-las?
 
 
Não são exatamente estes produtos
que o mercado mais procura?
 
 
Passa inverno, passa verão,
passa rapidamente a primavera,
a estupenda primavera
e os outonos também.
 
 
E eu aqui de novo
a cultivar erva daninha,
pepinos e repolhos,
produtos que
ninguém gosta,
indigestos.
 
 
Perdendo tempo precioso.
 
 
Acomodando e estocando energias.
 
 
Enterrando talentos
sem nada fazer.
 
 
A omissão
me desclassifica como operário.
 
 
O despertador toca...
 
 
O relógio do tempo convida a levantar.
 
Se dentro de mim existe
uma semente de eternidade,
filho do Deus Pai,
sou potencial herdeiro
de promessas eternas.
 
 
Não quero, não devo,
não posso mais
ficar só na casca
e na superfície,
lustrando e guardando aparências
que não encontram eco
naqueles que esperam de mim
algo novo,
diferente do rotineiro.
 
 
Sim, algo novo
está agitando aqui dentro,
querendo sair,
querendo manifestar-se.
 
 
Um ser especial há de brotar,
nem que algo tenha que morrer.
 
 
‘Se a semente não morrer’,
Está escrito em algum lugar sagrado ...
 
 
Cultivar meu eu verdadeiro,
meu novo eu?
 
 
Existe esta possibilidade?
 
 
Sair de mim e
Ir a ti.
 
 
IRATI, minha cidade natal,
onde germinei, como semente,
onde cresci sem nada produzir.
 
 
E agora, onde estou?
Em Curitiba.
 
 
Um eu quer voltar, Ir a ti.
Outro eu, será outro eu, que aqui está?
 
 
Quantos dois eus sou
se na frente do espelho
só me vejo um?
 
 
De dentro do velho homem,
eu apareço no espelho,
e o outro eu, de dentro,
que não aparece,
é invisível?
 
 
Um é visível
e já não encanta.
 
 
O outro, invisível,
encanta e agrada,
quando se expressa
na fisionomia do visível.
 
 
É este eu invisível
que hei de explodir,
de ressuscitar
qual broto que da casca sai
e de novo jeito re-aparece
querendo, desejando,
sonhando sair de mim, e

 IR   A    TI.
 
 
É com ele,
o novo eu que se esconde dentro do velho,
é com ele que vocês gostam de conviver.
 
 
“Por favor,
quando o novo não estiver aparecendo,
desperte-o,
ele está apenas dormindo,
lá dentro, do velho”.
 
 
 
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 24/02/2016.
 

 

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